Revista do Ensino - v.1, n.2, 15 out 1911
86 REVISTA DO ENSINO t ema philosophico reduz-se a não ter systema nhenhum, porque um systhema comprime sempre a verdade. • . li _ A renovação das ideias deixou-nos na pen~mbra do materra -~– mo. o theologismo foi a bandonado e a nossa s_ciencia conce_ntrou-se n ma sorte de ecletismo já existente nos moderruza~o!e~. Tob ias Barret? e 0 )roprio snr. Sylvio Roméro combateram o pos1~1v1s rno._Este alveJ~u prfucipalmente a manifestação religiosa que_ s~ implantara no BraSll. Mas a orthodoxia positivista, inspirando cur!os1dade par_a o estudo elo eminente pensador que foi Au•usto Comte, •. de pouco . mteresse Pª'.° a sciencia. Os renovadores parecendo repudi ar o pos1tiv1smo a rlopt,~– ram-no como base nesma de suas doutrinas, e além d ell a não consegui– ram elevar-se . Pode-se comtudo vêr um vago desprendimento em To- bias que não chega á consistencia palpavel. . ' Esse ecletismo dominante é uma associação do positivismo, do spencerismo, e do haekelismo, espécie de ultra-darwinismo. Opositi_visn: 0 ó a base desta theoria, pois que elle representa a systema\Js"I'ª º do saber sob o criterio do methodo experimental, de que Bacon foi_ 0 porta-voz. O spencerismo, c,Jmo doutri na realist a, e o darwinismo sa_o applicações do empirismo, adaptado :i necessidade de crear wna expli– cação da existencia do mundo, e da vida humana. Esta sciencia empírica é restricti va. O espirito naturalm~nte tem necessidade de transpor os limites l ei-reos que se lho impoem por uma visão erronea das cous·1s. A reducção empírica · a coacçã.o do proprio pensamento e vae até o ponto de ser o corte a mutilação das suas asas, de modo a fazel-o aualogo ao automa tismo mechanico. Ha um8'. gr~nde omma de ideias montes, estheticas, religiosas que logo à prrme1ra analyse fogem e escapam à regularidade material em que so pretende encerrar o espirita. A concepção empirica leva a exi tencia humana á e terilidade circomscrevendo-a em horizonte inquietante. O seu ti-iumpho, si é po sivel constatai-o, não perdura, e d bate-se de encontro a uma força mysteriosa e profunda, símilhante a uma muralha inaccessivel; cuja aterialidade não se presente. _ Em nosso . paiz a. ed~1c~çã? necessita da mais poderosa das roaçoes pa,a o espmto attlllg1r mte1ramente a sua d;gnidade . Depura_da dos deleito, , _vencidos os estorvos que empecem a sua applicoçao, deve _ser culmmada por n_mo verdadefra cultm·a philosophi ca. A essa rM~ 0 esta hgado o ex1to do lutero; del!a dependerá a completa 1 w".' 1 dade dos nossos habitos moraes, transcorrentes de nma coloni– •~çao desordenada e aventureira, cujos efleitos se reflectem em nossos dias com . sequencias de causas afastadas. A nossa vida moral tem Sido quasi exclusivamente politica, e asim como urgem alguns homens, de quat1º •m ve,, que locam a mesma genialidade, nos embates da vida pu ,ica, uma cultura superior produzirá grandes éspiritos, capa– zes de m.m st rar . 0 ~ _ens1n_amentos, que busca em vão a nossa intelle- ctuaMade . Os espintos sao naturalmente perfeitos · empobrecem-nos e corrompem-nos, D?,mta :7ez, _causas physica. que lhe tolhem os surtos expontaneos . A dissenunaçao do saber deve ter, en tre nós , alguma cousa de comparavel a disseminação da sci encia nos grandes dias da
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