A Santa Casa de Misericordia Paraense noticia historica 1650-1902 mandada elaborar e publicar pelo governador Antonio José de Lemos Arthur Vianna

A SANTA CA. A DA 1\lrJ ERI ORDIA vez que este seu exerc1c10 fosse um costume tradicional, oriundo de não se terem fundado outras Misericordia no Pará. 1 A sua missão junto dos que iam morrer prolongou-se e extinguiu-se, póde-se dizer, com a pena capital; não a impediu ex-abrupto uma fo rçada resolução, como uccedera no Rio d Janeiro. .Creada ao tempo em que o despotismo caracteri ava as auctoridades, a Misericordia lisbonense, representada ~a p ssôa ·do seu illustre fundador, salien tou a campanha qu emprehendeu em favor dos presos e encarcerados; em succes ivos alvará · e cartas régias alcançou enormes vantagens : o seu procurador pas– sou a ser ouvido nas audiencias e nos tribunaes em primeiro lo– gar; a justiça não podia reter nas cadeias os sentenciados a d g re– do, sob o pretexto da falta de pagamento das cartas de fe ito ou assignaturas elas sentenças; a fiscalisação dos mordomos e irmãos, quer nas prisões, quer nos tribunaes, não poderia soffrer embara– ços de qualquer especi e; os presos pobres não apod reciam nos carceres por não terem. dinheiro para as custas e emolumentos, ás vezes uma quantia insignificante que custava a vida ele um homem ; os mag istrados dariam sempre andamento aos processos, quaesquer que fossem as posses do detido, indemnisando o Estado as quotas, provada a indigencia do réo. D'estas e de outras regalias e privilegias utilisou-se a nossa ·Misericordia, de accôrdo com as exigencias da época e elo meio em que viveu e agiu; se na metropole a benefica acção da irman– dade encontrou um vasto campo de p repotencias e iniquidades para combater, no Pará a Santa Casa, erguida no seio ele uma colonia onde a ambição e ' a violencia tinham altares em todo o 1 Na correspondencia dos provedores com os mordomos dos preso , encontram-se não poucos officios, com a recommendação de que providenciassem e tes sobre a ida de irmãos para varios pontos do interior, a fim de assistirem aos sentenciados á morte. Por conta do governo corriam o sustento e o transporte dos assistentes.

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