Vitória Régia - Janeiro 1932

16 do An 6 elus,a passarada entoava suaves me– lodias em despedida àquelle dia primaveril. Lentam 'nte ia se mudando o scenario. A noite cercava-me jà com sua escuridão, en– curtando cada vez mais os limites da vista. A foice argentina da lua começava a se mostrar do outro l&do, acompanhada por uma poeira de limalhas de fogo-as estrel– las scintillantes. Sa 1 1i. As cigarras ciciavam nos galhos das velhas mangueiras que dominavam o ar– voredo. Penetrei no bosque, sentindo, de quando em quando, o aroma das florPs silvestres. Mal eu podia ouvir agora as cigarras. O silencio só era perturbado pelo rumorejar da ca.;cata e o rolar das folhas seccas, l e– vadas para longe pela brisa da noite. Assistia religiosamente todo esse esp~– ctaculo, mais medroso que admirado. De repente recuei; tinha visto alguma cousa estranha. Num momenio senti um ar– repio por todo o corpo. Q 1e seria ? Al– guma vibora? Sim, uma serpente malhada de branco e escuro, estava lá, bem junto á mangueira, preparando-se para lançar-me o bo~e; s-ias pupillas de vez em quando cham– mejavam amea:;adoramente... Gritei nervoso. Meu primo veio em meu auxilio e, quando eu lhe mostrei o monstro, elle zombou de mim. Là não havia nenhuma serpente. Sabe o que era, leitor? Era um "pé" de tajá roxo que la' estava. A luz do luar coando-se atravez da ramagem da mangueira, virtha formar as malhas claras da minha supposta serpente. Um pyri lampo pousava sobre o taja' : era a pupilla da téra, que o meu medo idealisara. EDGAR BALTHAZAR, ~~------· Alguem disse que o collegio é o nosso segundo lar. E', realmente, em– bora entre este e aquelle haja algumas desemelhanç1s, particularidades pro– prias do lar, inadmissíveis no collegio. Rigor disciplinar, austeridade, preoc– cupações, castigos, obrigações, condu– cta exemplar, actividade intellectual, etc -tal o collegio. Carinhos, commodidade, descanço, vontade satisfeita - eis o lar. Na extensa e formosa Estrad 1 de Nazareth, em Belem, ergue-se admira– vel e magestosamente soberbo o Ins– tituto N. S. de Nazareth, estabeleci– mento de reputado conceito e a cujo corpo discente tenho a honra de per– tencer. Encravado em um dos bairros mais encantadores da formosa cidade gua– jarina, o Instituto Nazareth, a primeira vista, deixa o visitante da capital pa– rae11se seriamente enlhusiasmado, con– vidando-o em seguida a approximar-se e admirar o que annuncia a parte ex– terior. A uns vinte melros mais ou menos da ru:1, de que fica separado por solidas muros e gradis elegantes, lados confinantes com os cercados do pateo, tendo em frc:nte um jardim em traba– lho, esse edifício parece desafiar a sucessão dos seculos e estorvar qual– quer pretenção despeitosa de constru– cção moderna. O inlerinr, ambiente agradabilíssimo e confortavel, é destinado aos internos, Só uma visita a esse portento da architectura poderá contentar áquelles que, por curiosidade, desejarem conhr– cer minuciosamente o seu bello recinto. O labor hebdornadario, suavi~ado por uma tarde de folga e um domingo, na quietude impeccavel das aulas, é o mai~ bem dirigido de todas a:; offici– nas intellecluaes de Selem. A's horas de recreio, annunciadas pela sonora campainha, os espíritos ainda enlevados no hamto de pre– leções beneficas e salutares, pouco a pouco vão se deixando dominar pela impres5ão jubilosa de animados jogos, recommendaveis antidotas das fadigas causadas pela severidade dos estudos. No recreio, as mais vivas expansões. Depois, refeitos os anirnos e expul"a a somnolencia, continuam as aulas. Ter– minam. Sobem os internos; recolhem-se ás suas casas os externos, todos satisfei• tos, com excepção dos "alistados" du– rante as aulas. No dia seguinte, na

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