A Vida de Carlos Gomes
214 .ITALA GOMES VAZ DE CARVALHO trecho, repetindo as mesmas palavras, como se usava nas árias antigas, mas o que ha ~e melhor neste acto e de maior effeito, é ~em duvida o con– certante quando "Côndor" é condemnado á mor– te por haver profanado a inviolavel morada da rainha . Não somente o thema do tenor: - "Ave, o Diva! Ave Odaléa! é de grande nobreza, mas o trecho inteiro é de subido valor! A disposição das vozes é potente, a orchestração é um verdadeiro esplendor de so– noridade ; emfim, são paginas de musica bellis– sima apesar de uma passagem chromatica qu~ lembra o bom Tanhauser ! ... Nenhum compositor ousaria hoje em dia se furtar ao habito de começar o ultimo acto de uma opera sem um preludio e Gomes foi real– mente inspirado escrevendo o que precede o ter– ceiro acto do "Côndor"; é uma pagina suave , apaixonada, de primorosa elegancia instrumental que prepara com mão de mestre as peripecias que finalizam a opera. O mesmo direi do monologo do soprano, de profunda expressão draniatica cujo motivo principal é repetido pelos violinos re– adquirindo novo prestigto, quando cantado pela voz humana. Muito original a pequena ballata interior do pagem. A ária do soprano é conduzida por exímio compositor, afastando-se embóra de sua caracteristica peculiar. . . Lembra-me Ver– di! Neste mesmo acto temos um quarteto que por si só faria a fortuna de uma opera de meio– car~cter, mas que entremeado aos tragicos acon– tecimentos do "Côndor", não me parece oppor– tuna, em~ó:a não possa negar que se trata de uma real Joia musical. O final é de grande effei-
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