Revista commercial do Pará Junho - 1919

BELÉM, 30 de JUNHO de 1919 e vista Commerc1al do · Pará Da Casa BANCARIA de MOREIRA, GOMES & Ca. RUA 15 de NOVEMBRO, 7 li Endereço telgr. : MATTA Codigos { Lieb_er, A B~, 4.' !!< s .• ed., Ribeiro li BELE' M-PARÁ - BRASIL Caixa no C o rrei o N. 22 Particulares, f wo-tn-one ( Condensador ) ANNO V Sob a direcção de LUIZ CO ~DEI RO li NUMERO 8 A "REVISTA" curioso, ·para não dizer assombroso, o que entre nós se observa. Viviamos de esperanças, antes da guerra, como o camponez do meio norte, d e olhos fitos no horizonte a espera da primeira nuvem qu e no aZtilino céo, denunciando a mudança da soalheira qu e lh e está matand o, prenunciasse chuva. Para nós essa • chuva • era a alta da borracha. E, como um phenomeno qu e não dependesse da vontade do homem, mas, da vontade de Deus, acceitavamos resig nados a nossa critica situ ação, a espera que a Providencia mandasse a chuva . .. Não choveu até 191 4. Devia haver um motivo : foi a guerra. ficamos a espera que a g uerra acabasse. O que, para nós, foram esses qu atro annos vividos a balão de o xige nio, só qu em aqui vive u pode dizer o qu e foram elles. Emfim acabou-se a gue rra, normalisou-se a navegação e .. . a borracha não subiu. Mas continu amos a esperar que nos venh a o maná do céo, qu e ha d e alimentar a fa milia hebréa . . . O mechani smo desengonçado continua pêrro e desconjun– ctado . .. porqu e o pae do céu não se qu er amerciar de nós . .. O qu e nos fa lta? Desejariamos faze r uma • enquete • entre as classes produ– ctoras e commerci aes do Estado, para ou vir o,q ue pensam e que remedio nos apontam. Ha porém, entre nós, o horror á res– ponsabili dade e um indifferentismo doentio e pêco, g rand emente capaz de gelar qu alquer calor de iniciativa. Commelter isto á Re– vista seria d eixar em branco esta columna. Resolvemos ouvir BOLSA do PARÁ p o o EREMOS dizer sem hyperbol e que a Bolsa do Pará desap– pareceu. O Governo do Estado, auctorisado a emprestar em um ou mais exercícios á Associação Commercial a quantia de mi l contos d e réis para a construcção de um edifício para a Bólsa do Pará, quantia que seria indemnisada pelo imposto para isso creado por lei de 1.o de Maio de 1864, para esse fi m especial, desde então começou a cobra r o referido imposto. Uma vez até, o Govern o offerece11 pôr em deposito a sua disposição, n'um Banco que lh e fosse ind icado, a somma referida. As o bras tiveram que es perar a Republica pa ra serem inicia- das, em terre no doado pelo Estado a essa Associação. O imposto rendeu milhares de contos. A ob ra proseguio, emqu anto houve milho .. . As d ifficuldades do thesouro não per111ittira 111 que se conti– nuasse a entregar a verba arr:cadada á Associação, que parou as obras. Um anno, dois, trez ... o saldo dessa con ta com d ,. suhio a milhar de contos e reis. Era demais. O Governo negou o direito de posse do edi- i ficio á Associação e, consequentemente, do imposto : O com- opiniões isoladas aqui e alli que, temerosamente, pediam-nos não publicassemos. Não temos coragem para faltar á nossa palavra dada, e bem a contragosto teremos de silenciar. Não o faremos, por ém, sem primeiro perguntarmos porque assim havemos de ser ? Todo o mund o s ag ita. Aqu elles mesmos que tiveram seus terrilorios invadidos, s11as propriedades devastadas, seus haveres saqueados, seus filho s, suas, mulh eres, seus paes, seus irmãos mortos 011 reduzidos á miseria, depois d e passarem as maiores privações, soffrerem necessidades, molesti as e maus tratos, se levantam cheios de vida e promptos para novas luctas, passando por verdadei ras tran sfo rmações de vida, d e costumes, de habitos. E defend endo os seus interesses com den ôdo, aprese ntam-se ' para novas luctas no campo d a grande concorrencia mundial. Porque havemos de permanecer indifferentes a tudo isto, musul– man amente acocorados a e·spera de que ... a borracha suba de preço ? Se sózinhos já vimos que nada fazemos, porqu e não con– centrar as nossas forças, que mnilas são aind a, e fazer valer o direito que nos assiste de occupar um lagar nesse comicio das nações que vae marcar uma nova era na vida dos povos ? E situ a·ção é esta : • o afan do progresso, re presen tando a ultima sy nth ese 'da lu cta incessan te e agitada, fa rá que os povos procurem obter vantage ns dos outros, alterand o a o rd em e con– vertendo em motivos de g uerra o in te rcambi o de id éas e pro– d11ctos, pondo o mund o sobre o tapete das discussões, torn ando a existenci a um pacto solemn e d e uni ão qu e obrigue todos os interesses reciproca mente •. Essa reciprocidade de interesses é o élo que nos ha de ligar mercio não pode ser proprietario ; não tem personalidade ju– rídica .. . , Não fo i preciso asse nhorear-se dos •cobres : já estavam em suas mãos, e lá ficaram ... Por fim ve io outro Governador e fez o resto: mandou demo– lir o que já estava feito no valo r de cerca de Ires mil contos, e assim não haverá mais nessa obra o espantalho para antepor á divida. E acabou-se a Bolsa, extinguindo-a. Parece que com ella desappareceram os títu los ou fundos publicos. Os negocios ming-oaram até desa pparecerem, assim como os divid endos ... Estes foram de 4.006 contos para as sociedad es ano nymas da praça do Pará, só nu 111 dos semes tres de 1898. O movimento de bolsa, propriamente, attingio a 259.626 ti– tules no período que medeia entre o 2.o semestre de 1895 ao 1.o semestre de 1900, te nd o sido de 68.74 1 em 1898 e de 73.037 em 1899. Hoje não dão para so111111ar dois algarismos e fo rma r uma estatística ! . .. Que se pode, pois, dizer da Boi a do Pará? O leitor que se inspire no quadro a segu ir e faça o seu j11iw por si mesmo.

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