Revista do Ensino - v.1, n.2, 15 out 1911
História da Terra (DE L . B ROTlllER, trad. especial para a R~visra) PRI MEIRA LIÇÃO Época pre -his tórica O sentimento que nos faz quer er saber o que fôram e o que fizeram os homens que nos precederam, é o mesmo que nos leva a indagar como era, noutros tempos, o theatr o onde se agitava.m as gerações passadas , e isto porque sentimos, invencivelmente, que a história da Terr a está es treitamente ligada à hi stória do gênero humano, e pora ue, realmente, a experiência nos demonstra que qualquer modifi cação do clima, por exemplo, implica na or– dem social· modificações de usos e costumes, que exercem uma incontes– tavel influência sôbre os acontecimentos. Mas será em verdade exacto que o globo terrestre tenha a sua hi s_ tória '? Si considerarmos a Terra como obedi -' nte argila amassada pela mys– teriosa mão de um todo poderoso oleiro, o tí tulo que escolhemos é ridícul o, porque as coisas mortas não têm hi stória. Nós consideramos pois o nosso planêta"como um ser vivo, já que temos a pretenção, de lhe traçar a história. Esta opinião, que foi a de P latão e de quasi todos os phil ósophos da anti– guidade, e á qual compartilham, modernamente, nume,·osos pensadôres, só parece paradoxal, porque formamos uma idéa falsa do que é a vida. Como ella se manifesta mais par ticularmen te em nós pela sensibilidade, persuadi– mo-nos que e a sensibilidade a sua condição primordial ; mas é isso uma s upposição puramente gra tuita e que os facto s contradizem. Uma pcssôa que se encontr e sob a acção do clorofórmio, tem a sensibilidade inteiramente destruida, mas não a vida, e d'out~o _lado~ com_o duvidar que as plantas, que não parecem em abso_lu to se~s1vei~, ~ao se1ar.n _n_o entanto seres vivost o carácter essencial da vida nao e a sensibilidade, roas O desenvol– vimento, 0 progr esso. 8':_ a Terr a 110s pare~e mo1~ta é que, em nossa época, seu desenvolvimento, nao tendo outra via scnao a da evolução lenta e insensível, escapa á noss_: v~s ta. J á isso não acontecer á quando, guiados p los ensinamentos da smcncia, vermos es!la enorme massa passar successL vamente por fases análogas ~s diversas fases do desenvolvimento org ánico , q:1ando observamos a consolidar -se, modelar-se e embellezar -sc sec:rundo as le~~ d:1ma physiologia especial e ~m vir tude_de uma actividade que lhe é prnpna. Esta inexplicavel anomalia, que faria de uma substáncia absoluta– mente morta a fon te e o sustentáculo de toda a vida, nos parecerá então m!1.ª destas aberrações que nem a vivaz infl uência das superstições têm hoJe O poder de mantêr.
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