Revista commercial do Pará Julho - 1917
24 • REVISTA COMMERCIAL DO .PARÁ Como o deficit será de 72.000 contos, segue-se que ainda nos hão de faltar 37.000 contos que serão prehenchidos • ( com que ha– via de ser?) com impostos novos ... Rs. 1.000 contos de industrias e profissões. • 3.000 de revisão de impostos s/ tecidos e manufact. • 15.000 • sobre consumo de assucar. 8.000 de revisão de imposto de sellos. • 10.000 de ampliação de impostos s/ a renda. • 37.000 contos de reis. Pensa o Snr. Ministro que dessa fórma terá o Snr. Presidente da Republica cumprido mais do que prometteu : « Terá restabele– cido a ~rd.em no cháos que encontrou ; desempenhado a palavra d~ Brasil hg~da ao segundo fwzding ; deixando organisadas indus– trias novas, vttaes _para o futuro do paiz ; traçado o cambio para o sa.neamento difinitivo de nosso orçamento; liquidado os compro– missos encontrados; permittido o reencetamento da politica tradicio– nal do Brasil em assumpto financeiro ~ a valorisação da moeda e do activo nacional ; resurgido o credito publico •. B~n:1 diz S. Ex.a que • não é com phrases, mas, com actos que t~es d!fftculd ades .se ~enc.em • ... pois que, « passou a phase em que se d.1scuftam convemenc1as t~mediatas ... porisso que na pratica espi– ntual ou na labuta pratica, - para realisar o dever nacional - º- Brasil exige homens e não sombras, energias e não accomoda– ço es º 0 0 0 O capital francez empregado em trabalhos marítimos ( obras de porto) no Brasil se eleva a 517.500.000 francos sobre um total de 697.500.000. Sendo de 600.000.000 francos o total do capital empregado em Estradas d e Ferro no Brasil, negociaveis em Paris, e 343.500.000 fra ncos a somma de acções e obrigações em Bancos e estabeleci– mentos d e. credito francezes no nosso paiz, segue-se que O total do mealheiro francez para cá distrahio em negocios cerca de francos 1.521.000.000 nos ultimos annos . . _. com, relativamente, pouco pro– veito para nós. º º º 0 O Saldo de Cai xa dos Bancos desta praça em 31 de Maio p. P· era de 12.664 contos co ntra 10.798 contos de depositos, exce– ptuados os Ba ncos Ultramarino e do Brasil que não publicaram balanços. Esse Saldo era distribuido como segue: Caixa Depositos ' Commercial Pará . Credito. River Plate Lond on Bank 2.366 1.001 527 5.950 2.820 contos • 1.193 2.556 790 3.983 2.276 12.664 10.798 1 8 E st imando os depositos no Ultramarino em 3.000 contos e 0 ~ 0 8 anco do Brasil em 2.500 contos, d evia excede r a 18.000 o saldo os a ncos desta praça nessa data. · º º 0 0 Disseram . -nos que o novo Govern o pensa em leva r avante 0 _ proiecto de um ramal da E. F. de Braga nça para Sali nas propor- c10nando a popula - d 8 1, , d 'çao e e em uma estação bal nearea de primeira º~,/m, con_1 a vantagem de deixar aqui ficar uma grande somma qE se escoa de nossas mãos, ann ualme nte, para a Europa e ; utros stados do Sul do paiz. _ A_ P.roposito não seria rasoavel q ue se pedisse tambem a li ga- çao diana de Soure com a Capital, fund indo as trez linhas q ue iso- la p· h · _111 111 etro, Mosqueiro e Soure entre si, levando a escala cada dia até t 'd d f' d . , • es a c1 a e com o 1to e resolver o seno problema de ~ .. ~nc, de leite, queijo, manteiga, ovos, peixe fresco, de boa quali- ade que dizem ser aqui má e a causa de grande morta lidade em Belem ? Com campos e praias tão proximos de nós, pode-se com- f)rehcnder que nos faltem essas cousas ? · ºº º~ Es!ivemos com o Dr. Antonio Rodrigues Vieira Junior, chefe da Com1111ssão do serviço de sondagens de carvão do Ministerio da Agricultura no valle do Amazonas. Conversamos com o jovem engenheiro que se achava prestes a embarcar para Maués onde ia encarregado de perfurar o sólo em diversos pontos com uma Sonda especial recebida da America do Norte, podendo proceder as suas investigações até a t.000 metros de profundidade. Constatada a existencia do carvão, reconhecida a sua qualidade, a extensão da bacia e a possibilidade de lavra, prometteu-nos S. Ex.a alguns esclarecimentos sobre os seus trabalhos topographicos, geologicos e de observação pessoal, no valle do Amazonas, adeantando-nos que • já foram feitos varios estudos a respeito, com resultados bastante animadores •. . Achava-se S. Ex.a e/n actividade para remover, até o Rio Pau– mary, mais de ·70 tons de materiaes, sondas e machinismos a se– rem conduzidos atravez de espessas mattas virgens deshabitadas, que deveriam ser abertas a dar passagem aos carretões a bois com ranchos e esse material. • Estava certo de vencer todas as difficuldades e trazer-nos re– sultados satisfactorios •. Aguardamos o rel atorio do jovem engenheiro para melhor di– zermos dessa nova riqueza extractiva que se desenha nos horizon– tes da Amazonia como uma fonte de rendas futuras e percursoras de uma nova éra de resurreição, a impulsionar a mechanica nas industrias, sem o que não se pod e tirar proveito desse enxame de materias primas que nos rod eia e de que somos, porventura, o maior reservatorio mundial. Só o carvão levará, com a charrua, a via ferrea ao nosso ser- tão só esta exporá aos olhos dos que nos procurarem, os the- zouros até hoje avaramente guardados pelo Amazonas. Fazia parte da expedição, além do chefe, Dr. Rodrigues Vieira Junio r, o laudador Frank Davis, auxiliares mechanicos, foguistas, machinistas, cavoqueiros, etc., etc. ºº ºº Na· exposição do Ministro da Fazenda ao Presidente da Re– publica, com a proposta orçamentaria para 1918, ha periodos que synthetisam os publicos negocios neste paiz. • Logo no começo diz S. Ex.a qu e na proposta para 1918 • já se não encontra economias de g rand e vulto a fazer - a não serem cer– tos encargos em que até hoj e se não quiz tocar•. E prosegue : • Eco– twmias havia, certamente, na execução dos preceitos orçamentarios, – se o firme proposito de restringir os gastos publicas fo sse· um estado de corzsciencia permanente nos chefes incumbidos de dirigir as re– partições subordin adas •·- • Esta mentalidade, entretanto, é menos frequentemente en– contrada do qu e geralmente se crê, e, se em palavras se trata de reduzir onus, nos factos a tendencia é diversa. . . • Contra essa orientação, nada pode o Mini stro • . Repare o leito r para os nossos g riphos e verá que potencia é hoje o funccionali smo, - com a mentalidade df!s chef es diante dos _ qu aes o proprio Ministro nada pod e - em d efesa dos seus pro– prios interesses ! São esses os encargos em que até hoje se não quiz tocar. E, esses qu e se antepõem a execução dos preceitos orçamentarias, são os mesmos que custam ao paiz 267.000 contos 1111111 orçamento de 536.000 contos ( 1914 ). Mas, contra a força não ha resistencia - - . e é uma legião de 76.716 homens ( fora operarios, jorn aleiros, diaristas, etc. ), que vo– ta . . . vi vo o u mo rto. Já acima fal amos no deficit previsto para 191 8, de 72.000 con– tos. Convem ligar essas du as cousas, - deficits e funcci ona li smo. Desde 183'3, ao nasce r as nossas leis orcamentarias trouxemos no ventre desse 111onstro o ge r111 é11 roedor· desses dois cancros a nos devora rem as entranh as. Nesse anno, sobre um o rçamento de 13.000 contos hav iam 8.000 empreg-ados p11 blicos custando 5.000 contos, e 3. 100 pension istas e aposen tados percebendo do erario publico 763 c~ntus, ou sejam mais de 44 o/o. Com a Republica a avalanche proltferou e em 19 14 com um orçamento de 536.000 con– tos ella custava-nos 267.000 contos e o seu numero se elevava a 76.716 alminhas. Tambem os deficits são heranças nossas; está no nosso san– gue, é mal hereditariu. De 1826 a 1888 apenas em oito exercícios houve saldos, dtt-
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