Revista commercial do Pará Junho - 1919

4 REVISTA COMMERCIAL DO PARÁ ser adquirida, na proporção das nossas necessidades, por outras mercadorias que dispuzessemos. Não acontece, porem, assim. Os Bancos que aqui se estabelecem, fiados em seu credito, renome, habilidade, e technica de negocios, attrahem a si, em deposito, grandes sommas da moeda do paiz, e sem inverter o seu capital, com esse dinheiro giram, usofruindo grandes lucros, dando um pingue juro aos depositantes ; e devido ao seu largo circulo de rel ações commerciaes e grande numero de filiaes, profusa– mente disseminadas por varios paizes, saccam desta para aquella agencia a 90 dias de vista, que equivale a ter capitaes sem onus por longos quatro mezes, pois que, tantos são os 120 dias que essas lettras de cambio levam a espera de vencimento após ac– ceite. para seu pagamento, com qu e se augmenta o volume de cambiaes, depreciando uma mercadoria ( o cambio) que pela sua abundancia se deprecia no paiz saccador, emquanto fortal ece · o paiz saccado. Se tivessemos, ao menos, a reciprocidade de armas para a nossa defeza, sempre seria uma compensação. Mas, não: re– cebemos o golpe em cheio, sem escudo de defeza, soffrendo ·o paiz, em toda a sua rudez, o choque de urna fôrça maior, con– tra a qual não ha resistencia. Nem só isso: nesse grande movimento de letras cambiaes, muitos mil hões de libras são guardados, extraviados, negociados por simples endosso, ou depositados em garantia de creditos e negociações varias, ficando em mão do saccador a somma equi– valente, a girar, isento de juros, muita vez um anno e mais, quando um dia vae o saque ao acceite ou volta ao ponto de partida, a resgate. • • foi quanto intelligentemente comprehenderam os paizes que pela fuzão dos seu grandes Bancos formaram um bloco homo– geneo para defeza de seu cambio, chegando alguns desses trusts bancarias a contar muitos milhares de agencias que são ou– tras tantas portas abertas para receberem os embates da grande concorrencia mundial que ora se desenha nos horizontes futuros do universo. Supponhamos que um Banco tenha uma agencia ou filial em cada uma das capitaes dos Estados do Brazil, ou– tras em Londres, Paris, New-York, sem contar centenas ou mi– lhares de outras em cada uma das grandes cidades desses paizes. Recebendo no Rio 10 ou 20 mil contos de depositantes; outros tantos em S. Paulo, Minas, e Santos; 3 mil em Rio Grande do Sul, Recife, Belem, e assim po r diante, esse Banco chega a ter no Brasil centenas de milhares de contos com que entra em ne– gocio, manejando o credito de uma para outra praça sem fnndos seus, alem do credito. E sempre que os saldos de suas caixas baixam, basta emitti r saques, ainda sob credito, para as outras praças fóra ou dentro do paiz, ficando com o prazo mínimo de 120 dias para se cobrir com remessa que pode fazer por tele– gramma ou por novas letras emittidas sobre outras praças .. . Não se pode evitar que isso assim seja feito, mas, pode– mos fazer outro tanto, defendendo-nos com as mesmas armas. É esse o papel do Banco Central do Brasil, o collector dos di– nheiros do paiz que, por lei, como nos E. U. A. ou tacitamente pela sua carteira de redescontas, attrahiria a si todos os demais Bancos do paiz, dando vida aos Bancos regionaes que estão morrendo de mingua, emquanto os outros distribuem grandes dividendos·, depois de accumularem fortes reservas, que de fu– turo vão formar o seu capital que não existia, capitaes que len– tamente vão sendo incorporados ao blóco chefiado pela matriz, onde se vae armazenar a precio_sa mercadoria. Assim exposto o problema do cambio, elle se reduz a isto: exigir que os capi– taes que aqui se estabelecem sejam effectivos e depositados dentro do paiz ; que se crie um Banco Central do Brásil que confedere todos os demais Bancos Nacionaes, ou tacitamente o faça, abrindo a sua carteira de redescontos a todos esses outros Bancos do paiz; abrir agencias e filiaes desse grande Banco em toda a parte onde tenhamos de levar em permuta tróca, venda ou compra, os nossos productos, o nosso ouro. Todo o resto do problema é secundaria e viria com essas trez m·edidas, pois o credito agricola e industrial surgiria espon– taneamente pela natural expansão dos negocios ; mesmo porque, a maior concorrencia no mercado de cambio, com igualdade de fôrças fóra do paiz e com maioria destas dentro delle, obriga ria todos os Bancos, indistinctamente, a procurar novas fontes de rendas, e essas estão indicadas por natureza: na agricultura, na pecuaria, no industrialismo. Mas, não ha meio de fazer com– prehender isto aos nossos estadistas e financistas, parecendo até que ha uma falta de confiança absoluta não só de governo a governo mas, de homem para homem, o que facilmente .se poderia pro– var com a criação dessa mesma Caixa de Conversão de que acima falamos, quando não ha nada que a justifique, si houvess e um Banco do governo que lhe merecesse absoluta confiança. Nós que temos resolvido tantas cousas difficies e sem pa– vor; que sem exercito, sem marinha, sem diuheiro, sem credito e quasi fallidos tivemos a coragem de nos lançar numa guerra como a que vae findar, de onde poderiamos ter sahido . . . nem se pode dizer como! .. . Por que temos tanto medo de resolver esse problema que ha mais de um seculo se vem clebatendo e que nos tem levado o melhor das nossas energias e riquezas? Oh! quanta razão tinha ferreira de Araujo ! Quanta falta faz um homem neste grande paiz ! . . . A questão de taxa ou padrão é outra bana– lidade que não merece preoccupar tanto a attenção de quem com isso se occupa com proficiencia ou sem ella, pois, toda ques– tão é apenas de esta bilidade, qualquer que seja a taxa, uma vez que essa taxa garanta um preço mais ou menos fixo para a moeda e consequ entemente para a mercadoria importada ou o producto exportado, como ouro, e que finalmente, queira entrar ou sahir do paiz. E essa fixidez de taxa ou estabilidade de cambio virá, fatalmente, com a adaptação dessas med idas que constituem o alicerce das finanças e economia interna do paiz. E todo o mundo enxerga isto ; e a noticia desta nova California chega a todos os recantos do universo ; e os Bancos surgem como cogumelos para este paiz - onde se ganha dinheiro a rôdo sem se precisar de ter capitaes, nem do qu e todo mundo hoje precisa: - de ouro ! Abençoado paiz ! • Pois desta vida te concedo a palma .. . • Oh formosura indigna de aspereza ... , L. C. J. J. CiUEDES DF\ COST ~ TEM SERVIÇO TELEORAPHICO ESPECIAL r• DO INTERIOR E DO EXTERIOR Usa os Codigos A. B. C. 5.a edc., Lieber's, Ribeiro e Particular. CORRETOR GERAL e AGENTE de LEILÕES Fundos Publicos, Mercadorias e Navios CAIXA no CORREIO, 117 TELEGRAMMA: "OUEDES" TELEPHONE, 402 ~scrlptorio: Trav. Campos Salles, 2 - P/1~11, Belém (Brasil) •

RkJQdWJsaXNoZXIy MjU4NjU0