A Santa Casa de Misericordia Paraense noticia historica 1650-1902 mandada elaborar e publicar pelo governador Antonio José de Lemos Arthur Vianna

62 A SANTA CASA DA MISERICORDIA seu lado os avarentos; S. João Evangelista, S. P aulo, . Lucas S. Chrysostomo prega ram a caridade, não como acto de generosi- <lição do pobre enfermo? Sim do pobre enfermo es tendido La no recanto de duas paredes derri• bada , trespassado de dor, e tristeza, sem meio , sem recursos humanos, esperando somente oseo alivio dos arna vei cuidados da P rovidencia. E não he isto hum novo motivo, que deve inflamar a vossa Carid ade, Longe de ser\'ir de pretex to h ossa a vareza ? O tem pos são m:'10. , dizeis vós, tudo h e ind igencia, tudo ester ilidade : seja a sim: mas porque se não arrancão tantas profusoes inuteis de que estão ch eias as cazas, ns mezas, e os Ye tidos? P orque não são os homens menos vaons, menos prodigos, e menos dado aos prazere scnsuaes? P orque se não for– ceja por des terrar a inercia, amoleza, ou aind a tant as occupaçoens desconh ecidas á grave e sizuda An tiguidade, q ue não sei-vem senão para engro sar a torren te dos males que inundão a R epu– blica, e substituir em seu lugar exercicios laboriozos, utei , digno da nobreza do homem ? rão são este os meios proprios, e eilicazes, que arazão im,pira para est;rncar a origem das Calami– dades publicas? Será precizo r ecorrer a outro tam injusto, e tam barbam , como he priva r huma parte dos Cidadaons dos soccorros a que ell e tem direito ; deixa-los espirar cm bum lotai cle– zamparo feitos victimas infeli zes da dôr, e da fome? Oh injustiça ! Oh crueldnde ! Oh humanos degenerados, que tam mal conh eceis a excellencia, e os de\'eres de te amavel nome ! O pretexto, qu e setira das neces idades ex traordin aria , que podem sobrevir, he frí volo, condemnado expressamente p or J esus Christo, z') e, como d iz Santo T homaz, ill egitimo para dispensar da obrigaçam essencial da esmolla. J a fica ad ,·ertido que a prudencia Christan sabe pôr todas as couzas na sua j usta ordem : porem d igamos ainda : Se he necessario reservar pnra as necessid ades foturas, não seria melhor que fosse an tes aquillo, qu e escapa pelos sum idouros das paixoens, o que leva o j ogo, a crapula, oluxo, a vaidade? So então varre da cabeça o negro espectro da neces idade futura ! E sta odioza palavra, amados F ilhos : N ão dou esmola, ou dou-a pequena por temer que me aconteça alguma in felicid aéle : argue, no que aprofere, b11ma intole– ravcl ig norancia por não dizer impiedade : h e o mesmo que repu tnr por perdid o tudo oq11e se dá aos pobres de J ezus Cbristo. Ah homens de pouca fé, se podesseis.conb ccer as vantagens, que estão unidas á e moll a ! Vantagens para a Humanidade : quantas vidas com este soccorro arran– cadas da boca do tumul o ! Quantos b raços conservados para contribuirem a riq ueza publ ica ! Quantos roubos, quantas pros tituiçoens, e horrores que alterão, e perturbão o Laço Social, evitados ou· demin uidos ! Vantagens para a R eligião : Que exemplos ed ificantes! Que acçõens de graças! Que caaticos de louvor de D eos não brotão desta semente precioza ! E que nu mero cJ'almas rolando ja pelos precipicios da dúr, e da deze~peração, corrião desgraçad amente a abis– mar-se na mizeria eterna, se amão benigna da Caridade as não susti ves~e ! l\Ias es tes bens são ex tranhos ao avarento : fa ll emos-lbe das uti li dades pessoaes. Alatga, ó homem, alarga embora quanto pudéres os seios do teo coração ; ,vê oque dezejas ; tudo acharás comprehend ido na esmolla : queres descarregar-te do pczo immenso dos teos peccados ! E scuta 0 D ivino oraeu]o: D ai esmola, e todas as culpas vos serão perdoadas. .i) A esmola livra de todos os peccados, ainda que sejão os mais enormes. l) Bem como a agua ex tingue ofogo, assim a i) . Math. 6. 2 5 . .J ) L uc. u . l ) Tob. 4 .

RkJQdWJsaXNoZXIy MjU4NjU0