Relatório dos negocios da Provincia do Pará

( l?') i11eio ele desertos, anelando expostos ás cobrav, ào~ aniinaes selvagens, aos índios ferozes, e vossos pro~ prios semelhantes YOS perseguindo constantemen te, soffrei todas as calamidades da vida d'esses pobres l~o1;11ens, e depois vinde dizer-me se é cousa 11;ui!o facil colher proclnctos espontaneos na provmcrn do Pará! Discorrer theoricamente sobre os incommodos alheios é uma cousa; sentil-os e soffr el- os é cousa rnuito diversa ! Não ha povo; talyez no mundo inteiro, mai,-; he:::roico, mais capaz de soffrimentos de que seja o de vossos concidadãos; no entretanto, vós os ho– mens das cidades, que pela maior parte viveis á custa d'elles, quando , e vos conta: que as po– pobres choupanas em que elles vivem, são mal ~o– be1·tas de capim, não tem divisões nenhumas m– ternas, r espondeis:-E' a preguiça; não querem tra– balhar; tem a fac ilidade dos prodnctos exponta– ncos l . Co1;versei com quasi tod~s esses homens q\rn ~ln ex1~tem espalhados pelo m1m_enso valle ~o ?'IO rocan.tms e notei um traço mmto caractenst1co elos filhos' da vossa província., e é que, acima de tudo ,. o pa~·aense ama a in<lependencia. . Eis ah1 es tá a rasão, pela qual elle ama a ~gn– cult.ura: é tambem essa a rasão porque elle se 1s6Ja para o · ina tto ; n'esses mattos ,·ae ter alimentoS' gro seiro::,, e muitas Yezcs soffrnr o tormento da, fome; mas ao menos sabe que não est:í ~nj ei_to ao commandante da guarda nacional, :"º"' v1gano, a.o subdelegado, ao inspector de quarteirao, ao re– crutador, que muitas vezes são outros tantos ty- 1·an11etes que o opprimem. Por esse motivo a ten~ clencia do povo é fugir dos povoados. ~otei, a um amigo meo a facilidade com que

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