Vitória Régia - Março 1936

20 VIC I ORll'I REG. f\ como Coi>lho Nrtó, para as elit<'s intelectuais. Coelho -Xrto rossnia 1:u– l>lico reduzido. Hu111lJ erto, não. O publico todo era rlelr. F'oi o rs<.:ritor ni:tis liclo até hojP, no Brasil. E por que isso? Porque Huml,erto escreda para os humildes, para os sofredo– rrs. para os que, • do bnnqu< te da , .idí', só apanham as migalhas , Por que o seu contato com o publico era mais direto. Escre\'ia com o co– ração, como se êle U1e fosse um «velho tinteiro de emoçfü·s e sPnti– mentos • . E aí está todo o segredo da sua \'itoria. • • * O caso de Humberto é a maior contradição possíve l ao Meus sana in corpore sano, tão deturpado pela genlção moderna. clH:ia dP excP~so,s e de paixões. Naquele corpo conde– nado a morte prematura. o espirito floria na sua mais esplendorosa ge– nialidade. A imensa tragedia. de sua vida, conturbada pela insidia de uma en- 1ermidad e horrorosa, pelos revezes da sort,eJl pela maldade dos homens, faz-nos medit,1r· no triste destino cios' que, no Brasi l, vivem do es pi– rito. O escritor, ent re nós, é o ho– mem de profissão mais ingrata. Sem auxilio dos Gove rnos ou de quem qner que seja, êle leva, salvant e ra– ros casos, uma existencia tito pre– ca.ria quão esquec ida. Ele é um pobre diabo qne tem de ganhar o pão com o suor do eRpirito. E, quando morro, não dbixa, como Humberto e Coelho Neto, nPm para o enten·o * * * Como bPm disse Costa Rego, o capitulo mais imprnssionante 1las suas memorias não f0i nenhum dos quo êle escreveu: foi o que êle vi– veu nestes ultimos 7 anos, a cuja trajetoria só a pella de um extranho podná dar relevo. Na verdade, a. sua. clOr aumentava cada ,·ez mais. Os disturbios acromegalicos cresciam em h e diond ei. A hipúfisP, hipr,1 tro– fiada, élgigantaYa-lho os mrmuro·s, tornant·lh e pen rlentes os lal>ios e cnrtina, a-lhe a visão. ~ofria. horri\'f+ men te. '.\las sofria mrnos por que sofria so,-rindo. Foi en1 re 30-34, o período mais agudo da do ença. Esta fase de sua vida é a mais digna de observação. pois vem cons– tratar com a sua tragedia intima. E' êle qu em fala: <Uma a ll•gria diabolica m e enchia o coração toda vez que eu, nema crise mais vio– lenta. vPncia a l\1orte, que ronda" ,l a minha porta. Raro era o dia, por isso, em qu e não aparecia, na im– prensa, o meu artigo al egre. A il'011ia das minhas cronicas era, qu.isi, o esga1· da caveil'a que fazia so1TÍI' os qur tinham carne na facfl•. Foi ,, ntão que, aqui e ali, no l\la– ranhfio, na Baia, no Riu e no Hio Gra11de, e rgu e ram-s e vozes , em so– r.orTo do esc riptor eníe rmo . E griln– vc1m em nni sono: • .Auxiliemos Hum– berto d e Campos. EvitPmos, num gesto concrPto 1lr> sympatin, que Hum– berto de Campos, enfermo e ca11sa– do. trabalhr t;into p;ira c11nq11i~ta1· o seu pão de cada dia! , ;\la s (·IP, sol>nbo e sel'enu comu um h e roi olimpicu, belo e Pstoico como um martil' cristão, recusou tudo, agradecido a todos. «O escl'i– tor-justificava H11111herto -P111 favo1· do qual so opera o mo\'i111 e nlo gi>– n eroso, vivo doente, e trabalhando muito. Mas é um ho111e111 válido, 0 111 condiçõAs rJp conquistar hravamentH o nocessario :í s ua suhs:stcncia. A enfermidado qne lh e vai tirando a !uh dos olhos, aintla. não lhe tirou a coragem • . E mais arliante: • E porque luta e a sua. luta e fecunda, não sofre pri– var;lies. O seu lar tem conforto. o Sl'U galiinPto tPm livros, a SUt\ 111 P~:l. tem pão • . Cogitou-se de editar um livro seu À

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