A Liberdade de Cultos
24 ao Apostolado vivo de sua Igreja. Como é que a Igreja depois de 18 seculos de exercício d'esse Apos– tolado, depois de haver usado constantemente da auctoridade divina de seu mag isterio, profligando as superstições pagans, anathematizando e con– demnando todas as heresias, todos os scismas e todos os êrros que iam surgindo diante d'ella, como é que de repente essa Ig reja ha de pro– clamar que não ha mais nem êrros, nem heresias, nem scismas condemnaveis, nem religiões falsas, nem superstições abominaveis; mas que todas as relig iões são boas; que em todas acham os ho– mens meios de agradar a Deus e salvar-se· que não ha religião obrigatoria, que o homem é nio– ralmente lz"vre, tem a faculdade moral de adorar a Deus como entender? Seria isso absurdo. Professem esse latitu– dinarismo as seitas, que em ultima analyse são humanas, fundadas por homens, e, como taes, não se sentem com direito de obrigar moralmente os outros homens. A razão é ig ual á razão; as opiniões equivalem ás opiniões. As interpretações de Luthero têm tanto valor como as de Calvino ' como as de Zwing lio, as de Socino, as de Naylor, as de Zinzendorf, as de W esley, as de Swe– denborg, ou qualque(outro cabeça de seita. Com o principio protestante da absoluta libe rdade que cada um tem de interpretar a palavra de Deus como lhe apraz, é impossível estabelecer a necessidade
RkJQdWJsaXNoZXIy MjU4NjU0