A Santa Casa de Misericordia Paraense noticia historica 1650-1902 mandada elaborar e publicar pelo governador Antonio José de Lemos Arthur Vianna

66 A SANTA CASA DA MISERICORDIA sociedade de homens que tenham por dever solicitar as esmolas para os fi eis, sendo elles os primeiros a dar o exemplo da liberalidade. se dão reciprocamente os braços para vingarem os seus direitos mais sagrado em n6s tam inju . tamente violados. Desgraça, Desgraça! Sangue por sangue! Al ma por alma! L avaredas in exti n– guíveis ! Chóros eternos! R anger de dentes! E is aqui os trovoens que ouvireis soar do mai profm1do do seo Santuario. V os vedes, amados Filhos, que os pobres de J est1s Christo tem razão, eque sevo não liierdes sensíveis aos seus justos clamores, attrah ireis infallivelmente sobre v6s ornais fu nesto, e horrorozo cas tigo ; porque emfim não ba desculpa para serem tractados com 1.'1111:mb a dureza. Pelo que nos pertence ánós, não receamos de levan tar amão ao Ceo, e attestar quanto nell e hademais vener:1\'el, e augus to em como temos feito da nossa parte o que be po sivel por contri– buir ao alivio da Humanidade. Vós sabeis que em nossa pobreza não temos poupado as diligen– cias para se erigir nesta Capital b uma Caza do Senhor (seja-nos licito qualifica r assim htim Edificio destinado para sen-i r demorada aos San tuarios vivos, onde o Espírito San to reside com complacencia:) porem sendo esta empreza infinitamente superior ás nossas forças, ·o no re ·ta dizer-vos como lá o Santo Rei David D) aos P rincipaes de I srael: Se algum de v6s quer con– correr ás despezas immensas deste E stabeleci mento, cuja perfeição fica reservada á po. teridacle, dê o que lhe parecer, e alem disto, venha, junte-se á nú , e unidos todos em bum doce vi nculo de paz, arvoremos o E tandarte da Caridade, desa fi emos publicamente aternura christam, sopre– mos as fa iscas deste Divino fogo, que O Salvador veio trazer ao mundo, e que parece jazem soffocados debaixo das ruínas das paixoens : ja que não podemos entupir a fôn te cios males, que opprime o Genero humano, trabalh emos com todas as nossas forças por dcmin uir a sua tri te omma. O Céo nos convida; a Natureza nos impelle ; nosso proprio coração propende com todo o seu p ezo. Não nos demoremos. Diga embora o ímpio, sempre apostado a polvorizar veneno, sobre toda a bôa obra, diga que familiarizar-nos desta sorte com os pobres enfermos será envi lecer, e ultrajar ano sa Digni– dade: o homem ele bem responderá nobremente com S. Bernardo: Que sendo os pobres na fraze do Evangelho os h erdeiros primitivos do Reino do Céo, os me mos R eis da terra senão devem agora envergonhar do seo tracto; pois que toda a sua ambição deve ser de reinar algum dia com elles. Diga ainda que e,tas publicas ceremonias, estas assembléas estrondozas são pasto da vai– dade, e do orgulh o, e porisso mesmo repreb ensiveis : re pondei-lh e afoutamcn te que não hc assim : huma pratica, que teve O sco principio com O Christianismo; buma pratica obserrnda pelo grande Apostolo das Gentes, observada debaixo dos olbos dos mais Santos, e sabios Pastore3 detodo os seculos, e observada ainda boj e nas Igrejas mais florentes do Orbe Catholico, buma pratica semilbante poderá merecer tam odiozo nome? P oderá ser pernicioza aos Fieis? Ah! que estes exemplos sensíveis, e mutuos de generozidade, longe de excitarem orgulho, produzem an tes huma Santa emulaçam, que toda se converte para vantagem dos pobres : a Caridade que os inspira aos animos heroicos, mostram-lhes juntamente que nisto elies não fazem m 3 is doque pagar div idas e. senciaes á Religião, e á Humanidade. l\Ias paraque gastar tempo em sa ti fazer ás invectivas elos ímpios? O arbítrio que vos propomos, amados Filhos, be Santo : todas as luz~s naturaes, e D) Paralip. 29. 5.

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