Revista commercial do Pará Junho - 1919
14 REVISTA COMMERCIAL DO PARÁ ECONOMIA RURAL Original para a Revista Commercial A Economia rural é a parte da sciencia agronomica que ensina · a maneira de regular as relações entre os differente facto res da producção, de modo a assegurar a franca prosperidade da exploração. Londet exprime mais concisamente a idea, dizendo - a economia rural tem por fim e nsin ar ao cultivador a produzir com proveito ( 1 ). Com tal · concepção facil será acceitar-se o que diz Lecouteux - ella é, por assim dizer, a sciencia das scien– cias agricolas, não. se a julgand o de essencia superior, mas porque ella as consulta e as resume todas para proferir a ulti– ma palavra das sciencias technologicas - o lucro ( 2 ). O seu domínio, pois, é vastissimo, podendo-se mesmo con– sidera-la, num sentido mais lato, como o conjuncto dos conheci– mentos que constituem a sciencia agronofn ica ( 3 ). Dentre os multiplos pontos qu e fere esta sciencia, auxiliar poderoso de todo grande agricultor progressista, devemos citar como um dos mais salientes aquelie que trata dos /adores ex– ternos ou o meio social, onde aprendemos a co nh ecer, entre muitas cousas, a influencia do Estado na producção vegetal e animal de um povo, e o espírito de associação, qu e sempre do– minou no homem, por isso que é o ani mal mais sociavel, pela posse dos pendores altruistas - o apego, a veneração e a bon– dade ( Comte ). Hoje em dia, cada· vez mais, os modernos economistas se vão afastando da doutrina sediça e erronea dos physiocratas do seculo XVIII que se resumia no classico laisser faire, laisser passer, isto é, o papel do poder publico cons iste essencialmente e exclusivamente em deixar fa zer tudo o qu e fôr productivo e deixar passar todos os productos de circulação, garantindo ape– nas a seg urança e a justiça, o que já não seria pouco qu e fi– zessem muitas das administraçõ es nacionaes. A intervenção do Estado será pois nulla quanto ao estimu– lo a offerecer a este ramo de industria, ou a restring ir o desen– volvimento daquelle. Substituindo-o brilhantemente vem o chamado socialismo de Estado, que admitte a intervenção do Estado estimula nd o as energias, talvez latentes do culivador do industri al do com- merciante. ' ' • ? esti~ulo, disse na Socie dade Min eira d e Agricul tura o seu v1ce-pres1dente, o dr. fidelio Reis, - é e será sempre o element~ moral in substituivel ás grandes realizações. O homem had agir s mpr em fun cção das forças moraes q11 o impel– lem, _q ualquer qu e seja a esphera em qu e a sua activid ade se exercita. O u inquirindo o espaço, para prescru ta r as leis do '.11undo, ou culliv,mdo a terra, não se s ubtrah irá jamais ao seu influ xo. Dest'arte estimado o factor moral em todas as con. quistas realizadas, de progresso e aperfeiçoamen to - não dei– xaria eu, com a indicação que vou submetler á consideração d a c~sa, que o ensejo se me escapasse, de accentuar, uma vez ainda, que á fa lta de ince ntivo e emulação entre as nossas cl as– ses ruraes deve principalmente atlribuir-se o atrazo que ainda em geral se nota no tr'abal ho dos campos. • O agricultor, nem por sei-o, foge á condição hu mana : quer t~mbem apoio moral e acoroçoamento, elle o trabalhador pe r– trnaz e o patriota indefectível, a lutar, deslembrado, em prol do progresso cornmum. • E no dia em que hou vermos despertado o sentimento d e emulação na alma das nossas populações ruraes, nesse dia, ( ' ) Traité d'éco11omie rurate. ( 2 ) Cours d'iconomie rurnle. ( 3 ) E. Jouzier. E'conomie rurate, senhores, podemos assegurar, que uma nova éra se abrirá para a nossa evolução agricola, nos amplos dominios da lavoura e da pecu a ria •. A acção do Estado exercer-se-á, então pelo desenvolvi mento dos meios de transporte, pela protecção aduaneira, pelo ensino agrícola, pela multiplicação dos concursos e exposições agrícolas, etc., etc., no fito de augmentar e melhorar especialmente a pro– ducção agrícola. Pelo proprio espirito da nossa Constituição, vemos que o Legislativo nacional tem como attribuição animar no paiz, o de– senvolvimento d a agricultu ra, da industria e do commercio, dis– posição que os Estados da União irJcluiram, por sua vez, nas constituições regionaes. A qu em deve a Prussia o seu esplendor e a sua força de ou trora? Dizem-no: á sua Agricultu ra; por isso que Von Bülow 1:screveu que a d ebi litação da agricultu ra significa uma debilita– ção da força defensora da patria e da segurança do paiz. E a agricultura prussiana se fl oresceu, se deu os fructos opi mos, d evem-n o ao insisten te desenvolvimento do seu ensino agrico la, graças á clarividencia e sobretudo ao prestigio de seus agronomos. Esses principios todos, é bem verdade, reconhecem os nossos homens publicos o valor delles; mas, a nossa lavoura e criação devem ser auxili adas por meios materiaes e não sim– plesmente pelos regulamentos que nunca são executados, e cu– jo nu mero já é excessivamente phantastico. A estimul ação não deve, porem, somente referir-se ás ques– tões acima. O espírito associativo que o nosso homem do campo já pratica proveitosamente e explora nas suas operações agrí– colas, merece ser auxiliado pelos governos, pela protecção de todas as pessoas das nossas insipientes instituições, onde cada 11111 entra com esforço igual para o emprehendimento das g ran– des obras de melhoramento da industria da terra. Quanta vez estes ideaes de associação não se fa nam em inicio, justamente porque ao luctarem com os entraves mil que surg em forta lecidos, a bôa vontade dos seus portadores não en– con tra éco nos homens da admi nistração. A regulamentação dos favores que offerece o governo a criadores e lavradores é expressiva e ricamen~e promettedora, mas passar de palavras para· os factos é o que mais custa ver realisado. O. D. Carneiro. GOMES e EMITTE MOREIRA, & a. sAQuEs E ORDENS TELEORAPHICAS SOBRE TODAS AS PRAÇAS. CACAU As noticias que temos do H avre, principal mercado de cacau , só al cançam até Março, qu ando as entradas estavam se ndo fe itas naqu elle porto, especialmente procedentes de Trinidade, G ranad a e Ouayaquil. Disso resultava não offerecer g rande procura para o pro– ducto, não obstante se manterem os preços firmes. Mas, os pedidos da Suissa, Belgica e T rieste garantia a es– tabilidade dos preços, apesar da abundancia do artigo. Entran– do em actividade as fa bricas d e chocolate, q ue começavam d e novo a trabal har, é passivei qu e os preços se manten ham e até se elevem um pou co. As existencias no Havre comparados os tez p rimeiros mezes do anno eram como segue : ( Em saccas ) Do Brazil. Outras procedencias 1917 1.912.187 202.667 1918 1.538.818 118.323 1919 191.864 6.098 1 1 1 1 ~
RkJQdWJsaXNoZXIy MjU4NjU0