A Santa Casa de Misericordia Paraense noticia historica 1650-1902 mandada elaborar e publicar pelo governador Antonio José de Lemos Arthur Vianna

268 A ·SA TA CASA D MI ERTCORDTA quasi sempre, a peça oratoria alcançava g rande suc~es o po rqu a irmandade esmerava-se na escolha do tribuno. ' O povo p restava a este acto o seu copioso contin o- nt , enchendo litteralment o templo, e palhando- p lo largo da é, onde brilhavam enfil eiradas as luze das doceira. ; r li g ios , crent -, na g ua rda de tradi ções hereditarias, jamais elle fa ltou onde qu r que ellas o chamassem, jamai. s poupou a fad igas e encommodos. T resnoitado pelas vig ílias cl'estas duas g rand - fe tas do c,:i– tholicismo, não faltava ás ceremoni as dos dois dias sub eq u nt s, . o sabbado das alleluias e o domingo de paschoa. sim viveu relig iosamente a Santa Casa, com todos os ·caract ri sticos de uma irmandade, desempenhando deveres religiosos ao tempo m que praticava as obras de· mi5erico rdia; tal fo i o symbolismo do seu culto, tão desenvolvido, tão pomposo, tão solenne, que não será e rrado classifi cal-o en tre os primeiro. das muitas e pujant s co r– porações relig iosas do seu tempo. 2 1 Cingimo-nos nesta descripção ao que escre\·cu Mello Moraes Filh o, no seu m:ignifico livro « Festas e tradições popular es do B razil • , com referencia á procissão do enterro do Senhor feita pelos carmelitas do Rio de J aneiro, por havermos encontrado cm antigos doeu- . mentos da Santa Casa, que o prestito d<1 P ará era mais ou menos semelhante ao ci tado. 2 N o P ará, como nas outras capi tanias do Brazil, abun daram as corporações religio. as ; houve d'ellas uma tal profusão que de algumas menos importantes não nos fa lam os docume n– tos ; nenhuma, porém, logrou ultrapassa r a da Mi ericordia, nenhuma exerceu como ella .uma grande influencia no povo, devido isto ú constituição que a. regeu, diversa do caridoso com- • prom i. so da Santa Casa. A primeira sociedad e religiosa que se fundou no Pará foi, como nol-o diz o capitão Antonio de Amorim, companheiro de Castello Branco nos pril]leiros tentamens da conquista, a confraria de Santa Luzia. N a escriptura de doação de 26 de Novembro de 18 26, manuscripto authentico que citamos á pagina 108, não se acha indicado o anno da fu ndação, nem ha outros esclarecimen tos além da affirm ativa da primazia. Soccorrendo-nos do Ensm·o Corografico de Baena, organisaremos assim a lista das ir– mandades, pelas egrej as onde exerceram as suas fun cçCes: Egreja do Carmo: Nossa Senh ora do Mbnte do Carmo, Senhor J esus dos Passos, São lVliguel, Nossa Senhora do Livramento (irmãos pardo ), e Santa Ephigenia ( irmãos preto. ). Eg reja da St!: Nossa Senh ora de Belem, Santíssimo Sacramento da Sé. Egreja de Santo Alexandre : Santa Casa da Misericordia, Nossa Senhora da Bôa Morte. Egreja de São foão Baptista : São J oão Baptista e Nossa Senhora da Dôres. •

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