Revista commercial do Pará Junho - 1919
30 DE JUNHO DE 1919 3 ou afastar dessa grande corrente. E para ahi engatar, é preciso que nos saibamos defender, defendendo os nossos interesses, creando e desenvolvendo a nossa riqueza, formando o nosso capital. fala-se em livre cambio, em livre importação, em livre ex– portação. Como acceitar essa concorrencia desigual, se vivemos dispersos e a espera do que nos hão de dar? O problema de organisação é geral : organisação bancaria, organisação industrial, organisação da producção, do consumo, da navegação, do trafego por estradas de ferro, de tudo quanto constitue força .em um paiz. Assegurar e manter o trabalho ; eis o grande programma. E para isso, todos exigem somente isto: solidariedade. Eis a força necessaria á vida e ao progresso dos homens e das nações, para · o que pedem todos : justiça e fraternidade completa. Depois, - produzir e distribuir. « A historia é uma mescla de necessidades e liberdade, de que o orgão mais importante é o Estado, - que não pode permanecer como um instrumento passivo, collocado acima da nação para contemplar o mundo silencioso e sem com elle se envolver • . • Ao Estado cabe a imperiosa obrigação de vigiar e impedir que os phenomenos não se desorientem ». A este compete fazer com que a prod ucção não seja só util em parte, isto é, para que não satisfaça ·somente algumas neces-. sidades, mas, que se distribua entre todos, com o trabalho para form al-o •. Porisso não podendo appellar para as classes a quem qui– zeramos auscúltar, appellamos para os nossos dirigentes, pelo nosso futuro, pela nossa nacionalidade. E sobretudo, que vol– vam os olhos para o norte, para este norte que está morrendo por falta de assi stencia, de auxilio, de um pae emfim .. . por– que somos e temos sido isto : um filho sem pae. O Dr. Hanni– bal Porto, um amigo sincero e verdadeiro que de coração _se tem devotado aos interess es da Amazoni a, ha pouco escreveu um substancioso artigo na revista Industria e Commercio so– bre • A crise da Borracha Amazo,zica • e concluio dizendo ser dever de justiça não abandonar-nos nesta emergencia, tanto mais que nada custava interessar a · del egação do Brazil na Conferen– cia da Paz num assumpto que não é só da Amazonia, mas, do paiz, pois qu e, • seria criminoso vêr ruir uma riqueza edifi cada com tanto trabalho, depois de, passadas tantas crises, qu e foi possível vencer somente pela perseverança heroica de milhares d e nossos patrícios, dos quaes a maior parte da existencia foi consumida na conquista e no desbravamento de innumeras por– ções de terra do Amazonas, do Pa rá e do Acre •. Para o supremo govern o do Paiz acaba de ser eleito um filho illustre do norte « de animo resoluto e visão segura, que muito bem conh ece, por experiencia directa e dolorosa de ami– gos seus pessoaes e íntimos, toda a nossa miseria e soffri– mentos . , tendo honestamente confessado que • bas ta lançar os olhos sobre os quadros compa rativos da viação férrea, das li nhas telegraph icas, do serviço postal, da immigração, dos· favores á agricultura, nas duas regiões, de sul e norte, sobre a extensão territorial, á popu lação, com qu e participam das despezas publi– cas para reconh ecer que da parte dos poderes publicos federaes não tem havid o aq uell e espírito de equidade e ele justiça a qu e se julgam com igual direito as un id ades componentes de uma mesma Confederação •· · Assim pois, daq ui invocamos a S. Ex.a esse acto de justiça e equidade que esperamos ha quasi um seCLdo e qu e nos faça emfim entrar para a fed eração, onde até hoje só entramos ... pela contribuição. L. C. MOREIRA, GOMES & Ca. ~:~~~~ E ORDENS TELEORAPHICAS SOBRE TODAS AS PRAÇAS. O CAMBIO A questão _do cambio é o magno problema a resolver no Brasil. Mas, o que vem a ser o cambio ? É a tróca ; é a differença entre a moeda, de um para ou– tro paiz. Se houvesse uma só mceda de curso legal para todo o uni– verso, desappareceria o cambio, pois que, não haveria tróca des– sas moedas, ou conversão. Porisso foi adaptado um valor padrão para essa tróca ou cambio e procurou-se uma mercadoria representativa desse va– lor, que ficou convencionado ser o ouro. Este euro pois, é que faz o cambio ou tróca. E sempre qu e elle abunda ou falta em qualquer parte, causa a alta ou baixa de seu valor, que se re– .gula pela offerta ou procura que dahi resulta. Para adquirir essa mercadoria ( ouro ) se procura outras mercadorias que com ella se permuta, dando-se mais, ou menos quantidades dessas outras mercadorias, conforme a necessidade que dellas tenha este ou aqu elle paiz. Assim encarando o problema do cambio, teremos de o-ene– ralisar a necessidade em todos os paizes, dessa mercadoria de que todos precisam, e de especialisar as de que cada um ne– cessita. · Os paizes de maiores stocks de ouro, são os que, ordina– riamente, mais precisam de materias primas para as suas gran– des industrias. Ora se nós precisando de ouro, temos que reduzir o im– porte de nossos productos a essa espede, sempre que o vamos alli buscar, porque, quando se dá o inverso, isto é, quando elles aqui veem buscar as nossas mercadorias, não convertem a sua mo'eda, o seu ouro, á nossa especie? Queremos dizer que, deveriam aqui nos dar esse ouro em tróca de nossa mercadoria. ' Como porem, para conveniencia d e tróca, permuta ou com– pra, vivemos no regimem de papel-moed a, para igualmente fa– cilitar-lhes essa tróca, permuta ou compra, deveria mos receber essa mercadoria (ouro) em um dep0si to determin ado fornecen– do-lhes as notas representativas de s~u valor, com que iriam elles fazer o seu negocio, permuta ou tróca. Para isso daríamos um valor fi xo á mercado ri a depositad a (ouro), que seria restituído ao seu deposi ta rio, pelo mesmo va– lor, todas as vezes que nesse deposito fo sse apresentada a nota ou vale representante do mesmo. Tal era a concepção intelligente da Caixa d e Conversão que tão g randes serviços prestou ao paiz. Mas, a pratica veio demonstrar que a Caixa de Conversão era um deposito cuja armazenagem era caríssima, quando se a podia ter com g rand e economia. H avendo um g rande Banco Central, depositario dos valores e bens da Nação, sob garantia do paiz, deve ser esse o d epositaria dessas sommas ou merca– dorias ( ouro ) com que, nem só se facilita a operação, como se procede nos g randes Bancos dos grandes paizes de fin anças or– ganisadas, sob r e g im e n de verdadeira orga nisação bancaria, como tambem se firm aria o credito do paiz, repousando no le– gitimo d epositario d e sua absoluta confi aça. Se um Banco do Brasil se funda sse em Lond res, Paris ou New-York, teriamas de levar o nosso capital daqui convertido em ou ro, e para a lli transportaiiamos o nosso capital em moéda desse paiz, que é ouro ; e como é essa a moeda q ue alli g ira, sem conversão, só com clla poderiamas negociar, sem precisar de– monstrar q ue d e facto a levaremos. Aos que dalli veem aq ui se es– tabelecer, ao contrario, seria preciso demonstrar-nos que de facto trou xeram capital necessa rio para o seu funccionamento, e como não vae aqui gira,!' esse capital nessa especie, deviam levai-o ao deposito, recebendo o seu valor na especie com que vão fazer. o seu negocio. d Disso re_sultaria tam_bem que, acabariamos tendo um stock i a mercadon a que precisamos, dentro do paiz, a qual poderia
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