Vitória Régia - Março 1936

.. VICTORI/\ REGI/\ 2 1 çue se ria v E- ll<liil o po r bom prnço, r e vertendo ,L ,·end a, t uda, em s eu be n,· fi cio. Ell e se o pôz a isso, e ex– pli can do a s ua opos i<;i'io : «O li\TO é me rcad o r ia (Jll e não d e ·,e se r ven– di<b pm· pr<·<;o i11 c0 111un. O ex cede nt e desse preço {> uma esmola a qu em o ,·e nde. Rece be ndo duzentos mil r e is dum milionario por um ex em– plar que não val Psse mai s de oito, c u ficaria impedido por cento e no– ' enta e dois mil reis, de ius ~ll'gir– me quando esse nababo esco rchas se um prol e t a rio E eu qu e ro na minlrn :Jo ut• ,•z,.1 , con servar li\Tes para as g ra)}(l es c,Lmpanha s em fa,·or dos humild es, a minha con sciencia., a mi– nha \'OZ e a minha pena • . * * * r~ara se ter uma id eia do sen co- ra,; ão ba s ta dt.11· um fato. O presi– <l e nr e Ge tul io, ad111irndo1· de H 1111- lwr to, apesar de a1lvers ario poliLi co, i,; a be nclo-o com vida dificil , o fe rece 11- llw um emp1·ego, de aco rdo com o ~P u valor intell ectual Al em di ss o, 1:: , U 11 g 11i11-o, ainda , com o u ,rg o <l e d irector da Casa d e l:luy R:riH>~a. E foi quando Humh el'to. ag i-ad ecP tHlo , 111ando11-llrn u111 t>x c11rnla1· 1l e • ~iomo– rias •. com es ta d edi catoria: •Ao D1·. Gt tulio Vargas , que por duas vezes m e ve nceu- uma pe la s armas , outra pe lo cora r;ão .. . • * * * O qn e mais me impress iona e fas– cina no doloros o Humbe rt,o, é a pro– di g ios a força d e pene t,ração, essa a coid ade ps icologica, essa vrofun– cl eza de analis l,ci, arrojado nas con– ce pções e ori g inal nos a1·gnme ntos. Preornpava-o a Vida. O obj eto de s ua pena é o mundo com s uas tor- 1w zas e a vida com ~m as mise r :as. Preocnpava-o a ex is ten cia dos po– bres, dos infeliz es, das sombr as que sof'rem , dos ignorados, dos esqueci– d os, dos JYÍria s. E com eRsa p reocu– pação procurava Urnr lucr o, proveito el os en s inam entos da mestra Vid a, poi s, como Go e fhe, s abia qu e a vida d e cad a dia e nsina-n 0s ma is do qu e o s abio livro. E como não pud esse tir ar nm g rand e livro d e sua saúde, dos seus es tu<los e da s na al egria, pa ra consag rai-o aos feliz es , tirava <los seus pacl ecime11tos, e da su ,t tristeza tl'a.nqnila, um g rand e lição <l e humildade . de paciencia e d fl r e– signação, destinada aos d esgraçados. Com 'J artificio literario d e s ua s ca1•t :1s , e:s tudando o cora ção e a alma, ê l0 le vava balsamo para muitas al– mas e con s olo para muitos coraçõeR. Torn ou-se medico e juiz. E e ram tão efic azes as suas r ece itas e tão justas as s uas sentenças, qu e, dentro e111 pouco, o que era imaginado con– ve rteu-s e em r eal. E áqu e le «profeta s ot,nrno, qne Un!ia 47 a nos de idade , 80 d e s ofrim ento e pelo conheci– mento da. mi se ria humana 40 s ec u– los d e e xperi en c ia do mundo », r e – corre ram , e ntão , corações sombrio s e almas a tribuladas , pedindo um s im ou um não, pat'a r esolve r um ca so de consciencia ou um ca~o... per– d id o. * * * E le nas ceu pobre, viven pobre e mo rre u pobre. Possuía, no e n t,anto , qual S imonide, a riqueza in estima– vol do se u cerebro. A sua. obra é nm po ema de beleza, bondade , d e emo– ção . Emo r; ão, bondado, beleza.-ei.s a expressão s ublim e da a lma de Hum· berto. O bronze 1110 é pequeno, pelo s eu sofl'inrnnto, pelo se u estoicis mo: pela sua g lol'ia. Con s ag remos-lh e um monum ento, sem ig ua l, impon ent", m agestos o. Erijamo -lo, com org ulho, em nossos corações de moços, no coração do Bras il d o amanhã. E faz endo minhas a s pa la,v rns que ele destinou a Coe– lho Neto -o ult imo heleno,-e n as d estino a ele- o ul timo ostóico.-E d igo bem a lto: «Respeit em-n' o, pois,

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