-- 61 - Do · relatorio apresentado pelo dr. Lima Mendes sobre ·a sua commissão, verifica-se que, não só nos referidos povoados, como ás margens dos rios Pirajussara, Marimary, Tauá, Ceará e Aracy, as febres palustres - enfermidade aliás frequente n'essas regiões, que ataca sempre com certa violencia n'aquella época do anno - tinham assumido caracter assustador, de verdadeira epidemia, elevando-se a 258 o numero de pessôas doentes. Para isso muitíssimo ha concorrido a insalubridade dos terrenos humidos e sempre inundados pelas aguas dos rios e constantes chuvas, que os transformam em immundos pan– tanos, terríveis fócos da assustadora enfermidade. Todos os doentes ficaram en uso de remedias apropriados, aco:iselhando o dr. Lima ·Mendes aos habitantes d'aquella zona a pratica rigorosa dos meios prophylaticos, entre os quaes a destruição dos mosquitos, o afastamento das materias em decomposição e o arejarnento pleno das habitações. As fórmas clinicas predominantes eram a terçã simples e a dupla. Febre amarella. - Ascendeu a 172 o numero de adultos victimados pela febre amarella durante o anno de 1905. Devo especificar aqui as várias causas a que, princi– palmente, se pôde attribuir esse triste contingente á necropole paraense. Primeiro, a completa differença do clima, para o extrangeiro desembarcado recentemente e que não tem o necessario criterio de abster-se de tantos descuidos e exces– sos, CUJOS resultados lhe são fataes. Mal habituado com a cosinha brazileira, o recem-chegado encontra-lhe, pelo menos, o sabor da rwvidade e tem, desde logo, pelas nossas fructas, um enthusiasmo que frisa as raias da gulo– dice. Por outro lado, a alta da temperatura desenvolve n'elle a sensação da sêde e, infelizmente, existem muitas pessôas· que julgam combater tal vontade ingerindo grandes quantidades de líquidos fortemente gelados. Tudo isto determina sensíveis perturbações gastricas, muitíssimo favo– raveis ao desenvolvimento da febre amarella.

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