Vitória Régia - Março 1936
_) VICTOR ! fl REGJ f\ 17 E U t inh a, por Humbe r t J d e Cam– pos vivo, ve rd adeiro culto lite– rario. E t e.nho-o. morto. eu qu e cos– t umo dai· 111n c1111!to de religios ill.id e .. to ,Jas af- 111i11'1 :1s amiza/ les e spiri – t uai ,. De r1 ubad o o idolo. no h:– s ões da vocação !iteraria • . Mas, não concebo o homem s em o artista, 011 vice-versa. Para mim ê le -. s ão u:1os e in 1 1ivis iveis. .Ad mirn aqu ele c·' r ebro divino e aqu ele coração hu– ror icon oclas ta da ~forte, não □ u1?sa parecE:1 u o cre1üe. Por que ha mor tes qu o glorifi cam mais que mano. Como ,Janus, o m eu idolo é bifronte. E' assim qu e eu o comprehendo. E é assim que e11 o cultuo. • • • a propria ,·ida... Eu mesmo não ~ei o que mais me seduz, mai s me fas– ci n:i. na inclh·i– dualida ' e genial UúIIm □ Nasceu feio e brnt o e brnto e ft->io cres– ceu e vh·eu, como do t emo e sau– doso filho de l\li– ritiha. O homem, p1•0(11 n d a m e nt e l' in ce ro, me im– impr e --s iona pela E5I □ IC □ êle proµrio con– fessa. A :sorte lhe fui st=: 111 pre achc ··– sa. Orfão .d e p1ri , aos 7 anos, viu,– s e, cêdo , atira.d.o á vic.la pratica, e foi , s imultanea- sua 1wrsevf'1'atH;a. pela 1-ua cora.~fi lll invul gar diante da Dor, pela s ua s e – r enidad e em fac e do Irremediav el, 11ola sua liue nlade de formulas e convençõf's hipocritas, pelo des as – ~ornhro d e s ua pobrPza, humiltl e mas heroica. O nrti s ta-Fi rlias rlo pcns ;imento, atl eta da palavra escrita - m e encan– ta, por qu e, num mila g; re divinato– rio d e Arte e d e Sonho, ôle empu- 11hava a pena com a graça e a d es– tre za dnm modi évo nos torn eios d e fl s pada, ou tan g ia, com a ltlvGz val– fJUiri ca e exce ls a be leza hcl eni ca , o pl ectl'o de Orfe u, a lira d e Anacl'e– onte e a musa de Ho111 é ro. E a dmi– ro-o, s nrpre>P tHlido, a o lembrar-me que num pa ís qnas i indife ren te ás Yocrnções li te rarias, aos pendo res a r– t is t icos, ás i11 clinaçues espirituai s, ê lo é um exemplo edifi ca nt e de se– renidatl e e de t raLalh o, (-lo qne «cdi – fi cára do nad a d e s i mns mo o p;i la– do de g loria mais Jrgitimo aU• hoje aqn i Jev11nta<l o po r a lg-ll"lll com as pro pri as mãos, n a d e~ajuda tota l de um meio saLi\!amcnte rt'fratario ao iJ iun fo dessas ,·ehemcntes expan- mente, caixe iro de mercearia , lava– dor ,le garrafas, aprendiz de alfaiate, e tipog ra[o. E chegou a s er jorna– lis ta, doputado, academico , secreta– rio de Govorno, embaixado r de cul– tura . E, acima de tudo, príncipe dos pros adores brasileiros. Vejo-o na memoria en evoad :t, atra– véz das suas paginas rutil antes e es pl e ndol'Osas, lavanc.lo g arrafas no tanque na •Cas a Tran sm ont,ana • , .011 sPrvindo • cachaça cabocla • a Dom Anto11io Migu el Rodl"ig o & Se pulve– da. Imag ino-o, bi sonho, na tipogra– fia, compondo um a r ti g o de Fmn Pacheco, o Fran que perdera o vi:;co em l\lanáu s, ou x uli a ndo calças e pregand o botão, n a alfaiataria do jude u Lôlô. Tipografo, npr endiz d e a lfaiate, cai xe iro d e mer cearia, êle se m e a fi– gura. um caminhei ro es falfado n o pr in ci pio da jornad a . A Vic.la começa a fazer com ê le, o que a s crianças fazem com os brinq lledos. Daqui prali , de l\Iirit iba pa.rn Parnaiba, do Maran hão p;ra o P1r:í. , recrudesce a batallw, sempre crnenta e tles eg ual, h eroica e gloriosa, po1·em, para o
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