Vitória Régia - Março 1936
16 VICTORif\ REGI/\ Corria branda a noite. O nado, qu e na verdade e ra luar era sereno. Reunidos LJ M f\ <l e aspecto assombroso, co- todos, em fr ente ao ve'ho mo já tinham dito. solar da fazendc1, onde H J STORI f\ Limpei com o lenço um luar de prata tor- a poeira do fato, p rn- , nava c1inda mais alva curei armar-me, e cliri ~r:~e~: QUE ME CONTf\Rf\M... ~;~,::; do ter- rão. ao reiro. - cada qual recordava naquela mPsmo tempo que rezava uma mu– noite s il enciosa e tranquila fatos da oração. misteriosos ocorridos em epocas Entrei. Vi na sala da fr ente, uma longínquas e que a tradição tran s- rêde a rmada , o no canto um grarnlí· mitía-nos envolvidos na fantasia de armarío com portas entreabertas. Lendas. De sub"ito um zunido de v ,,n!o A um canto do solar, o negro impetuoso constrigido na fr es ta ,1 · ve lho, .escrnvo, escutava-nos em si- uma janela, fez-me voltar brusc, - lei1cio, pitanto o seu cachimbo de mente, e depois prosegui o exame barro. do retiro abandonado. Lembramo-nos. então, de pedir- Pareceu-me ouvir nes te instante lhe que nos contasse lambem umas zôada plangente de um s ino ao l0nge. dé1s muitas historias que a sua me- Lev,mtei a cabe~·a e puz-mc a es- moria ainda guardava. cutar. O som continuava, soando, Tirando o cachimbo e batendo-o soando, parecendo ora morrer d<· no banco em que estava sentado, todo, ora vibrar ainda, mas sempre para despejar-lhe a cinza, e de olhos ao longe. postos na lua que vogava pelo céu , Penetrei dt>pois num quarto es- como um cysne de luz sobre um curo, onde havia tr<'z gra ndes jane- h1go de opala, assim principiou : las escancaradas ao fundo. Era uma noite assim de lua cheia. Fórn, o vento disparava, ús v<·zes Um silenci'o profundo cahia so- reboando e ús vezes assoviando. bre o campo, apenas quebrado de Nesse momento, um ruido extra- momento a momento pelo trilar dos nho me fer parar. grilos ou pelo grasnar dos morcê- No teclo, soaram uns pas'ios go s, que naquelle tempo a crendice aprc·ssa<los e uma vóz rouqurnlia tio povo entendia denominar «Ras- pareceu proferir uma imprecação. ga-mortalha ». Fiquei quif'to ,·spernndo, <' vendo Certa noite tive que ir a um rc- que nada aparecia, pros<'gui, quando tiro da fazenta que um psiu, psiu, psiu se achava a uns Af/ on.so Gmara/ .lJraszl resoou no espaço, quilom<'tros de <lis- acompanhado de um léincia, a mandado Jo me u patrf10. rir ah,1fado <' d<' um cochicho etc... Parti a pé p<'la lunga «·strada el e- -E o negro velho proseguia. com serta e s oturna, onc!P o luar projc- a sua ,·óz entrecorta<la p, la tosse, ta ndo- se nas copas da s arvfJn•s, que tlA vel. enqnan1lo lhe sacudia o punha s omlJras espC' ss as. qtw se arfantr pPllo, e11quanto eu aclonuecia, mov iam com o balouc;ar dos ramos ou\•inclo ainda sonol•mto, tang-et <lo saru<li<los pelo vento. sino, o psiu, psiu, psiu, e o rir aha- OPpoi s · <k andar algumas horas , fa1lo, <la hi storia mysteriosa <lo uo– cl Pguei enfi m él' J cas arf10 ubando- gro escravo tlos meus antc1,at:sauos.
RkJQdWJsaXNoZXIy MjU4NjU0