A Vida de Carlos Gomes
• 106 !TALA GOMES VAZ DE CARVALHO tocava violino na orchestra dos theatros ly– ncos: "Foi uma noite de exbuberante exaltação, de palpitante enthusiasmo e de um deslumbramento de luzes que nossas jovens almas jámais deveriam esquecer, através das emoções ardentes das pri– meiras notas de uma opera que penetrára com delirio no coração de um publico de eleição. Era toda a inspiração do genio brasileiro e a poesia selvagem do inicio longínquo da joven Patria Amada. O theatro "Provisorio", demolido depois em 1878, erguia sua tosca mole no Campo de Sant' Anna, rodeado de silencio e da pallida luz de al– guns lampeões de gaz, mas naquella noite pare– cia estar envolto como num fluido imponderavel de angustiosa espectativa que o illuminava. Ás 8 horas a sala transbordava de espectado– res. Os olhos dos intellectuaes e dos demais assis– tentes irradiavam reflexos estranhos! A respira– ção era irregular, os corpos agitavam-se nas pol– tronas esperando numa calida atmosphera as inef– f~veis sensações que cada um delles experimenta– ria ao primeiro contacto com as melodias da ope– ~a do _glorioso compositor patricio. Na tribuna imperial, ao lad9 da scena, quatro poltronas de espaldar doirado aguardavam Suas Magestades, que deviam assistir ao espectaculo. Nos camaro– te~ de 1 ª ordem, as mais illustres familias de urna aristo · bl" cra~ia que devia desapparecer com a Repu- ica, brilhavam de elegancia e sorriam de con– ten~~ento . José de Alencar, o illustre escriptor, assi stt a tambem ao espectaculo, deliciando-se ao desenrolar das harmonias que accrescentaram ta-
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