Vitória Régia - Março 1936
22 VICTOR!f\ REGI!\ os que não qnizerem aclmirn-lo. • Ele que foi cégo como Camões e glorio– so como Homéro, ele que foi ao mesmo tempo, discipulo de Jó-O pobre, e ele Platão-o divino, ele merece o nosso respeito e a nossa arlmiração, pêla sua. pena e pela sua clôl', pelo seu cor2ção e pelo se.:i ce– rr-bro. Tenhamos sempre, nós, moços e sonhadores, em nossa frente, a guiar-nos, a imag-em luminosa do Humberto. Não desanimemos nunca, e de joelhos, mesmo, sangrando corpo e alma prossigamos sempre, para a galharda conquista do Ideal. Pa1•;4 êlo o Sf'll ~onho teve duas e-tapas, imprescin<liveis á Gloria de todo artista. Assemelhon-~e á cor– ·ri(la dess.e atleta. A primeirn etapa foi o sofrimónto, e esta é sempre l'li111inatoria. Venceu-a e por isso chegou á méta, ao Esplendor. Eu tenho a impressão que a sua chP– gada, foi cO,Jno o daquelle soldaJo grego de Marntona. E a. sun vitor:a foi . tamanha, Humberto, que você morreu na embriagez do triunfo. Hoje, pela face pergaminhada da santa velhinha de Miritiba, duas la– grimas rolarão, silenciosas, como os seus proprios dias. Uma de alegria., de tristeza, ontra. De tristeza, por– que o seu amô1· de mile ficou viuvo de um aféto; de alPgria por que ele encontrou na Morte, o descanso que ·a \'ida Jbe não dera. Hoje eu enfloro, no altar de mi– nha espiritualidade, reverente e hu– n1:lcle, o meu idolo. E numa oblata de Sonho e de Esperança, ofereço– lhe todas as minhas aspirações do moço. Bendito foi o teu destino, Hum– berto. E nós, como aquele infortu– nado jovem do romance de .Toaquim Manoel de Macedo, abe111,~oamos a tua mort.e, pois tu ficar.is , sempi– t erno, na lemLrac;a d e todo s, cheio de gloria e cheio de dores. * * * X-L1ni. album, cu encontrei isto seu: Entre esta gente feliz Cujo espirito esvoaça, Tú és um extrangeiro Escreve o teu nome... e passa. Humberto escreveu o seu nome mas não passou. Ele será sempre lembrado, onde haja um coração que sinta e nm cerebro que pense. E quando a sua vida não for mais nm exemplo a seguir, quando êle passar na fraquíssima. memoria humana, o seu cajueiro fará o milagl'e: êle en- sinará., ás aYes e ás arvores, o seu nome, para que estas o repitam, na. terra, no esplendor do verde, fl aqu0las, no céu, no esplendor do azul! No 49" anil'ersario de Humberlo-25 de Outubro ele 1935. M INHA mãe f\ra um anjo a quem Deus cedeu um corpo. Padre Gralry Um inglez f\ um americano apos– tarí4m quem diria a maior menti:'ii. O amel'icano começa: •l-lé-n-ia, uma vez um gentleman americano... • .Já chega, diz o inglez, vocf1 ga– nhou. * * * Chumbado, alta noite. I Ornln estou'? ..• A Terra lem uma Lua. l\Iarte tem cinco, ,Jupiter tem no\'e... Ora, vejo duas Luas... Onde estou? seu garda civil. ..
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