A Vida de Carlos Gomes
212 I~TALA GOMES VAZ, DE CARVALHO herculeo esforço, contra a desdita que lhe em– bargava os passos, e se inclinavam ante o ta– lento soberano que se mostrava amadurecido, em plena pujança de arte, numa obra de equi– librio perfeito, onde se delineavam franca– mente os novos moldes de arte lyrica mais moderna. A critica foi unanime em reconhecer a transformação e o progresso do maestro des– de seus primeiros trabalhos até á apotheose artistica da partitura do "Côndor" e não lhe poupou calorosos encomios. Transcrevo aqui do jornal "II Secolo", a critica de um dos mais abalisados musicologos da I tali,a, que assim define a nova opera do maestro : - "O Gomes do "Côndor" já não lernbra 0 Gomes de suas operas anteriores, ou apenas transitoriamente. Elle suavisou-se, modernisan– do-se, e, assim, o illustre maestro acceita em parte o systema dos motivos conductores (os "Ieitmo– tifs" de Wagner) e um dos principaes temol-o immediatamente no preludio. E' a phrase que 0 "Condôr' canta no 2° acto, a mesma que fecha a opera. Além deste ha outros "Jeitmotifs" como o dos revoltosos e o da "fascinação", se~ excluir a melodia do oboé, de indole absoluta– mente exotica e muito bem adaptada a fazer-nos viajar com o pensamento até á phantastica cida– de de "Samarkanda". Gomes quiz dar-nos uma especie de drama mu– sica,! onde. os recitativos, as declamações, as me– lopeas, assim como as paginas musicaes descripti-
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