Vitória Régia - Janeiro 1932

1 -i e i:1delevel, na contagem do tempo que não volta mais Entremos na lucta, armemo-nos de coragem, de animo e de força de von– tade para enfrentar com desassombro, as difficuldades do dia de amanhã. Foi verdadeiramente, estimados ami– gos, uma abnegação, um esfor~o in- . gente de nossa parte, passarmos um lustro de estudos de labores e desa– crifíci os. Mas, hoje vemos realisado o nosso sonho dourado, raiar o sol amigo da victoria, a luz bemrlicta da recompensa. Aqui estamos reunidos pela derradeira vez. Quando, tangidos pela mão pater– na, transpu zemos os ab ençoados hum· braes deste coll egio, as suas paredes, que de começo nos pareciam limitar uma austerirlade de prisão, depois, com o decorrer do tempo, essas mes– mas pa redes se mostravam ás nossas v;stas, com uma suavidade encanta– dora de muros farnitiares. Embora em li ge iras palavras, dis– tinctos coll E>g as, falar-vos-ei algo so– bre o commercio ao qual nos vamos dedicar. O commercio é o elo que une na– ções a nações; é o meio mais effi– caz de adquirir relações, e communi– cações de idei as. E' elle que põe em rel evo o prog resso e o adiantamento da Patria. Um paiz sem commercio, ou antes pouco commerci al, é um paiz sem vid a, morto, inerte. Sob o ponto de vista economico, commerci ar é haver do pro::luctor, a riqueza por elle des tin ada ao consumo, pa ra off erecel-a ao consumidor Sendo assim, o ac to do commercio, economicamente encarado, é o de fa– zer circular e entregar ao consumo, a riqueza produzida. 0 commerci o se rve de intermed iaria en tre o produc tor e o cnn,umidor; sendo es te o pri me iro requisito que o caracterisa. Quando o productor desfaz-se da riqueza que produziu, visa uma vantagem, e, en– tão, temos a segunda condição que se caracterisa pela-ideia de lucro. U co 11mercio originou-se da primi– tiva permuta directa dos productos entre aquellcs que, produzindo só de unn cousa e ddla tendo mais que o preciso p1ra satisfazer as suas necessi– dades, tiveram de procur;1r forçosa– mente os meios de se desembaraç;ir do superfluo, em troca do necessario. Na passagem da idade media para a moderna foi que o commercio teve mais incremento e os seus progressos avult.:iram com grande rapidez Foi então que surgiu o verdadeiro com– mercio, collocando um marco de des- . envolvimento entre os povos. O commercio bem desenvolvido, exigiu a creação de leis que dirigis– sem ou antes garantissem os direit os do commerciante Dahi a organizaçfo do direitJ commercial que appareceu primitivamente como um direito pe.s– soal, como direito de uma classe . Tam– bem a contabilidade mais tarde veio ter a sua actividade, tornando-se ho– diernamente, factor essencial do pro– gresso mundial. A carreira que abraçamos, caros collegas, é uma das mais nobres e uteis á collectiv~dade, porque, quando vemos que augmenta e se avoluma o commercio interno ao par do com– mercio internacional, no que diz res– peito ao nosso paiz, é que o patrio– tismo não pede disp ensa:- o nosso va– li oso concurso ! Partamos, partamos para a justa cruzada do tr-1b alho que ha de tornar o nosso Brasil cada vez mais progressista . Avante ! E' um brado resoluto que sahe instantemente dos meus labios Avante ! é a voz da Patria a exi– gir de nós o muito qu e lhe devemos . Avante ! é a voz de Deus a enco– ra jar-nos e santi ficar-nos para honrar condi gnamente o enobrecedor titulo de Co ntadorando qu e nos foi confe– rido hoje. '

RkJQdWJsaXNoZXIy MjU4NjU0