Vitória Régia - Janeiro 1932

vezes · santa e tres vezes bemdita ! Toda a· aldeia · se apressara a attender ao convite feito pelos sinos e, assim, nesse momento só havia gente na igrejinha. As casas haviam ficado illumi– nadas e muitas dell as abertas e sós , pois na . aldeia l1umilde não havia ladrõ~s. Naquella primeira casa da al– deia apenas um menino fi cara. Não fôra á ".V\ issa do Gallo" , pois tencionava realizar neste dia um ve!ho sonho : ver Papae Noel. E, as im , ficara elle acordado, com os grandes e luminosos olhos muito abertos, muito anciosos , na doce es,pectativa de conhecer aqu elle velhinho bond oso que tanta alegri a já lhe dera! ç: el)e persistia na sua idéa de ficar de$perto, p.ão obstante sua mãe ter-lhe dito que este anno Papae Noel não . viria, pois as cousa s estavam más, e não per– mittiam a compra de superfluida– des . No seu coração puro, po– r em, estas pal avras não conse– guiram matar a esperança, e ell e fi cou a espera. No eintanto, já passa va da meia noite e o velhinho querido ainda não apparecera. E já no seu es– pírito começa va a se infil trar a dolorosa intui ção de que sua mãe teri a razão quando, subito, algu- . mas pancadas abalaram a por ta. Ba ti am. Ell e correu a abrir. .. e um gri to sahiu- lhe da garganta : diante dell e estava um velho alto e ma– gestoso, com o rosto nobre em- 7 moldurad o por uma grande e se– dosa barba branca . Seria Papae Noe l ? Apenas ... elle não estav.a vestido como o garoto costumava ver nas gravuras, mas sim c_omo um elegantíssimo homem de ci– dade... - Apre, menin q ! Dei?(e~n1e entrar, por favor ! É 1 sta·, frígidrs- simo lá fóra ! . ' •·(_ · O garoto, com os grandes olhos espantados, afastou-se e o velho entrou. Dirigia-se e)le para a cidade mas o stu auto soffrera uma "panne" á enf rada da ald eia , e sempre era melhor esperar o termino do concerto que o "chauf– feur" estava fazendo dentro de uma daquellas c~sas que no meio da estrada. E era' por isso que elle estava alli. Méts porque estava só o pequeno? Onde estava sua familia? E então o pequenito contou -lhe, com a sua ingenuidade innenarra– velmente encantadora, porque es– tava elle só e sem dormir. ~' muito tímido, accrcscentou : - O senhor não será Papae Noe l ? Uma commocão ex tranha em– polgara o extra'ngei ro emquanto ouvi a aquella explicação, para ell e inedita. Num instante subi– ram-lhe á mente os tempos da sua meninice, em ·que ell e pro– prio, tr emul o de sust'o .e ancie– dade, fi ca ra na sua caminha com os olhos escanca rados, a espera do mesmo velhinho venerado e meigo. Mas o somno vencera-o e elle teve de se contentar em go-

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