Revista commercial do Pará Julho - 1917

2 REVISTA COMMERCIAL DO PARÁ Convocaram um « meeting • e depois de muitos discursos, pa– receres e alvitres, um delles disse: • qual historias l . . . A cousa é facil e simples: - põe-se um guizo no pescoço do galo e nunca mais elle pegará um rato. • Foi um delirio de acclamações. Cessou o barulho e um ora– dor, pedindo a palavra, perguntou: • - quem vae por o guizo no gato? .. . • Sabemos que o capital busca sempre o melhor emprego por livre iniciativa do seu possuidor; mas, se os governos são capazes para lhes imprimir direcção com impostos menos pesados, favores, garantias, distribuição de justiça, faz renascer, com o credito, surtos de iniciativa, deslocando os negocios dos mananciaes já cançados para outros que se lhes antolhe. E esses outros não podem ser entre nós sinão a producção para o fornecimento do que consu– mimos aqui mesmo, fazendo o capital girar, multiplicar-se, accu– mular-se. Sem uma organisação ba ncaria nacional capaz de accudir a todas as nossas necessidades, fortemente apoiada pelo governo e largamente _disseminad~ por todo o paiz, jamais conseg uiremos cousa aprec1 avel. E nao se allegue falta d e habito do povo para se servi~ d~sses estabelecimentos, pois que, para s·e fazer o disci– pulo, pnme1ro se fundam as escolas. São os. bancos, com os syndicatos e associações fortemente · organisadas, que fazem os milag res que esperamos dos céos .... São elles que movem toda a economia politica ingleza, - na l~glaterra e na_s s~as colonias. A elles se juntam e ligam as pa– ginas da sua ~1stona, desde priscas éras. E hoje, ante essa grande guerra, nem so_ o BANCO DA INGLATERRA, a volante que propulsa os g randes negocios do Reino Unido, mas os PROVINCIAL BANKS, os Cnv BANK~, os_LONDON BANKS, provaram que em materia de finan– ças e orgamsaçao ban ca ria, a velha Albio n continua a ser a mestra dos mestres. _Ahi nos _poderi~mos in spira r e veriamas que nem só para im– pulsio nar as mdust.1as, o commercio, a lavoura ell es servem mais ra re t · · ' ' para ampa m as ma en as primas a proxima nd o o producto r do fabrican ~e, e st imulando a conslru cçã~ de vias férreas, emprezas de navegaçao ª vapor e ex pl oração d e min erios, mantendo um controle tacito, veladamente, sobre o mercado qu e dominam, melhorando-o sempre. Levando seus capitaes t · · . . ao es range1 ro, d ah1 aufe rem lu cros ex- traordman os altrahin do a p d , ' ra_ça e sua sede prove ntos altamente remun eradores ao seu trabalho, a brindo mercados e conqui stando-os a seu talante F~i ess\ º . ca; i~ho tril hado com ma is larg ueza ainda pela Al– leman ia,. e ? Je atida dentro dos se us proprios mercados como os dema is pa1zes da Europ .' • f I a, se apparelham todos com mais vigor para_ en rcn ar O g ra nd e problema q ue julgavamos já se achar re- s oiv1do pe los trcz grandes c . - ampeoes do mundo : Ing late rra, All e– manha, e E. U. A. O que é necessario f vores dizia I azer, nem sempre acarreta immediatos tou , . ia pouco um escri t 1 . . t b ruras da tarefa t P o r pa nc10, mas am em, as ~g . . f d ornam as almas fo1ies, cada vez mais ind iffe rentes as m1us iça_s o presente, confiantes no juizo futuro . Já os mglezes creara 111 1, d BRITI II B F ' ª em . os Bancos que aqu i leem fili aes, o fort 1 ~NK FOR OREI O TRADE com o capital de i 10.000.000 para Q$ ~era sua grande organisação bancaria na America do Sul. , . ::,'trancezes aconselham os seus patricios a imitai-os porque • e (ndispensavel preparar esses meios de credito e forma/ homens a applicarem aqui ( na America do Sul) com tellaridade um pro– gra111111a cm conjuncto. A Hollanda já creou e está funccionando no Rio de Janeiro um grande banco commcrcial. Cogita a ltalia na creação de um Banco de Expotiação por iniciativa do BANCA 01 M1LANO com o fim uc desenvolver o seu commercio, e um outro Banco especial– mente para credito maritímo, destinado a desenvolver a sua mari- nha mercante e, consequentemente, o commercio de importação e exportação, expansão commercial por creditas a prasos mais ou 111 r 11 os longos com o estrangeiro. O velho Portugal já aqui paz o ULTRAMARINO que se está irradiando pelos principaes Estados do nosso paiz, e já tem o s eu grande Comptoir. A França vae crear linh as de navegação para o Norte e Sul do Brasil. O Japão já o fez, os E. U. A. estão fazendo ... A Allemanha ahi virá a seu tempo com a sua fróta accrescida e aguerrida. lnfallivel será amanhã a lucta de mercados; todos querem ven– der, todos querem comprar ... e nós precisamos tudo comprar e bem pouco temos para vend er em tróca do que comemos . . . E esse pouco já o temos compromettido, não é nosso, fu g ia das nossas mãoS', antes de ser produzido, porque não temos quem o ampare: falta-nos uma organisação bancaria, uma marinha mercante de longo curso, que são as forças propulsaras do commercw, das indu strias, da lavoura, da riqueza, em todos os paizes. O fim desta guerra formidavel não pode deixar de trazer um abalo mmor, aos mercados mónetarios e commerciaes do mundo, que no começo das hostilidades. A simples noticia de uma paz eventual proposta pela Allema– nha, causou grande panico em todos os centros monelarios mundiaes, especialmente nos E. U. A. onde os Bancos paralisaram as suas operações; o mercado de titulas ahi, abalado, ca usou prejuizos collossaes ; os productos de exportação, ( o aço, os cereaes, o al– godão, os couros, o café,) baixaram logo consideravelmente, gene– ralisando-se o pa nico por todo o paiz, causando desastres extraor– dinarios, emquanto as taxas de juros subiam bruscamente no WALL STREET de 5 para 8, para 10, 12, 15 O/o. Quem daqui se appercebe disso ? Quem de nós cogita desse dia de amanhã que está a raiar a qu alquer hora? Permanecemos neste estado de morbidez aca brunhadora sem dar um passo á frente - esperando que a g uerra acabe . . . Para quê _? Ninguem sabe, nem quer saber, porque para nós basta que a g uerra acabe ... BALANÇO COMMERCIAL DO ESTADO DO PARÁ Direito-s s,' a Impo rtação inclusive 5 O/o ouro d e imposto de consumo pela Alfand ega d e Belém em 1915 e 1916 ( a unidad e é conto de réis ) . Direitos a Alfa nd ega s/ a Exportação . ao Estados/ a Ex portação 19\S e 1916 Indu s tria e P rofi ssão nesses ann os e sellos. Total dos impostos Fretes d e s ubid a e d escida dos vapores flu– viaes, ( bo rracha, cacau, castanhas e mer– cado rias ) Va lor da nossa Importação do ex terior nes– ses a nnos . Valor da nossa Im po rtação do Sul nesses a nnos. T ota l representati vo do 11/ debito Valor do total da n/ Ex po rtação em 1914 e 1915 Deficit em parte coberto pela nossa min– guada producção agrícola 42.553 30.561 57.1 60 69.792 22.846 8.104 11.103 1.602 43.655 12.716 73.1\4 Rs. 129.485 126.952 -- Contos 2.533 - M O R E I R A, G O M E S & Ca. S ECÇA - Ü d F ORANDE DEPOSITO de todos os Artigos e ERRA GEN s de Ferragens, Cutelaria, Anuas, R•~es, C;. mento, Tintas, Oleos, Diversas Especialidades Americanas, Kcrozene, Oazohna, etc. RUA 15 DE NOVEMBRO, -7 -

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