A Santa Casa de Misericordia Paraense noticia historica 1650-1902 mandada elaborar e publicar pelo governador Antonio José de Lemos Arthur Vianna

A SANTA CASA DA MI SERICORDIA volos e condernnados; Santo Agostinho, . Cypriano e São Thornaz largamente o demonstraram com irrefut aveis argumentos_; na es- a ociozidade dos pobres vadios? poderamos responder que muitos onão são; que a Caridade exige de nós outro juizo mais favoravel arespeito dos nc\';sos semilhantes ; e que J esus Christo sempre repulará como feito a si mesmo lodo o bQm que fi zermos a qualquer dclles: v) podera– mos ainda L embrar e te sabio consel ho de S Gregorio P apa : Quando os pobres vos parecerem múos, nunca os desprezeis, dai-lhes buma saudavel correcção, respeitando-os ao mesmo tempo ; pode ser que J est1s Christo se appresente ávó na fi gura de algum dell es. P orem nós não pode– mos disfarçar, amados Filhos, o pi:zo desta ultima desculpa : confes amos com ingenuidade, que no estado presente das couzas hc difftcil muilJlS vezes discernir o pobres de necessidade d'aquel– les que o ão por gosto, e por libert inagem ; e que custa a conhecer, quando sedá esmolla, se com ella se all ivia a mizeria, ou se en tretem a ociozidade: onfessamos que b e huma couza bem desagrada,·el, e capaz de seccar as origens da piedade Christan ver tropas de mendi ga ntes sem rel igião e sem desciplina, pedirem as vezes com mai obstinação do que humildade ; roubarem 0 que não podem conseguir, e attrab irem a attençào do Publico com enfermidades contrafei tas, e com relaçoens importunas dos seus males. Mas eisaqui cortados de bum golpe todos estes inconveniente com ofeliz arbítrio, que ternos abonra de\'OS propor aos olhos : buma Sociedade de homens, que tem .por instituto soli– citar as esmollas dos Fieis, sendo elies oprimeiro cmclar exemplo com as suas liberalidades ; vi– giar sobre os pobres enfermos ; in struir-se das suas verdadeiras neces idades, eprocurar hum prompto al ivio primeiramente aos que se acharem refugiados no H ospital publico (o que eleve faze r o principal objecto do zelo da mencionada confraria) e depois aloclos os mais, de que cons– tar que se acbão em desamparo. T al bc, amados F ilhos, a natureza do Instituto, paraque vos convidamos presentemen te. Que desígnio mais util á R eligião, e á mesma Hnmanidadc ! Que ornamento mais bello, e mais gloriozo para esta Capi tal! Que exemplo para a posteridade ! E que origem fecunda de bençoens para toda. acondição de homens ricos, e pobres, digamos ainda, vivos, e mortos ! Ó YÓS outros, deixai, amados F ilhos, deixai-nos clamar bem alto com o P rofeta I saías atodos os que ainda conservão algumas pequenas fa i cas do dezejo da sua salvação ; Ó vós outros, que tendes sede, vinde applicar a boca ás aguas vivas da Caridade ; vós que não tendes ouro, nem prata apressai-vos, comprai, e comei: vinde, comprai sem dinheiro, escm alguma troca o vinho, e o leite; isto b é, as doçuras da graça, que o Senhor vos o!Terece gra tu itamente por meio des ta alliança glor ioza. P orque empregareis vós o dinheiro cm couzas que longe de contribuírem ao su. tento das vossas almas, lhes procurão huma fome eterna? Porque correreis sempre atraz dos bens caducos, que não podem encher a vasta esféra do vosso coraçam? ah! nutri-vos antes, cfartai-vos das Santas iguarias, que: achareis em abumlancia na meza ela Caridade : Vossa alma fortalecida, e para o dizer assim, gorda e anafada com os mimos do Ceo, gozará de huma pura alegria, que se não póde encontrar no seio das delicias cio terra. Inclinate aurem vestram : ap– plicai os vossos ouvidos, vinde arnim, ouvime, e vós achareis a vida na doce, na amavcl união da Caridade : ella será para vós hum penhor seguro das misericordia. , que oScnhor tem promct- v ) :.vlath. 25. 40.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjU4NjU0