Discurso proferido na Solemnidade da distribuição dos premios collação do grau de bacharel em sciencias e letras

- 6 - exigida mesmo para carreiras estreitamente pr ofissionaes, de modestas condições, e creando , por isso mesmo, copioso numero de desclassificados que, na nossa sociedade mal organizada, na qual á aristocr?"cia da espada e do sangue substituiu-se a aris– tocracia do diploma e do capital, não achavam collocação condigna dos titulas , sinão dos conhecimentos que possuíam. O nosso caso absolutamente não é o mesmo. Nós, podemos dizer sem receio de contestação , não temos cult ura classica . No mesmo antigo Collegio de Pedro Ir, como no actual Gymnasio Nacional, onde os estu 1 los secunclarios se fizeram sempre com maior desenvolvimento, e creio poder acrescentar, com maior perfeição que allrnres, nes te mesmo estabelecimento não se póde dizer que, ao menos das reformas de 18 O para cá, haj a cultura classica, no sentido europeu e ainda mesmo norte– americano desta palavra. Não ha cultura classica em um curso de estudos em que a lingua nacional é estudada mais grammatical que literariamente, sem estudo especial e de– morado da sua historia, da sua literatura, dos seus grandes mau.elos e mestres . 'ão ha cultura elas ica onrle a historia é aprendida em escassíssimo tempo por compendios r udimentares e a philosophia é banida elos programmas . ão ha cultura classica onde o grego elementarmente estudado toma apenas dous annos, o latim sómente quatro, de oi to mezes no maximo cada um e parcM horas por anno, red uzida uma e outra lingua ' ao estudo, ainda elementar, da grammatica, e a traducção parcial dos au tores mais faceis , esq uecida uma porção consi– deravel de escriptores llessas linguas . 1 ão ha estudos classicos , finalmente, onde as duas li teraturas mãis de toda a cult ura occidental, não são siquer elementarmente estuctac1as, nem na sua historia e na sua phi lologia, nem nos seus monumentos . Sl isto e verdade, como ninguem conhecedor do nosso ens ino contestará, não vemos o motivo de uma bifurcação que nada justifica e aconselha . Si ó. nossa incompctencia fosse pormittido um alvitre, prefeririamos a extincção completa de taes estudos, nã,o só ao mínimo como quer que seja riuiculo que aconselham algu n~, mas ao deficiente ensino dos nossos programmas actuaes . •

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