A Ilha dos amores
T ôdas de correr cansam, Ninfa pura, Rendendo-se à vontade do inimigo; Tu só de mim só foges na esp_essura? Quem te disse que eu era o que te sigo? Se to tem dito já aquela ventura Que em tôda a parte sempré anda comigo, Oh! não na creias, porque eu, quando a cria, Mil vezes cada hora me mentia. N ão canses, que me cansas; e se qzteres Fugir-me, por que não possa tocar-te, Minha ventura é tal que, inda que esperes, Ela fará que não possa alcançar-te. Espera; quero ver, se tu quiseres, Que súbtil modo busca de escapar-te; E notarás, no fim dêste sucesso, «Tra la spica e la man, qual muro he messa». Oh! Não me fujas! Assim nunca o breve Tempo fuja de tua formosura; Que, só com refrear o passo leve, Vencerás da Fortuna a fôrça dura. ;Que imperador, que exército, se atreve A quebrantar a fúria da ventura Que, em quanto desejei me vai seguindo, O que tu só farás não me fugindo?
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