Revista commercial do Pará julho - 1918
1.º DE JULHO DE 1918 3 O CAMBIO C ONFORME previramas, em nosso numero anterior, andamos a girar em torno da taxa de 13d no semestre que acaba de findar. Abaixo offerecemos a tabella com as taxas· médias que vi– goraram de Janeiro a funho _deste an_no, em nossa praça., A .questão do cambio continua a constituir um problema insoluvel para nós. Entretanto, parece-nos ser isso não só uma questão de sa– ber, mas de querer. Admira-se todo mundo ; admirou-se o Snr. BOUDIN que nos · visitou, • que não foss em rigorosamente prohibidas as operações especu lativas do cambio, no Brasil, em vista das perturbações profundas qu e isso causa á vida eco110mica do paiz •. ·· Admira-se todo mundo que isso assim seja e tudo continua cerno dantes . . . Tendo o Governo feito o celebre convenio com a Franç2, de onde resultaria um recurso de cerca de i · 8.000.000; com uma exportação accrescida e uma importação· reduzida, previrnm todos um excesso de cambiaes a ser.em .col– locadas quando se retirava do mercado, por se achar supprido, o maior' comprador, que é o Governo, a quem todos supprem e com quem todos especulam, Não previram, nem era de prever uma série de contratempos que dahi vieram em successões continuas, perturbando diaria– mente a normalidade desses factores cujas pre visões foram in- vertidas. ' Naturalmente exageraram as· vendas antecipadas com o fito de cobrir adiante, e se diz que a média dessas vendas é, approximadamente, de · 13 5/32 para Junho e Julho, quando ha– veria letras da nova safra de café que viriam emendar com o grande stock relido P,0r compra dos govern os Federal, dos Esta– ,dos t eféciros, especi~lmente S. Paul o, e do Governo francez. Não foi bem assim que os factos se ~uccederam, mas, foi peior • . . porque, o convenio francez até agora s6 em parte foi cumprido; o Governo Federal ~stá compromettido na • gran– de empreza •; o dinh eiro foi quasi todo para S. Paulo e o café , não sahio de Santo? onde está armazenado, com grande de– sespero dos lavradores que não teem onde metter a sua nova safra de cerca de 12.000.000 de saccas, a não ser que o Governo Central emitta mais uns 400.000 contos de reis para salvação da patria . . . Se a guerra se prolongar, como parece, ainda por todos os annos de 1919 e 1920, proseguindo nessa politica economico-fi• nanceira, havemos c!e chegar a afinação d e supprir o carvão, que não temos, por café a ser queimado como combustível para restabelecer o equilíbrio do me rcado da rubiacea, deixando co– mo lembrança, para os que de fu turo tiverem de endireitar • isto•, nm peso de mais um milhão de contos de réis em papel moeda inconversível a ser somado com o mil hão e ·picos que já ahi te– mos inconvertível ••. É coma se- estivessemas de facto em g uerra e fossemos fo r– çados a usar desse MEIO como unico recurso para supprir as nossa~ necessidades ihternas. Mas, fi ca-nos o consolo de ter salvado S. Paulo, isto é,- meia duzia de felizardos paulistas, res– tando fazer um novo appello aos impostos para supprír os or– çamentos duplicados pelas differenças de cambio. Porisso, talvez, nos estão todos a espreitar e na falada • Liga das Nações • devemos ter um lagar bem distincto . . . marcado pelos que virão governar as nossas Alfandegas, se não for a re– benque, ao menos com o lapis e uma tira de papel sentados :i porta das repartições arrecadadoras. ' O dia de ajuste de contas chegará, e essas • missões . que entre nós se estão succedendo, com -que tanto nos desvanece– mos, têm para nós o caracter d~ um cortejo de herdeiros de • muribundos ricos que anciosos esperam a cada momento o des- , apparecimento do enfermo par.a entrarem na posse da almejada herança ... Desejamos, com todas as véras da nossa alma, que esteja– mos enganados. - rlJ ei:s ·- "'C '4J E - :E -aJ ...J UJ a:> , 5 a> o - a:> :E < u a> "'C VJ < s < f- ,.,., > 1 00 õ: - 1 <: f- ,.,., > V) UJ O:: Q z o ...J UJ e:: al o <J) li o 2ss,ns ., õ: 1 1 r- 2!1211 00 .... o e4u2dsaH N °' 123n)Jo .... N N W!JJ8ij 1 1 S!J2d ,n '° '° o ~JOA-MBN I.O r- 1 M -~ /' = ~ 00 ~ .1 M - õ: - -!t- ..., - - N r.n r- < t ~ õ - ~ 1 - - '° "' ·Õ: :;- - -- ,.,., UJ N o UJ ... ·.:; :e r:: "' -. 1 o '° .... õ: o Ll") o, °' • N N N 00 ~ 00 .... .... Ll") N 00 M Ll") '° °' "' o - M °' Ll") N - N N N N 1 1 1 N .... r- r- r- 00 '° '° '° r- 00 00 o M .... 00 00 - M M .... "' "' ;:f- ;;-- ~ M M N - - - ;;!- -;l- "' ..., M M - - - ... ... "O ~ ~ N N N - - - "' "' ::: ~ ;:::--- - - - - - - e -~ o u- ., ... ·e: > ., "' .o u.. :E < 8 '° M 1 1 1 1 1 1 o o - - Ll") r- 1 1 1 1 1 1 r- '° .... .... Ll") '° M '° 1 1 1 1 1 1 - -- M - r 1 1 1 1 1 '° ,n N N ! 1 J 1 1 1 1 1 ' o, o, 1 1 1 1 1 1 00 N '° r- o r- .... 00 1 r 1 1 1 1 °' o, ..., ..., "' "' ;;- 1 1 1 1 1 1 M -~ - "' "O ;;;- 1 1 1 1 1 1 M N - - "' "" e, "' .... - ~ ~ M ;:f- ~ "t:l "t:l M M M ..., M M M ~ - - - .-; - - - "'' N "' ... "' ... #!- ~ ~ #!- -;l- ~ ~ ~ M ,.,_ - N N N ~ N - - - - - - - - o o e .e .. o .o E .o .. E E o E .o _g o .,,. ::, ., . ., ..e: O· ., ..e: 'E > N "' r:: -a bD - o ., :E ::, <· ., o z Cl --. --. Cf) ST OCKS de BOR RACHA C ADA vez , se torn a mais qifficil co nhec!'!r os: S tocks de borra• cha em diversos mercados e por vezes a té mesmo do nosso . . . Emfim, abaixo publicamos o que nos foi pa ssivei obter, emboJ a atrazados. Avultados q ue esses devem ser para as de outras proce– dencias, continua a não haver stocks da nossa- borracha na ln-' glaterra e sendo muito resumido nos E. U. A. Não obstante, este g rand e mercado limitou a entrada do nosso principal producto alli, com licença espt!cial para cada re– messa ou entrada. Ainda assim, esse limite attinge a 30.000 tons. quantidade que abrange toda a nossa exportação annual para aquell e me r– cado incl usive a exportação do Pará e Bolivia que por aqui se faz, comparando com a exportação do anno p.p. STOCKS em BELÉM do PARÁ em 31 de Dezembro J9JO tons-. 727 1914 tons. 1095 1911 " 2585 1195 " 790 1912 " 1625 1916 " ' 1567 1913 " 169'> 1917 " 31 74
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