A Santa Casa de Misericordia Paraense noticia historica 1650-1902 mandada elaborar e publicar pelo governador Antonio José de Lemos Arthur Vianna

\ S NTA CA A DA MI ERICORDIA 2 45 morte. s execuções publicas constituíram magníficos espectaculo para o povo,. que Jama1 os perdeu, antes sempre o apreciou com expansivas manifestaçõe de alegria; e assim o papel aliente que a irmandade representava na lugubre tra~·edia dos enforcamentos, mereceu-lhe manifesta sympathia. Proferida a entença de morte contra o réo e marcados o dia e hora para a ex cução, pa ava o condemnado tr z dias e trez noutes no oratorio, e então confessava-se, recebia o agrado viatico, orava mu ito, supplicando a absolvição da sua alma. O oratorio era um quarto pequeno mais comprido que largo, com estreitas setteiras gradeada , tendo ao fundo um altar de paramentos negros e amarellos, obre o qual destacava-se ,um grande crucifixo, entre velas que ardiam, pondo na sala uma claridade baça e no am– biente um cheiro forte d cera derretida. No · Pará este aposento funebre es teve locado durante muito tempo na cadeia publica, depois no convento de São J o é. 1 • Com o réo dava entrada no oratorio um frade, em geral capucho de anto ntonio, que devia confortal-o durante aquelles dias horríveis, deshumanamente estabelecidos pa ra maior torna- r Desde os primordios da cidade elo Pará, eram os presos reclusos no forte elo Senhor ao to Christo, depois chamado vulgarmente, como até hoje, Castello. Em Outubro de 1; 37, a camara de Belem começou a construir o primeiro ed ifi cio para a cadeia publica, numa das ruas que de embocam no lado oriental do largo do Palacio, que, desde então, tomou o nome de rua da Cadeia, boje João A lfredo . P arcos o rendimentos da camara, a construcção foi mais de uma vez interrompida, gastando-se quasi treze annos para terminal-a, poi , só em Julho de 17 50 rea- • Jisou-se a inauguração da cadeia. Haviam construido os rel igioso de Nossa Senhora da Piedade um convento na capital, sob o patronato de São J osé, perto cio igarapé da Comedia dos P eixe -bois, que tomou então o nome d'aquelle santo, de modo que entrou o goYcrno na posse da sua casa religio a, quando o aviso de 5 de F evereiro de I 758, o chamou a Portugal. O convento, incompleto como e achava, foi apropriado para quartel, primeiro de um bata– lhão de pedestres, depois ele um esquadrão de cavallaria e, ao tempo do governador D. Marcos ele Noronha, cm 1804, do corpo de artilharia, creado pela carta régia de 26 de Abril de 1803. Fi– nalmente, não offerecendo mais seguraDça e commodos a primitiva cadeia, tran fo rmou o governo da prov incia, o convento cm pri ão, e até hoje o Yclho edificio dos capuchos ser\'e de penitenciaria. 16 ..

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