A Vida de Carlos Gomes
172 ITALA GOMES · VAZ DE CARVALHO neiro . Havia no programma uma parte pura– mente musical, mas o espectaculo come~ou com o concurso de ·um famoso " ,magico", que projectou na parede branca do local, com as– sombrosa habilidade das mãos, algumas sce– nas do "GUARANY" e do "RIGOLETTO" em "sombras chinezas" acompanhadas pela musica equivalente aos trechos que se iam desenrolando. Fôra como uma "ante-visão" do cinema sonoro de nossos dias e a veneranda figura do Imperador risonha e muito interessada, ' . enchia a sala com sua imagem bondosa, Jun- tando novas harmonias ás melodiosas caden– cias do "ESCRAVO" . A bella partitura devia ter sido cantada no theatro Comunale de Bologna, porém surgiram infinitas questões com a empresa Boselli, além da infeliz contenda com o poeta Paravicini, autor do libretto, que não quizera dar ao maestro a satisfação de fazer cantar o Hymno da Liberdade, no 2º acto da opera. com os versos especialmente escri– pto~ pelo seu estremecido amigo Tc,nente Frai:icisco Giganti . Originou-se dei,se facto um verdadeiro pandemonio, em que nin– guem mais se entendera. O maestro não que– ria t~rar os versos do amigo. O poeta não con– sen tla que se fizessem enxertos na sua obra litteraria; a questão foi aos tribunaes, que
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