Revista commercial do Pará Julho - 1917
2. 0 S t M t S T R t de 191 7 ------------_.;;.._ _____ , __ Revista Commer·cial do Pará _ Da CASA BANCARIA de MOREIRAi GOMES & Ca. Rua 15 de Novembro N. 7 li Endereço telgr.: MATTA Codigos { Liebar, ABC, 4.• & V ed., Ribeiro Caixa no Corr eio N. 22 Particulares, Two-in-a11e ( Condensadod 11 BELÉM- PARÁ - BRAZIL AN NO li li BELÉ M , 1 de Ju lho de 19·17 ~ li NUM ERO 4 - - SOB A DIRECÇÃO DE LUIZ CORDEIRO A "REVIS TA" D ESTINADA esta Revista a tratar dos interesses geraes da Ama– zon ia, não será para estranhar qu e nos venh amos hoje occupar dos nossos negocios internos e vitaes. Por vezes perg untamos a nós mesmos porque não prog redi– mos, ou pelo menos, porque estacionamos de alg uns annos para cá. O que é que entrava o nosso desenvolvimento ? Se a riqueza é produzida pelo trabalho do homem, não trabalhamos bastante para produzil-a ? Estará tudo isso encadeiado entre si, formando élos de interesses· reciprocos mutuamente enlaçados, ou ao contrario, - nos estamos empobrecendo sem sentir ? Seremos uma sociedade ainda em form ação, ou não sabemos tirar partido das forças desta Natureza exhubera_nte qu e nos ce rca ? Se· o trabalho é a medida universal dos valores, porque, qu anto mais trabalhamos tanto menos valemos ? Cü LBERT foi um grand e estadista nos t,empos de LUIZ XIV. De grande saber, sagaz e muito ex peri ente, dotado de força de vontade e talento, quiz um dia introdu zir a ord em e o methodo '.ias _r~ceitas e d espezas orçamentarias do seu paiz. Mas, t~ve a mfehcid ade de querer tudo moldar por um systema mercanti l, re– g ulamentand o tud o com os mesmos homens que já se não podiam amold ar a essa reform a e organi sação. Por fim, tentou ig ualmente regulamentar a industria e O comme·rci o, como se o Estado fo sse ~m g rande • bureau • a se rvir de modelo a um pí\iZ que se dese– Java governar a si mesmo _ e tud o ruio a seus pés, desfizeram-se todos os seus sonhos ! ' ' . . Não qu eiramos outrotanto qu e seria in se nsatez. Mas, não será insensatez procu rar conh ecer ; causa desse mal qu e nos está aca– brunhando e estorvando o caminho. Se fosse possivel formular um balanço que nos elucidasse, e, nell e ent1 n1e · 1 ·t I e . rar as nossas fo rças econo1111cas, ta vez mui a uz s obtivesse. Mas, as nossas estatisticas são deficientes e só muito longe da ve rd ª ~e se poderia dize r desse nosso estado mórbido. Ainda a · · . 'ssun , pelo balanço abaixo fo rmul ado, - com o que e po~s1vel, - se chega a res ultado pouco animador. Nota ndo-se que ah1 ~omamos ISO ré is para méd ia de frete por kil o de borracha de' descida dos alto · t· a a ,. s n os, quando a do Araguaya e Tocan 111s, por e?'·• P_ g 4 oo re is i 2 500 para hect. de castanha que em sua maio– na .paga 2 600 e ;l 000; 50 réis para ki lo d; cacáu, qua ndo ord i– nan~ment; é de 60 réis. Os fretes de subida variam de 10 a 20 O/o e ate 22 /o . Tomamos por média 10 O/o. Os algarismos são correspondentes aos aunos de 1914 e 191 5, e se resumem : Impostos Federaes e Estadoaes e fretes - 55.788 contos; va– lor de mercadorias importadas do exterior e do sul 74.114 contos, que somados dão 129.485 contos a paga r com o valor de toda a nossa exportação que é de - contos 126.952, resultando um deficit de 2.533 contos. Ahi figuram apenas os dois annos de 1914 e 1915 porque seria contraproducente jogar com algarismos anteriores ao inicio d~ gu er– ra qu e revolucionou todas as previsões ou calcul os provavets com q~e jogava a •esl.atistica commercial para previsões ou comparações economicas-fi'nanceiras em todo o mundo. Será de faclo esse o resultado do nosso balanço commercial ? Ning uem o affirrn a ria, pois ahi não figuram os pagamentos 2 Po_1t of Pará os impostos Municipaes. as despesas geraes do commerc10 dedta ~raça, neTII o qu anto. concorremos para os di_videndos dos Bancos nacionae~ e es tra ngeiros, qu e os auferem de 1uros, descon– tos commissões, lucros em cambiaes, etc. ; nem os telephones, du– pla' telegraphia, gaz, lu z, bonds, seguros nacion~es e estrange!ros, e até a empreza d o lixo, tud o capitaes estrangeiros que daq ui af– fl uem lucros qu e se reti ram da nossa circulação; sem contar a Caixa Economica ( e O Bicho) que daqu i leva alguns milh ares de contos annualmente parll o sul e o Governo f ederal os gasta como verba ordinaria. Não foss em nacionaes parte dos empregados dessas emprezas, os estivadores ~ua rnições da nossa mari nha mercante, gra nde parte do pessoal d~ ~ommercio e o funcciona lismo, ha muito esta rí amos sentindo mais fo rtemente a nossa depressão commercial e fin anceira. Essas pequ enas i,ommas que aq ui ficam flu ctuando, ci rculando de mão em mão, é que constituem o fundo fa lso que. n~s es~á dando a impressão appare nte de vida. Não queremos ho1e ir ate a com– mentarios qu e esses algarismos suggerem, mas reservamo-nos para opportunid ade que não tard ará. ·- _ Se buscan:nos conh ecer o qu e é qu~ importamos com tao g ra1~– des sommas, veremos que do estrangeiro av ulta ~ classe ~V ( a1 1·ti– gos destin ados a alimentação ) que lambem consti tue qu as1 o va or do qu e recebemos do s ul. · Nesses dois annos o Pará e o Ama~onas dispend eram, com taes compras, cerca d e 140.000 contos! E esse o valor d? freio ue temos atado a barriga, absorvendo toda a nossa energ ia, nos ~mpobrecendo cada_ vez, sem deixa r ve:tigios de sua passagem en– tre nós, qu anto mais accumulo de rendimentos. Escrav isados, tacita mente, pelo que comemos, vamos nos ~ni- ·11 do dia a d ia esbraveja ndo loucamente contra o desconh ec1d o qm an ' • d que nos aca brunha, sob o peso de um trabalho exhaustivo, e que nem todos parti lham, em pura perda para a economia nossa, do Estado, do paiz. • Uma grande nação, povoada de selvagens, vagab undos e po– vos ainda na barbaria, poderia um dia, sem contradicta, adquirir rrrandes riquezas pela cu ltura de suas terras e pelo seu co 111 111ercio ~ t .· .. _ di·z ADAM SMITH, - mas, não certamen te ';.~10 cornmerc10 111 e1101, _, t ge iro E cita exemplos do Egypto e da China que be lll se es rali · . , - • • · " mas d · hoi·e aJJIJl1car entre nos. Nao ha nisto cha uv1111s n1 -: , , po ena . . , p . , as 1111 ª verdade ob1echva . . . de ADA ,\\ S.\\ITH. ons apenas t . . ~ nações fortes procuram apoio para 11 o seu commer _10 nos syndica t , d Sc cin 0 s tru ts e mrte arreg11ne11taçoe que se d"'f · , de 011 e na . . . " e . d pelos compto1r e ante-trusts, baixando muita ve., n. dem am a 1 . .1 1 . . e. a 1 . t · 011 s •is ro11solidn t011s e overcap, a I utwn • • ~ wcorpora t , ' - Mas, entre 11 ôs nã o se pode falar nesta consas . . . Já <li _ t . nios qucin no perguntasse quem vae !)Ôr o gnizo 1 ~ 1 encon 1a 1() gato ... ? E contaram-nos que houve outr'ora um Reino dos ratos, ºnct todos viviam contentes e felizes. Um dia lhes appareceu um gat~ e começou a devorai-o •
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