Vitória Régia - Janeiro 1932
6 Concl:isóo d• pog. 4 panhado pela lagrima, emblema da dôr; são momentos em que a alma da gente parece experimen– tar os accordes do clarim de uma alvorada e o plangente tocar das Ave-Marias. Essa hora sublime em que fra– ternalmente unidQS vivem em nosso peito a ventura e a tristeza, é a hora da saudade. A saudade, palavra indefinivel, que nós mes– mos não sabemos explicar, vive chorando e rindo, como as crian– cinhas innocentes que não sabem o que querem. E' ella que nos constrange agora o coração, neste momento · de despedida; é ella que nos pede que fiquemos ao lado desses mestres amados e desses extre– mecidos collegas. E nós quasi que não sabemos resistil-a; ao enveredarmos por esses corredo– res, mil ve_zes percorridcs sem preoccupações, pare~e que tudo nos falia, que tudo nos lembra o primeiro dia que aqui chegamos, em que para n-ós só havia mys– terif} e tristesa. Annos passaram e com estes o nosso coração foi– se eFJchendo de um affecto vivo por tudo que esta bemdita casa encerra; e eis que para nós chega o momento de deixai a . Nós, que tanto a queremos, vamo-nos em– bora - vamos tristes como as an– dorinhas que no inverno são obrigadas a abandonar forçosa– mente o pouso do verão. Com a alma comprimida, cheios de magua, transporemos este portão amigo, agradecendo todos os benefícios recebidos por estes "pequenos filhos de Maria". E de longe, ao acenarmos o nosso ultimo adeus, imploramos ao Creador Bondoso que selem– bre sempre, com suas bençãos, do para nós inesquecivel Instituto Nossa Senhora de Nazareth. DJ \LMA MONTENl:GIW UUAlfl 1::·. Os sinos bimbalhavam festiva– mente e seu som alacre espalha- GERALDO SILVA va-se pela immensidade dos cam– pos. A lua, muito branca, derramava sobre a terra a sua luz divina, que dava a todas as cousas como que um aspecto de immateriali– dade. Era noite de Natal , a noite tres
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