Vitória Régia - Março 1936
'18 \/ICTORif\ REGit\ btttalhador. De l\Iiritib a vo R io, a sua existencia é cheia de h1t.as e sacri– ficios, bela, ·portanto. E no Pará ve– mo-lo sonhando o sonho de totlo me nino pobre: ser grande e 1:ico. No Rio a sua a scensão é lenta mas invejavel. Do parnasiano ue • Poeira • , seu primeiro livro, surge o folheti– nista, • polido, gracioso • do •lmpat·– ci.11 • . Contando an edotas galantes, por entre a jocosidatl e de uma facécia e a travessura picarnsca dum dito, êle vai escrevendo os volumes reçurnan– t es e espl endidos, de grnça, malicia . e ironias . Eis então que 11rincipia a fase conselheirescn d e s ua ohrn. Nas rod as !iterarias e munrlanas êle é conhecido por Monsieur X. Alguem j{L aventou :1 ideia de t e r êle explorado tal gen e ro, po1· difi– culdades de vida. Não o creio. O Con– selheirn XX r e presenta uma fase evolutiva do esc ritor, é a primeira fase da sua intel etualidadl'l, como a lagarta .é a primeira fairn dit vida da. borboleta. Em breve a Política abri11-l!:.e os braços' ~e a Academia tambem. Só faltou a T ortura. E n enhuma d eu-lhe a tranquilidade, des ejada e me1·ecicla. Tristíssima coincidencia. Em se u discurs.o de r ecepção IY.J. Academia, aludindo aos naufragas da luz, de– flarn: ,·Nada me p1\Lente ia mais a fragilidade humana, que a presença dolorosa de um cégo • . Pobre Hum– berto! Q11a111 dil'ia, qne tu serias um deles?! ••• Eu guar<lo prnfnndo e comovitlo ros1wito pelos <1ue sofrem, pi'incip:d– mrnto pelos que sofrem (~ Ili s il Pncio. 'l'enho, para mim, a Dôt· como mcl'<'Ce<lorn de compaixão, de escal'– neo, nunca. O eoírimento completa o Genio. Torlo homem pa1·a sc11· Gran<lo te,n <le ser Desgraça<lo. Do.:,dfl Homéro céto, ao cégo Camões, pas– sando pelo c(•go l\lílton, nrnhum ho- m em consflguiu sei' Grande s em ser Sofrerlor. E isto entre os antigos, pal'a n:to falar d ,Js mode1·nos . ,l n Castilho e Augusto dos Anjos, Qu en– tal e Bilac. A vi rla de todo hom em de sc ni ·– mento é uma tl'ag-edia. si trngc,d1 · já não fosse por si só, a pro pria vida. O bl'uto sofre infinita111 ento menos do que o esclarncido, mas em compensação, vive infinitamente menos. O que infelicita o homem é essa diferença de s ensibilidade, essa des– igualdade de nível mo1·al e esteti:·o, essa d os igual,Ia.tle e essa (Híerrm;a que identifica o bruto e o esclare J .. do. E H11mbuto,-emoção, estesi s ensibilidade-qr.antas ,-ezes n:to clo– sejou, sem LluviLla, a irsonsibilillade min eral do bronco?! . . . • * • Pouco a pouco, lenta mas progres– sivamentfl, a lJôt· tomava conta tle si. A molesti:\, n'.>s poucos, tirava– lhe a vi,la, rou.han<lo-lho a sande do corpo e a luz dos olhos, j1i triste– monto baço3 . Ele morria aos poucos. E a 001·, cada voz mais, daYa novos clarõ8s ao s eu espírito. • .-\ Dôt· é luz, é vi1la, é força e graça •. E' 11111 cadinho universal de purif1cação. E' um cl'isól 011110 se aguçam as sensi– bilidad os e 1-0 s11Llima111 as almas . Ele atingiu o 8Qlo, o Sublime pPb Dôt·. Ele encontrou a perfoiçilo cul– minante do seu l<l ea l na JJô1•. E po– demos dize r como João Lu so: Be n– Llita sc•ja a Dô1·. A D61· é grandez:"t, a Dôt• ó btc, leza. A Dôt· é tudo. Nos val'i os canloil'Os elos j:mlin s Ilterarios el o qu o, jardineiro carinho– so o solicito, cui1lava, n onh11111, a m eu ver, foi tão hem :e.!itrumado, quanto ~ cronica o o conto. Diz entlo com elogancia o sobl'iecl í),<lo, em t 11 cl o o c1110 ~aiu tlo seu cerebro, ostá o aconto
RkJQdWJsaXNoZXIy MjU4NjU0