A Santa Casa de Misericordia Paraense noticia historica 1650-1902 mandada elaborar e publicar pelo governador Antonio José de Lemos Arthur Vianna

252 A SANTA CA A D MI ERTCORDIA então, na mesma ordem mas de tochas apacrada. , volta a silen– ciosa e grave á sua egreja. Quando geralmente terminava todo o apparato da execução ra meio dia : o sol a pino baryhava de luz , ardente o negro instrumento do supplicio; no lar o de rto, . 6 a g rama pisada e emmurchecida attestava os vestígios da mul i lão que a calcára aos pés. Em volta do patibulo a Misericordia de empenhava ás vezes a importante missão de im1 dir 1u ~ s xecutass a enten a, dado o caso de arrebentar a corda; quando tal acontecia, o irmão que empunhava a bandeira, ap ressava-se a lançal-a sobre o pade– cente, umas vezes apenas atordoado, outras tão maltratado que fallec ia pouco depois. Debaixo d'aquelle painel negro e amarello, estava o criminoso ao abrigo de toda e qualquer violencia; o proprio rei não podia ordenar o ree11:forca112ento. Afrouxava-lhe um dos irmãos o laço que o axphyxiava, procuravam outros reanimal-o e, uma vez re– stituído á vida, após aquella rapida passagem p la morte, gosava de plena liberdade. ~ Esta soberana facu ldade era ·uma tradição longinqu a, herdada da Misericordia lisbonense; jamais houve lei que a auctorisasse ou permittisse, comtudo, todas as irmandades das Santas Ca as do Brazil e de Portugal a usaram, sem embargos dos pod res judicia– rios, que renderam-lhe sempre passiva obediencia. Em documentos coévos 1 encontram-se raramente, termos do escrivão, decl.arando não se ter veri6cado o enforéamento em virtude de haver arre– bentado ~ corda. É de crer que semelhante uso favorecesse muitos planos d liberdade aos criminosos; não seria difficil cortar interiorment a mór parte das fibras da corda, ou mergulhar o baraço em agua forte ou outro qualquer acido concentrado, que diminuísse-lhe á 1 SECÇÃO DE MANUSCRIPTOS DA BIBLIOTHECA E ARCH!VO PUBLICO . Autos e devassas. 1 i.

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