Lazarópolis do Prata: a primeira colônia agrícola de leprosos

fundada no Brasil

Sarah de Souza Mendes Coutinho

Estagiária de História

Coordenação Alam José da Silva Lima – Núcelo de Pesquisa

 

Figura 1 – Capa da obra “Lazaropolis do Prata” de Heraclides Cesar de Souza Araujo.

Ao longo do tempo, certas doenças e condições de saúde foram percebidas pela sociedade com estigma e medo. Exemplo disso é a trajetória da hanseníase, uma doença bacteriana conhecida há milhares de anos – cujos sintomas incluem manchas no corpo, perda de sensibilidade na pele e deformações nos pés e nas mãos – e que hoje, no Brasil, possui cura e tratamento ambulatorial gratuito por meio do SUS. Anteriormente, foi chamada oficialmente de “lepra” e “mal de Lázaro” até a edição da Lei nº 9.010/1995, e carregou por séculos um estigma que justificou políticas de isolamento e exclusão daqueles que por ela eram acometidos, os “leprosos”. Por esse motivo, são valiosas as obras que permitem revelar a maneira pela qual uma sociedade lidou com a doença e seus infectados, seja detalhando as políticas de saúde pública adotadas pelo governo, seja permitindo entrever as diferentes discussões sociais acerca das decisões que devem ser tomadas.

Dessa forma, este artigo tem como objetivo divulgar o folheto Lazaropolis do Prata: a primeira colônia agrícola de leprosos fundada no Brasil, publicado pela Empreza Graphica Amazonia em 1924, que faz parte do acervo de Obras Raras da Biblioteca Pública Arthur Vianna. Esta obra se prova uma fonte importante para contar a história da saúde pública no Brasil e no Pará no século XX, especialmente em relação à hanseníase.

Nesse sentido, considerando que este artigo trata de uma obra escrita no início do século XX, os termos, expressões e ideias aqui utilizados representam o contexto em que o folheto foi produzido. Ou seja, a utilização de “lepra”, “mal de Lázaro”, “leprosos” e outras expressões correlatas será feita de modo a reproduzir o que está expresso neste documento histórico e evitar anacronismos.

 

Figura 2 – Fotografia de Heraclides Cesar de Souza Araujo, p. 13

O autor de “Lazaropolis do Prata”, Heraclides Cesar de Souza Araujo, nasceu em 1886, no Paraná. Em 1912 se formou na Faculdade de Farmácia de Ouro Preto e em 1915 na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Araújo foi um médico eminente especialista no estudo e tratamento da lepra e granuloma venéreo. Seu maior destaque foi o trabalho no combate à lepra, tendo sido chefe da Comissão de Profilaxia Rural do Paraná de 1916 até 1921, quando foi enviado ao Pará pelo Departamento Nacional de Saúde Pública para instalar e dirigir os serviços de saneamento e profilaxia rural, em 2 de junho de 1921, após o estado do Pará e a União firmarem acordo para criação do Serviço de Profilaxia Rural, culminando na inauguração da Lazaropolis do Prata em 1924, um leprosário dedicado ao isolamento dos afetados pela lepra.

  • Contexto histórico: sanitarismo e isolamento compulsório

É importante destacar que o Brasil vivia, nas primeiras décadas do século XX, uma reforma sanitária, encabeçada por Oswaldo Cruz a partir da primeira década do século XX. As endemias urbanas, como febre amarela, peste bubônica e varíola foram as primeiras a serem combatidas pelo médico, que defendia uma política rígida em relação ao controle da propagação de doenças, estas vistas como sinônimo de atraso civilizatório e impeditivas ao progresso, sendo essa teoria higienista fundamental na construção do ideal de nação defendido à época. Quando assumiu a Diretoria Geral de Saúde, entre 1903 e 1909, Oswaldo Cruz implementou estas políticas na cidade do Rio de Janeiro, incluindo a vacinação obrigatória, notificação mandatória de casos de febre amarela, peste e varíola, isolamento dos infectados e destruição de bens e imóveis que fossem entendidos como focos de propagação de doenças, tendo sido mais afetados os cortiços e estruturas habitacionais da população mais pobre e carente de saneamento básico. A partir dos anos 1910, a lepra, que antes não tinha a mesma prioridade das doenças já citadas, passou a receber a atenção dos agentes públicos nessa política sanitarista e higienista, em especial com a defesa do isolamento como medida principal para evitar a transmissão da doença.

Justamente nesse contexto atua o médico Heraclides Cesar de Souza Araujo, que trabalhou no Instituto Oswaldo Cruz e foi diretor do Laboratório de Leprologia entre 1927 e 1956. Heraclides foi um ferrenho defensor do isolamento compulsório dos afetados pela lepra. Por isso, quando Araujo chegou ao Pará em 1921, tomou como meta a instalação de um novo leprosário, já que o existente em Belém, o Leprosário do Tucunduba, datava de 1815. Nesse contexto, Araújo afirmou em “Lazaropolis do Prata”:

“As autoridades sanitárias superiores da República foram, logo após os meus primeiros meses de atividade, informadas por mim da necessidade urgente que havia na instalação de uma grande colônia de leprosos neste Estado, fosse onde fosse, numa ilha ou no continente, contanto que tivesse grande área de terreno cultivável, facilidade de comunicações e não ficasse muito afastada da capital” (Araujo, 1924, p. 8, grifo nosso).

Estes requisitos apontados por Araújo compunham a concepção do que seria um leprosário modelo para a época: um lugar onde os leprosos viveriam, trabalhariam, seriam submetidos a tratamentos e experimentos, afastados do convívio com a sociedade e construindo um novo meio social dentro da Lazaropolis. Os pacientes não eram apenas pacientes, tornavam-se colonos, vinculados àquela terra e em grande parte extraídos de suas conexões com o mundo exterior. O autor e idealizador da Lazaropolis defendia que:

“Não devemos esquecer que qualquer leprosaria que deva ser agora instalada, terá de obedecer, seja ela grande ou pequena, modesta ou suntuosa – ao tipo de colônia agrícola. (…) Depois que os grandes leprólogos mundiais mostraram as conveniências de só se isolarem leprosos em colônias agrícolas, seria um erro de técnica seguir orientação diversa. O leproso só se sentirá feliz vivendo livremente, em colônias amplas, onde tenha, além da assistência médica eficiente, trabalho e distrações. (…) Adicionem-se-lhe a pecuária e algumas oficinas de artes e ofícios – com uma séria e ativa administração – e, dentro de 3 anos, a despesa inicial do leprosário, calculada per capita, estará reduzida de metade.” (Araujo, 1924, p. 16, grifo nosso).

Esta descrição de seu idealizador permite caracterizar esta colônia como um espaço institucional de controle, uma instituição total conforme Goffman (1971), onde um grupo de pessoas é concentrado por tempo considerável em um lugar onde trabalham, moram e têm uma vida “fechada e formalmente administrada” (1971, p. 11).

O livro “Lazaropolis do Prata” documenta tanto o processo de busca pelo lugar ideal dessa instituição quanto o trabalho político de convencimento da população e da classe política local quanto a importância e a localização do leprosário, assim como expõe planejamentos, projetos e discussões até a inauguração definitiva do local, em 1924.

  • Detalhamento da obra “Lazaropolis do Prata: a primeira colônia agrícola de leprosos fundada no Brasil”

Este folheto está estruturado em quatro seções, encadeadas de modo a criar uma cronologia documentada em 186 páginas da fundação da Lazaropolis do Prata, por meio de ofícios, telegramas, regulamentos, projetos, plantas baixas e fotografias, desde sua concepção até sua inauguração em 1924. O objetivo da obra fica explicitado em seu prefácio, no qual o autor declara, endereçando o livro aos historiadores da profilaxia da lepra no Brasil, que:

“A seguir dou publicidade a todos os documentos importantes referentes ao assumpto [a origem da Lazaropolis do Prata]. Bastam para cada um delles algumas linhas de commentarios afim de facilitar a tarefa do futuro historiador da prophylaxia da lepra no Brasil.” (Araujo, 1924, p. 12).

A primeira seção diz respeito ao período de negociações, abrangendo a escolha do local do leprosário. Destacamos esse tema porque ao longo do livro são demonstradas as diferentes opiniões de diversos atores sociais paraenses: médicos, políticos, jornalistas, mulheres, padres, todos expressando suas concordâncias ou relutâncias em relação à instalação de um leprosário.

O autor relata que conversou com o governador, Antônio Emiliano de Souza Castro, que também era médico, em abril de 1922, sobre as visitas que fez à ilha de Caratateua (atual Outeiro), em Belém, chegando à conclusão de que nem Caratateua, nem Cotijuba nem a ilha das Onças seria capaz de comportar o número ideal de 2000 colonos. O chefe de polícia, desembargador Julio Costa, propôs assim adaptar o Instituto do Prata, local que funcionava como uma prisão e estava situado no município de Igarapé-Açu, nas proximidades da Estrada de Ferro Belém-Bragança, que interligava o Prata à Estrada de Ferro por meio de um ramal. Entre 27 e 28 de maio de 1922, então, Heraclides Cesar de Souza Araujo visitou e inspecionou as instalações do Instituto, e já no dia 30 de maio redigiu a proposta de compra do Instituto do Prata do Estado pela União. Ainda que necessitassem de adaptações, as estruturas pré-existentes foram satisfatórias à visão de Araújo. Como analisa Lopes, o histórico de ocupação daquele espaço, que havia sido um educandário e depois prisão, foi um fator fundamental na escolha:

“Este local não foi escolhido por acaso, pois ali haviam existido anteriormente outras duas instituições de controle. A primeira, em fins do século XIX, foi o Núcleo Colonial Indígena, formado por dois educandários destinados aos filhos dos Tembé/Tenetehara, que viviam no Vale do Rio Maracanã. Em 1921, o Núcleo foi substituído por um Centro Correcional, que possuiu rápida existência, já que no mesmo ano foi trocado pelo Leprosário do Prata, como o lugar ainda é conhecido até hoje.” (Lopes, 2018, p. 61, grifo nosso)

Assim que a escolha do local se tornou pública, o debate sanitário que se seguiu também atingiu vários meios da vida pública, como os jornais e a Câmara dos Deputados do Pará. O autor faz questão de adicionar a seu texto as críticas recebidas ao projeto, seja da sociedade em geral, seja de políticos. A partir da página 25, o autor detalha e responde às críticas feitas por um grupo de senhoras residentes no Prata em um telegrama de 26 de outubro de 1922 endereçado à esposa do Presidente da República, como um apelo. As senhoras Dona Julia Lousada, Isabel Castro, Maria Freire, Olympia Cavalcante, Bernardina Alexandre e Maria Souza Maia Uchôa descrevem a “dolorosa notícia” como “tamanha desgraça” e pedem que sejam poupadas de “semelhante vexame” com a instalação de um leprosário no Prata (p. 25-26). Para Araujo, a sugestão deste telegrama teria vindo do vigário Padre Antônio Calado Muniz d’Almeida, que teria feito “forte propaganda pela imprensa, e pela palavra, em sermões nas igrejas e aconselhando os colonos a se insurgirem contra a instalação do leprosário no Prata.” (p. 25). Mais tarde, em 30 de junho de 1923, o mesmo padre acusou-o de mandar “arrombar a capela S. Izidoro e se apoderar das chaves da Igreja S. Antônio, ameaçando o sacerdote e proferindo impropérios” (p. 53).

Já na Câmara dos Deputados, as discussões eram acaloradas, tendo sido incluídas pelo autor trechos dos debates de 17 de outubro e 4 de novembro de 1922. No primeiro deles (p. 29-30), Alfredo Chaves e Augusto Meira afirmam que “o povo de lá está abandonando essa zona agrícola” e que “instalar o leprosário no Prata é um verdadeiro crime”. Meira adiciona:

“O Prata é um logar de onde parte um grande número de regatos, que correm para pontos diversos. Ora, fazer desses regatos banheiro de leprosos, é querer contaminar toda a população. E não haverá quem queira habitar as proximidades desse logar”. (Araujo, 1924, p. 29)

Nesta mesma sessão, é lido um trecho de uma entrevista de Heraclides ao Correio da Manhã, jornal de circulação nacional, no qual o médico declarou não haver dúvida sobre a extensão da lepra no Pará, afirmando ser “essa a maior calamidade daquela terra e que precisa maior atenção por parte dos governos federal e estadual”, ao passo que o deputado Alfredo Chaves comenta que é “Sempre uma propaganda contra o Pará!” (p. 30), evidenciando tanto a relação entre a lepra e a imagem negativa associada aos territórios por ela acometidos, quanto a preocupação entre as elites políticas paraenses com a imagem do Estado em âmbito nacional.

Araújo afirma que na mesma ocasião foram publicados artigos contra o leprosário do Prata no jornal A Província do Pará. Quanto ao tema da imprensa, Heraclides de Souza Araujo navegava neste meio desde 1916, quando começou a escrever artigos para o jornal A República, de Curitiba, e em Belém publicou artigos de propaganda sanitária e vulgarização científica desde que chegou em 1921 até 1923 no jornal Folha do Norte. A Folha era dirigida por Paulo Maranhão, também integrante da Câmara dos Deputados do Pará, e defensor da proposta do leprosário no Prata na sessão de 4 de novembro de 1922, na qual reafirmou o consenso em relação à política de isolamento. Disse Maranhão que “A questão que se debate é sobre a localização do leprosário e não sobre a necessidade desse isolamento, porque é reconhecida por todos” (p. 37), e dessa forma, ressalvadas as críticas e os receios de deputados como Virgílio de Mendonça quanto ao local, a opinião que pareceu prevalecer foi a expressa na fala reveladora de Ferreira Teixeira, considerando que em 7 de novembro o Congresso Legislativo do Pará decide aprovar a venda do Instituto do Prata para a União:

“Uma sociedade não pode ser próspera, não pode ser feliz, se parte dos seus membros for atacada por essa moléstia chamada lepra, não isolando esses doentes. Se é um ato criminoso por parte dos poderes públicos, arrancar um leproso, um pai, um filho, um esposo ou uma mãe para isolá-lo num leprosário, muito mais criminoso seria, por parte dos governos que têm que fazer a assistência dos membros das sociedades que governam, tendo esses elementos nas mãos, deixar que esses infelizes contaminassem as suas famílias e uma sociedade inteira. Isto que vamos fazer é um ato muito humano e é da luta pela vida.” (Araujo, 1924, p. 37)

A segunda seção da obra corresponde ao período de instalação e fundação da Lazaropolis do Prata, incluindo mapas e plantas da organização espacial do leprosário. Os projetos (Figura 3) incluem área especial para leprosos abastados, espaços de produção e instrução de ofícios como sapataria, carpintaria, alfaiataria e ferraria, assim como os pavilhões de administração, laboratórios, hospital, cozinha geral, depósito de víveres e fábrica de farinha e açúcar.

Figura 3 – Projeto da Lazaropolis do Prata, p. 13

Além da descrição do estabelecimento, o autor também descreve o projeto de 30 de junho de 1923 para a administração interna e externa do leprosário, assim como a vida dos doentes. A questão orçamentária também é detalhada nessa seção, que inclui tabelas de pessoal, pedidos de verbas, custeios e doações para o leprosário do Prata, considerando as obras e adaptações que ainda deveriam ser feitas (Figura 4).

Figura 4 – Projeto dos Pavilhões do Largo S. Antonio, p. 13

A terceira seção trata da organização dos serviços internos, na qual o autor adiciona ao folheto modelos de fichas individuais de doentes, horários de policiamento das ruas e praças da Lazaropolis, tabela de vencimentos do pessoal em exercício e a transcrição de um trecho da conferência de 9 de junho de 1924 proferida pelo autor no Theatro da Paz, na qual faz um apelo pela contribuição dos políticos paraenses para a Lazaropolis do Prata, em tom de despedida. Entre 1924 e 1926, Heraclides Cesar de Souza Araujo foi indicado pelo Departamento Nacional de Saúde da Universidade do Brasil para uma bolsa de estudos pela Fundação Rockefeller na Universidade de Johns-Hopkins, onde se doutorou em Saúde Pública em 1926. (Silva, 2025, p. 16-19).

A quarta e última seção do texto trata da inauguração da Lazaropolis do Prata, de 24 de junho de 1924. O autor relaciona os convidados e inclui no folheto a ata da inauguração. Importante ressaltar que já havia pessoas internadas na colônia em sua inauguração, sendo que todos estão nomeados e numerados por fichas, sendo 296 fichados mais 14 parentes que os acompanhavam (p. 151-163). O folheto é finalizado com a cópia do Regimento Interno da Lazaropolis do Prata, que normatiza cada aspecto da vida cotidiana daqueles que ali viviam.

  • Considerações finais

Por fim, verifica-se que a obra “Lazaropolis do Prata: a primeira colonia agrícola de leprosos fundada no Brasil”, de Heraclides Cesar de Souza Araujo, oferece uma gama variada de possibilidades de pesquisa e discussão a partir da leitura da diversidade de documentos escritos e imagéticos que a obra compila. Seja em relação à história da saúde no Brasil do século XX, ao combate à lepra e ao tratamento dos acometidos pela doença; às disputas políticas entre diversos atores sociais quando se trata de um tema de interesse público; à influência dos jornais e dos formadores de opinião no debate de políticas públicas; enfim, seja em relação à permanência da relevância desta obra que até hoje é citada na produção acadêmica de História e Saúde: todos esses fatores, sem dúvidas, consolidam a relevância local e nacional desta obra rara disponível gratuitamente, em meio digital, no acervo da Biblioteca Pública Arthur Vianna.

Para saber mais:

ARAÚJO, Heráclides Cesar de Souza. Lazarópolis do Prata: a primeira colônia agrícola de leprosos fundada no Brasil. Belém: Departamento Nacional de Saúde Pública; Empreza Graphica Amazonia, 186 p, 1924. Disponível em: https://obrasraras.fcp.pa.gov.br/publication/lazaropolis-do-prata-a-primeira-colonia-agricola-de-leprosos-fundada-no-brasil/. Acesso em: 1 set. 2026.

AMADOR, Luiza; OLIVEIRA, Camila. A Lepra no Pará na análise do médico Heráclides de Souza Araújo. Fundação Cultural do Estado do Pará. Disponível em: https://obrasraras.fcp.pa.gov.br/a-lepra-no-para-na-analise-do-medico-heraclides-de-souza-araujo/. Acesso em 2 de setembro de 2026.

FIOCRUZ. Introdução ao Sistema Único de Saúde. Disponível em: https://mooc.campusvirtual.fiocruz.br/rea/introducao-sus/modulo1/aula1.html. Acesso em 2 set. 2026.

FUNDAÇÃO CULTURAL DO PARÁ. Heraclides Cesar de Souza Araújo, 1886 – 1962 – Obras Raras Acervo Digital. Disponível em: https://obrasraras.fcp.pa.gov.br/book-author/heraclides-cesar-de-souza-araujo/. Acesso em: 2 set. 2026.

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