A Vida de Carlos Gomes

A VI D A D E C ARLOS GO M ES 171 quando regressavamos á casa, com a gover– nanta, ouviamos o piano no "studio". Uma subita inspiração o tinha ôbrigado a voltar á casa para fixal-a no papel pautado. Innume– ras vezes acordei, assim, alta noite, ao som do piano, que se prolongava frequentemente durante horas, e outras vezes se calava, qua– si que immediatamente após alguns acordes e modulações, quasi sempre acompanhadas de canto. Sua voz, embora fraca, era de timbre agradabilissimo e de infinita suavidade. Foi ainda naquelle mesmo periodo da conclusão do "ESCRAVO", 1888-1889, que o Imperador D. Pedro II, de passagem por Mi– lão, adoecera gravemente. Minha querida Mãe fallecia, e, ao mesmo tempo, eu· tambem estive enferma, de cama. O pobre maestro, o coração enlutado, pensou enlouquecer com o temor de perder tambem simultaneamente, a filha e o amado soberano. Pasou noites de angustia ao 1 o de um e outro e os ultimas comp ssos d "Escravo,, resentem-se desta . sua t piritual . e tambem, vagamente, de um que Carlos Gomes organisou, sal s do Grande Hotel Milano, para homen ear a D. Pedro II, proporcio– nando ao soberano a opportunidade de ouvir as premissas da nova partitura que devia pôr em scena, alguns mezes depois, no Rio de J a-

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