A Santa Casa de Misericordia Paraense noticia historica 1650-1902 mandada elaborar e publicar pelo governador Antonio José de Lemos Arthur Vianna
· A A TA DA :MI ERICORDIA lerá por uma inexhaurivel fonte de bens; ning uem se deve furtar a concorrer com as e molas necessarias; Jesus Christo expulsou de elas; em tudo o que se arrisca no jogo exce ivo, que · e con orne nas modas, nos enfeites inuteis, e van curio idade ; vos o acbarei em tudo o que vo perde, que \'OS condemna, e que destróe em Y0 sa alma a Graça de J e us Chri to,e o e pirito do Christi:1.11i mo. E is aqui o vos o supcr– íluo; ei aqui o P atrimonio dos pobres. Ah! e que cria destes sêre de afortunado se os r icos deve cm medir o eo necc · ario sobre a difTercn te pa ixoens, porque se deixão arrastar ! Que? acazo a providencia o ter ia arrojado doseo seio? Que id ca mai injurioza ao P ay commum de todos os homens. Não, oh meo Deo , vo nunca abandonarei e tes filhos mimozos scllados com os ama– \'eis caracteres da vos a cruz; cm quanto o. rico do Seculo se 'e forção em tirar armas da am– bição, e do Luxo, para combater o preceito da esmolla; emquanto debaixo de frívolos pretextos elles calcão aos pés a Lei mai antas por sua fun e ta indifferença para as mizerias da Huma– nidade; vos a mi e_ricordia lh e tcn\ ·emprc rlcpozit ado hum poderozo recurso no coração dos q ue ,·ós temem, -e que Y0S amão : '\ ó nos fa reis \'er em todo o tempo que he desta feliz origem que correm mai perennemente a contribuiçoen , porque subs i tem tanto a illo consagrado ápi edade, e que as pessoas de huma fortuna med íocre, qua ndo cl las amão á Virtude, ão muitas vezes mais Iibcrae , e magnificas com os pobre doque aquelles poderosos, aquell es opulentos, que tem no mundo os primeiro Lugares, ou os mai Lucrati\'OS. 1\fos continuemos, amados Filhos, em desvanecer as _outras desculpa. , com que se córa a infame avareza. T endes muitos filhos, diseis? Sim, be ju to que se attcnda as suas neccs idades, e ao seo estabelecimento ; todas as Luzes volo ia pirão : porem re ponde S. 'º Agostinho : Vó que tende filhos, contai mais hum, e dai alguma couza a J ezu Cliristo: se cm Lugar de quatro filhos, tivcsseis cinco, abandonaríeis este ul timo? Dai ao · pobres o pão que clarieis ao quinto fi lh o ; tome J ezus Cbristo o seo Lugar, como parte da vossa familia : Que honra para vossos filhos con tar J ezus Cbristo entre o numero de seos Irmaons ! Tendes m1meroza familia? P or isso me mo, diz S. Cypriano, devem ser as vossas esmollas mais abundantes, por terdes mais graças para attrabir cio Céo, mais ·f!agcllos para desviar .da vossa Caza, e mais peccaclos para expiar. T endes muitos filhos? :Mas reparai, diz S. Bazilio, h) que tendes huma só aln,a, eque esta deve ser oprincipal objecto dos vossos cu idados : procurai primeiramente merecer o Céo, clepoi disto trabalhareis emdeixar avossos filh os, com que elles subsistão: Os filhos continua o 111esmo Santo Doutor, que não succeclem nos bens ele seos P ais, podem aclquirill os por sua industria ; porem sevós abandonais o cuidado da vossa alma, quem terá compaixão de vós? T endes muitos filh os, ainda o repito, ah! temei, que trabalhando pelos enriquecer, não trabalheis pelos condemnar, eq ue procurando ·amontoar hum !besouro de bêns, não junteis ao mesmo passo um tbesouro ele iniquidades para vós, e para -vossos filhos : es tes filhos corrompidos pelo vosso exemplo inspira– rão a mesma dureza aos que dellcs na cercm, estes imitar{io eos Pais; e assim ele geração cm geração talvez na vossa infeliz posteridade ninguem cumprira opreccito cio Senhor. Não digaes que os tempos são calam itozos: que se ellcs o são para vós, ricos cio mundo, se apezar da vossa abundancia, ainda sentis os estragos da mizcria publica, qual deve ser a con- /,) Serm. 2. centr. avar.
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