Revista commercial do Pará Junho - 1919
18 REVISTA COMMERCIAL DO PARÁ decorreram, informações capazes de orientar o mercado desse producto, desconh ecendo-se os stocks e disponibilidades, que não nos deixam prever possibilidades · de preços, nem estado do mer– cado presente, quanto mais futuro. Os preços eram: Em Liverpool . No Havre . Em New-York. 15/- fr. 200 por 50 k. $,024 por lb. o ·cARVÃO na AMAZONIA A geologia e a mineralogia são ainda duas sciencias embryç,– narias no Brasil. Nesta grande area de mais de 8 milhões de kilometros qua– drados, só temos uma escola dessas sciencias. Disso resulta ser todo mysterio, para nós, o nosso sólo e sub-solo. Tratando-se da Amazonia então, só ha para ella uma desi– gnação: « terra desconhecida •. Que temos grand es riquezas debaixo da terra nestas regiões, não ha duvida passivei, pois, onde quer que se a arranhe, sob camadas supeiiiciaes, ellas ahi surgem a flux, quando não é a sua apparição expontanea a juntar-se a industria extractiva e a ser colhida pelo homem sem nenhuma intervensão scientifica, industrial ou mech anica. Tivemos períodos verdadeiramente aureos. De 1890 a 1906 a Amazonia exportou borracha, cacau e cas– tanha no valor de ~ 195.437.000, capital qu e, se tivesse aqui ficado na exploração de suas riquezas, estaria elevaJo hoje, quem sabe a quanto ? ! Mas, ainda é tempo de mudar de orienção e buscar extralu"r outros productos que aqu i temos de grande valor. O productor de materias primas que as exporta em bruto, empobrece-se dia a dia, fazendo a fortuna de quem as beneficia. Somos, porventura, os maiores reservatorios de materias primas no mundo inteiro, infinitessimal e variadissima. Para indu s– trial-as deu-nos a natureza as multiplas cachoeiras de ulha branca, de que não nos utilisamos até hoj e, e agora nos demon stra a Commissão de Sondagens e Pesquizas do Ministerio de Agri– cultura actu almente no vall e do Amazonas, chefiada pelo nosso talentoso patricio Dr. Rodrigues Vieira Junior, que tambem te– mos carvão de pedra, o que constitue a base do industrialismo d • , mo erno, a maior· fonte de riquesa em todo o mundo. . Infelizmente esses trabalhos não proseguem como deviam, pelo motivo de sermos nós quem somos : da Amazonia, que teve a infelicidade de ficar longe da metropole, que ensurdece a tudo quanto parn cá se tenha de fazer. Os minguados creditos são avaramente votados, e se algo se começa, assim mesmo, tem de fracassar porque, os creditas, quando abertos, aqui não chegam nunca. Param as obras; fica o pessoal, primei ro, a receber ou a não receber ( porque não pagam ) os ordenados; dispensam-se os jornaleiros, as commissões, os profissionaes contractados; es– traga-se o material, por fim, e acabam gritando contra essa pobre Amazonia, tão cruelmente tratada por todos os poderes centraes do Brasil, desde que a terra de Santa Cruz passou a ser assim denominada .. . Comtudo, devemos registar serem animadores os resulta– dos dos - estudos e sondagens dessa Commissão que se acha situada no Rio Parauary. E' facil supppor-se o que está sendo esse serviço naquellas alturas, sem material sufficiente . . . e sem dinheiro, - sob a acção da , gripe •, que até alli chegou. Camadas de carvão teem sido registadas desde 0m,20 até l m,60. Sabendo-se que as camadas carboníferas de Cardif são de 0m,60 salta aos olhos o valor das jazidas da Amazonia. Nem só nisto se encontra o valor dos estudos e sondagens dessa Commissão. .Os estudos geologicos, que dahi promanam, virão causar verdadeira revolução nos estudos dos grandes sabias que nos •teem visitado, e na historia destas terras segundo deducções e observações que até hoje fizeram doutrina e converteram-se em dogma, e que terão de ruir pela sciencia experimental, devida– mente demonstrado pelos factos : a sonda - o microscopico, o laboratorio. ' Quizeramos poder aqui registar as informações obtidas dos profissionaes, com as indicações precisas que illustrariam a nossa noticia scientificamente. Mas, seria isso um serviço apenas para profissionaes e scien– tistas, sem grande interesse para o publico, ledôr. Consignemos porem, que algumas toneladas de carvão já fo-. ram extrahidas e enviadas ao Ministerio da Agricultura para exame. Aguardemos o seu vereditum. • Até onde poude chegar a nossa bisbilhotisse, sabemos, tra– tar-se de terrenos terciarios de fosseis, calcareos apreciaveis, e outros verdadeiramente carboníferos, e a sonda vae por ahi re– gistand.o rochas, quartzi to, arenito, areia ferruginosa, saes em crystaes, madeira conservada. Mas, ahi vê-se seixos rolados e fosseis terciarios, cujas pho– tographias nos foram mostrad as, colhidas no Javary, no Solimões ( baixo e alto), no Quixito, ao lado de oufras photographias dos fosseis carboníferos do Urupary, Parauary, que sentimos não poder reproduzir, o que melhor idéa poderia dar do que qual– quer discri pção. As conclusões até agora chegadas pela Commissão, nos es– tudos effectuados no Alto Solimões, são: I ) Todos esses terrenos pertencem a era terci aria. II ) As camadas de carvão verificad as são sensivelmente horizontaes e comprehendem uma area aproximada de 30.777 k. 2 Ili ) A lei da superposição das camadas deve ser verificada no caso presente, estando as camadas carboníferas afastadas de alguns metros. IV) A espessura das diversas camadas estud adas variam de 0m,20 a lm,60. V) A deposição pela agua de grande quantidade de ma– deira e argila, nas successivas immersões do solo, foi prova– velmente a origem dessas jazidas. VI ) As madeiras petri ficadas e abundantes nesses terrenos, são da mesma edade do carvão. Ha porem ainda cousa mais importan te: a) Os rios são sadios e em alguns não ex istem mosquitos ; b) a agua é bôa e as febres só em certa ephoca do anno grassam aqui e alli, sem forma epidemica ; c) recursos locaes, não ha; d) as terras são fertilissimas; e) pode se obter trabalhadores ahi a 3$ - diarios ; f) o processo a empregar ahi, para exploração de carvão, será « de desmonte e a céo aberto •, havendo terrenos que no maximo desceriam a 14 metros. O Dr. Luiz Gonzaga de Campos proficiente geologo brasi– leiro conclue, p~lo relatorio da Commissão, que reconhecidamente temos duas bacias carboniferas na Amazonia que são: no Baixo A~?zonas no _Estado do Pará e no Amazonas na região do Ta– paJoz e Madeira ; e outra mais moderna para Oeste na região do Solimões e alguns dos seus affluente~. ' « Que incontestavelmente o primeiro grupo é o mais impor– tante e de alcance inexcedível para o futuro do paiz •. O segundo grupo, se bem que de qualidade inferior, está em condições de ser lavrado immediatamente, podendo em poucos dias fornecer um combustivel capaz de prover as necessidades 1 1 1 1 --"'
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