Revista commercial do Pará Junho - 1919

- 30 DE J UN HO DE 19 19 13 grandes riquezas, só na industria extractiva, quando outra cousa se não podesse extrahir. Temos no Tocan tin s, pedra granítica, marmore, madeiras, e sencias, borracha, cacau, castanha, gado e muitas outras cou– sas que se não pode exportar por falta de communicação. Te– mos carvão em Monte Alegre, enxofre, aguas thermaes e sulphu– rosas, cal, granito, lou sa, e os productos que hoje dalli se ex– porta. No Tapajós temos ouro, carvão, maganez, marmore, granito, talco, cal e sal mineral, como no Xingú; sem falar na grande quantidade e vari edade d e essencias, li ervas medicinaes, raízes e rezinas medicamentosas, sementes oleogenosas, materias coran– tes, madeiras, como não ha no mundo inteiro, productos de gran– de valor e que alimentam a industria moderna, além do gado que por toda parte se cria nessa região e dos productos que penosamente dahi se exporta hoje, sendo que, de alguns pontos elles chegam ao nosso mercado com trez e até seis mezes de viagem ! ' Clamamos desde os tempos coloniaes, por uma estrada de Tapajós a J\i\atto Grosso e por communicação por simples estradas trafegaveis por peões, entre o Pa.-á, Maranhão e Goyaz. Em 1863 Brusque secundava ainda o pedido da estrada de Santarém a Cuyabá, • para não enfraquecer o commercio desta região •, pois, • tradições antigas diziam que habitantes dessa cidade buscavam ouro dalli , em pontos que eram então conheci– dos •. Abel Graça, ainda em 1871 affirmava que o ouro foi extra– hido nas margens do S. Manuel, no Tapajós ha mais de 100 annos e entre os exploradores cita J. de Souza Azevedo • que o trouxe em quantidade ... • Não _vale a pena alongar estas linh as para provar do va lor do nosso sertão, nem trazer exemplos para provar que a popu– lação ou povoamento corre atraz da linha férrea e não a linh a férrea atraz das populações ... Não se trata portanto de nen hum deserto de Saharah, mas de_ atravessar terras e campos feriei s, de valor intrínseco susce– phveis de grande desenvolvimento econ0111ico. Não se t~ata somente do valor estrategico dessas estradas que já houve um norte-americano ( H2rt) que se offereceu para fazer os estudos necessarios com alguns co111panheiros scientis– tas, - gratuitamente - para O govei·no central, pedindo como re– muneração apenas a conducção e comedoria, e a metad e dos volumes da obra que se publicasse sobre a referida viagem. Um negociante de Cuyabá offereceu-se para constrnil-a sem mais fa– vores nem onus do que 450$ por kilometro, pagos em tres pres– tações : após os primeiros 20 kilomet ros ; após màis 100 ki lome– tros, e no fim , depois de entregue ao governo e ap provada pelo s:u engenheiro fiscal. Mas, • o estado precario do Th esouro nao permittia tal cousa •, disser:i m-nos, qua11d o p:ira ahi j,í tinha– mos enviado sa ldos, para esse 111esmo Thezouro, que passavam de 77.000 contos. . Porque se nos nega ainda hoje a constrncção da Bel em– Pirapora, quando se trat a da salvação da patria e especialmente da salvação da Amazonia que agonisa com a perda do mercado d~ b?rrac~a: cuja extracção, como a de uma mina exgottada, já so da pre1mzos aos capitaes aqui empregados? Ou se quer mesmo levar-nos ao d eses pero, ao anniquila– mento, ao desapparecimento da f ederação brazileira para onde até hoje não entramos? ' Não vale a _pena repisar quanto se tem dito a respeito, pro– vado uma e muitas vezes, quanto á maneira por que fomos sem– pre tratados _; mas, cançados de soffrer tantas inj ustiças, acaba– remos um dia dand~ o desespero e appelando de braço- abertos para quem 110s queira ndoptar, uma vez que o nosso paiz nos lança na roda dos enge itados e nega-nos o agasalho no seu seio. E creiam os que nem das nos as dores, que não faltará quem nos queira ... adoptar 011 perfilhar. A política não tem entranhas. Estamos sendo esphacelados pelas facções que constituem tantos partidos quantos governa- dores vão passando pelo governo. Cresce o odio por elles açu– lado e o odio não raciocina; e como o despeito é cégo e não tem coração . . . Bem podemos um dia ter na gestão dos nego– cios da Amazonia, trez homens que pensem da mesma maneira e qu e se entendam maravilhosamente, do Acre e Amazonas ao Pará, basta ndo para fechar as 240 leguas da foz do Amazonas– duas du'zias de subma rinos qu e não custam dinheiro tanto, que não possam paga r com os proprios recursos desta região . . . E quando um dia se escrever a histori a do que causou essa desi11tellige11cia, serão invocados todos os factos que nos hão de dar razão e pela Liga das Nações, se ella então existir, nos será feita a devida justiça. ' < :e: z < !– c.n < u Q) "' (,j - = ~ Q) "' 0 (J'I Q) '- 0. •I.Ll .,J . I.IJ C:l E I.IJ 1 li O O O 0 u, o, Ol.0\0-.::J" as°' g~~s;! ~ 11 N N N N o - o ?E ;; N C'"I as ---------------- .; as u ::s as u "' u -- - - -- ---====·e-~-~======= = .. CI .:r:. rn e < ~ õ :a ,UJ u ::a: cn ~ i= la ::, .:r:. <;:; Q.. ~ ::s CI u d u cn UJ N IU ::;; 000-0-00N o, -o r--000 ó 1 ~ g g ~ i ~ 1 J 1 1 1 1 1t N-----M ,...., - - - - i íl i ~ i ~ ~ ~ ~ ~ 7r--- e e ..o .o s:: E õ:i ., ~ âj z a LUIZ CORDEIRO Roosevelt e a Ama zonia .A' VENDA CHRONICAS e ESTUDOS ECONO– AIICOS SOBRE a AMAZONIA MOR.El RA, GOMES & Ca. 1 CASA BANCARIA 1 1 SACCA SODR0 LONlllll,l.·, !',\Til ', llAlllll"llllO. UIH ºXLJl, LAS, NlllW– YOHK, HAl!OAllll , l>l\"NHR.\!-0 l'l!A~'AS ll.\ !;f!J. S .\ , TUR UIA El l\lAR– RO('O . , TOD,\R AS V\O ,II>t;>l H Yll,T, \S UJ.) I'Ol!TU<1AL, llWWAISIIA, JTALIA E l'RI .Tll',\F. º l'R \ ~"A, no l' ,\1 7, FAZEM PAGAMENTOS POR TELEORAMMA E EM D O Ml C l LI OS

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