Discurso proferido na Solemnidade da distribuição dos premios collação do grau de bacharel em sciencias e letras

-8- social á mais pr ofunda e dissolvedora critica, o mais terrível ad versario do officialismo e do academicismo, Augusto Comte, que nenhum preconceito classico podia ter, quem faz ai nda do grego e do latim, com o e tudo das sciencias abstractas, o curriculum da educação normal. Conta-se que a um deputado que, nos pr imeiros tempos tla nossa existencia politicu, propunha a suppressão de uma ca– deira de grego mantida nesta cidade pelo Estado, um dos seus collegas, por unica resposta e contradicta perguntou-lhe: V. Ex . sabe grego 1 - Não, senhor ; respondeu-lhe o inte'rpellado.-Logo vi, retrucou-l he o outro mordazmente . Eu, senhor es, não sei· grego, e si para consolar-me desta minha de3graça precisasse de companh ias, nenhuma acaso acharia mais illustre que a de Herbert Spencer, que systematicamente não quiz aprender grego nem latim e é um dos mais formidaveis adversarios da cultura classica . Não me impedem, porém, a minha ignorancia e este grande exemplo, de j ulgar que sem rompermos com toda a tradição da civilização a que nos orgulhamos de pertencer, sem pri– varmos a nossa civilização patr ia da base racional na qual sómente se póde ella assentar, alevanta r -se e desenvolver ; sem nos collocarmos em uma posição como quer que seja infer ior, não podemos banir do ensino, excluir das nossas preoccupações espirituaes aquellas línguas e aquellas li tera– t uras . Na evolução das sociedades é possível, poder-se-ia talvez dizer certo, que a preponderancia sempre crescente das línguas e das li teraturas modernas acabe p r dominar a necessidade, a u tilidade mesmo, dos estudos classicos. Tal selecção, porém, para ser prestadia, preci ·a de ser natur,11, o sobretudo, effe– ctuar-se semper turbaçãosensivel da marcha normal da nossa civilização, sem privai-a d:i. base de cultura essencial á sua solidez e ulterior desenvolvimento . E~sa cul tu ra, a creio ainda dependente dos estudos classicos, irmanados tl e um modo pb ilo– sophico com os estudos scientificos, para constitu írem no bello r; gor da expressão, as letras humanas, as humanidades, como tambem lhes chamavam os nossos pais. o ·----

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