A Vida de Carlos Gomes
r A V I D A D E CAR L O S G O ME S 167 cantores que Carlos Gomes reputava inferio– res e capazes de comprometter o exito de suas operas . A este respeito conta-se a anecdota de uma das "réprises" do "SALVA DOR ROSA " no theatro "Dai Verme", de Milão, onde um malfadado tenor desafinava consci– enciosamente todas as noites . Chegado á ária famosa do 1 ° acto : - "Forma divina eterea" - - "Di luce e di candor" - o publico delirante applaudia, pedindo insis– tentemente por bis! - bis! - bis! Meu Pae, contrariadissimo, assistia á interpretação im– perfeita de sua opera do fundo de um camaro– te de segunda ordem, em companhia de ami– gos . Perante as acclamações do publico, le– vanta-se como impellido por uma molla, e, chegando á frente do camarote, faz signaes desesperadamente negativos ao regente de or– chestra, gritando num bom portuguez regio– nal que certamente ninguem comprehendera: - "Qual bis!. .. qual nada!. . . Toca o boi para frente antes que o desalmado desafi– ne outra vez!" Bonóla foi sempre um dos amigos since– ramente devotados que meu Pae tivera na Ita– lia. Sua morte constituir a para o maestro um de seus maiores desgostos.
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