A Vida de Carlos Gomes

A VI D A D E C A R LO S G O M E S 127 Recordo um gracioso episodio ca vida f e– bril de meu Pae durante aquella segunda edi– ção da "FOSCA", contado por minha tia J o– sephina, irmã de minha Mãe, que morava en– tão, ainda solteira, com o casal-Carlos Gomes numa casa da estreita rua de S. Pietro All'– Orto. Parou certo dia em frente á Cél.sa, um tocador de realejo, que não deixava de cace– tear com suas musicas monotonas. Toca, toca e_ toca : . . Meu Pae, que provavelmente es_t~– ria tràbalhando, chega emfim á janella e, d1,n– gindo-se ao homem, que não cessava de virar a manivella, grita-lhe no auge do desesperó: - "Vae-te embora! Mas vae-te embo– ra!" O homem, continuando, imperturbavel, a tocar, com toda calma, após haver considera– do os cabellos e os olhos negros do maestro, responde-lhe: - "Vá embora você ... que eu sou de Milão!" Minhas recordações pessoaes apparecem, naturalmente, muito depois, mas bem me lembro de uma "reprise" da u FOSCA", . em Modena, em janeiro de 1891. Minha Mãe tinha fallecido mezes antes e já estava o nos– so lar mais uma vez irremediavelmente enlu– ctado. \ O exito e a satisfação artistica de Carlos J Gomes foram por essa occasião enormes, po– \ rém, escapamos todos de morrer asfixiados

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