A Santa Casa de Misericordia Paraense noticia historica 1650-1902 mandada elaborar e publicar pelo governador Antonio José de Lemos Arthur Vianna
74 A SANTA CASA DA MI ERICORDI \ em favo r ·aos pobres, das creanças fam inta e núas, das donzella desamparadas. 1 1 «No feliz empenho em que me puz, menos a escolha do meu merecimento do que a determinação da minha obcdiencia, de contribuir pelo meu ministerio p:ira a caridade, que faz hoje e fará sempre o glorioso fim d'esta devota e respeitavel :issembléa, cu faria, senhores, uma graye offensa aos sen timentos da humanidade, da ternura e da píedaLle, que rns aninrnm, se me propozessc agora exhortar-rns a pratica da caridade, expondo-Yos os motivos que nos in pi ram a religião e a na tureza, espantando-vos com as terríveis ameaças, que faz Deu ;ios ricos da terra que não i.nteressam os pobres nas suas abundancias . «Não, eu não faço aqui soar a minha voz entre homens duros e de entranhas dececad:i:, a quem os gritos dos pob res íérem os ouv idos e nãr, penctrnm o coração, - que insen iveis á mi erias alheias, veem á sangue frio correr as uas lagrimas. Tenho sim a honra de fall ar na presença de um verdadeiro successor e fi el imitador dos apostolo , cujo zelo transportando o meu espirilo aos primeiros seetilos da igreja, me faz ver com ed ificação o me mo que en tão fazia a con olação e a gloria da casta esposa do Salvador de u111 pastor em quem parece que o primeiro effeito da graça sob~e o seu coração foi enchei-o de lcrnurn, e inspirar-l he o ardor de examinar as mheri.as e necessidades das suas ovelhas, para estender a todas uma mão propici:i, se á ell e particularmente dissesse Deus pelo seu real propheta: - T zbi dcrelü:tw est pauper: eu ponho nas tuas mãos e confio á lua caridade os pobres que são a porção mais amada da minha herança. • F allo na presença do grandes e preclarissimos chefes da espada e da toga, que depu ta– dos para promoverem e defenderem os interesses d'este E stado, e para fazerem triumfar n'clle a ju liça, não contentes da gloria de servirem, um o grande Deus dos exercito , e outro o Soberano Jui.z do .mundo com provas as mais illu lres e brilhantes do seu merecimento e do seu desempe– nho, deixão por alguns intervallo , um as douradas rcdeas do seu governo, e outro os cuidados da balança da justiça para fazerem aqui uma publica profissão da sua caridade, e se procurarem a honra de servir ao Deus das mi cricordias. « Fallo cmfim na presença de piedosos ouvintes, a quem Deus tem feito sentir todo o attractivo dos oflicios da miscricordia, e que abra ados <l'esta celestial chamma, apenas formada esta con..,regaçã'.l da caridade se ali starão n'ella, para augmen tarem desde já a gloria da sua fund ação com os sacrificios da sua caridade. Graças immortaes sejão dadas ao soberano pae das misericordias, que do mais alto ponto de gloria, cm que recebe a adorações dos seus anjos e san tos, se dignou abaixar as suas vistas sobre a desgraçada porção da humanidade que, coberta com a vil exterioridade da pobreza, é objecto de desprezo dos demais homens, para destinar ao seu soccorro e serv iço e tes novos ministros da sua providencia. e Que snbiimes imagens apresenta aqui a religião ás vi las do meu espi rita ! Ministro3 da providencia para o soccorro e serviço dos pobre ! Que gramleza ! Que honra! Que titulo mais glorioso e vantajoso! E sta idéa surpreheude já e fixa intei.ramente a mi.nha imaginação. P ermitli, senborei;, que eu a siga, e que sem offender os direitos da vossa modeslia, me limite agora a felicitar-v<,s por esta honra, e que este seja o unico objccto da attenção com que espero me honr-,is por alguns momentos. « Por mais que clame o espirito da verdade de que, ou porljuC exaltar terra e a cinza,
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