Revista do Ensino - v.1, n.2, 15 out 1911

REVISTA: Do ENSINO 103 vam, por simples curi osidade, conhecer se a comprehensão se fazia clara sobre o que, decoradamente, o discípulo repetia . Na ma iori a das nossas escolas , em algumas disciplinas, notadamente geographia e historia, este processo era tornrn um– mente seguido ; as esphtras e cartas geographicas tinham como principal fun cção o ado rno das mesas e das pa redes. Hoj e, bem di ver sa é a maneira corno .deve ser feito o en s iname nto nas escolas pr imari a'-. O maior trabalhador na sua aula deve ser o mestre, tran smittindo aos disc ípulos , pelos exemplos r epetidos , as noções , exercitando-lhes os sentidos, que é por onde a cri an ça adquire o conhecimento das cousas . Deste t ra balho, tanto como os alumnos, elle au fe re lu– cros, melhor appar elhando-se para o exe rcicio per fe ito do seu nobre min ister io , educando suas proprias faculJ ades expositi– vas, di sciplinand o o propri o e~p_irito , par~ mais fa cilmente in– cuti r na intelli gencia da puen crn conhecnnentos r eaes, uteis, ind ispensaveis . · . . Accusou-se o Go verno de ter feit o entrar em v igor a reforma primari a sem, antes , tornar o profes~ôr apt o a execu– t al-a. Procedesse rn os assim e g irarí amos dentro de um circulo v ici oso : não mudar íamos o me thodo por não es ta r o professôr nelle educado, mas não prepararí amos o professor sem a mu– dança do methodo . Sabem t odos que a prati ca do ensino só se adquire en– sinando. Já deixei dito que ao nosso professôrado diplomado, e hoj e clle co nstitu e du as te~·ça_s !?a rtes a os docentes, não fal– tava o conhec imento dus d1 sc1pltnas que e ram mandadas en– sina r nas escolas p rimari as : todas as qu e se comprehendem no -p rogramm,1 são, no curso normal, leccionadas, e , aliás, com maior extensão. O qu e a refe r roa pretendeu fo i, simplesmente , mudar a forma de t ra nsmissão ~os co nhecimentos do consc iente para 0 inconsc iente, no conce ito de G ustave l e Bon . Nist o e só n isto, cons istiu a innovação . Um dos críti cos , que apreciou a r efo rma so b criter io a ella favor~v el, escreveu com w·ande ace rto,_ao tempo que com– mentava o muito que no Bras il se d1 scr eteia sobre as qu estões cto ens ino : ... mas, cousa Jii gular, n ingue~1 se p~·~occupava em saber como as idéas e as imagens ernm rece_b1das e fixada~ pelo espirito infantil. Po rqu?, em s~1mma., nao era a deficiencia de programmas que _en tr~ nos defeituava, malbarat3:nd_o, o aprendisado da in– fan c1a : tmbamol-os regulares e ampl1ss1n;ios. O que nos faltava era a ai·te de ensinal- os". A verd8:de b_em se ajusta neste conceito: o que nas nos– sas escolas pnman as faltava era a arte de ensinar. Todos os

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