A Santa Casa de Misericordia Paraense noticia historica 1650-1902 mandada elaborar e publicar pelo governador Antonio José de Lemos Arthur Vianna

A SA TA CASA DA MI E .i:UCORDIA lada, sobre a qual estend ia-se um amplo panno de v lludo n g ro, franj ado de canotilho de ouro, com uma g rande cruz de brocado. Quat_r o irmãos carregavam-n a ao hombro e out ros tanto. ladeavam-n ~ com tocheiros negros. . Fechavam o cortejo os convidados, parentes ami gos do fi nado. Emquanto caminhava o fun b re pr stito, o sino granel de Santo Alexand re dob rava a fin ados, balançado violentamente na janell a da torre, pondo no ar as vibraç.ões fo rtes, compa adas e profundas do seu metal. P or fim entrava o enterro pela egreja a dentro, ponham a tumba sob re uma eça e fa zia o padr"e a encom– mendação do estylo, depois do que aproximavam o esquife da sepultura, aberta no solo. Então o provedor chegava-se ao defunto e dizia : « A terra vos seja leve, meu amado irmão ». « Assim seja » respondiam todos. R ein ava um grande silencio; os irmãos, ele cabeça inclinada para o peito e mãos postas, resavam um P ad re-N osso e uma Ave– Mari a. Mal a prece expirava nos labi os dos presentes, mettiam o cadaver- na cova e começava a missão do coyeiro. Era permittido aos irmãos retirarem-se logo, excepto o pro– vedo r e o escri vão que deviam fiscalizar o serviço até sua com– pleta conclusão. 1 N o terceiro dia do passamento suffragavam a alma do falle– cido, umas vezes com missa de lz'bera-me, quasi sempre com missa de r equiem, assistida ao menos pelos.membros da Meza, devida– mente uni fo rmisados e com tochas accesas. D e todas as fun ccões inherentes á Misericordia uma ela mais ' ' importantes, quer pelo appa rato, quer pela influencia que exercia · sobre a massa popular, fo i a sua assistencia aos condemnaclos á , 1 P rimi tivamente todos os cadavcres dos irmãos iam para a cúva apenas amortalha<los no baland ráo negro; mais tarde usaràm .caixões, porém o corpo era sempre tran portado na tumba e só á beira da sepultura o transferiam para o caixão. ,.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjU4NjU0