Revista commercial do Pará julho - 1918

f - 1.º DE JULHO DE 1918 -- 23 NOTULAS Banco do Brasil -- Recebemos um exemplar do Relatorio do Banco do Brasil, apresêntado pelo Snr. Dr. Homero Baptista em Assembléa Geral de 30 de Abril p. p. ' Merece re~istro e s p e ci a I esse Relatorio, que não é o que se costuma assim chamar, vulgarmente. Abordando com desas– sombro os nossos mais momentosos probl emas economico-fi– nanceiros, é um documento valioso, esse trabalho do Dr. Homero. . Sentimo-nos bem á vontade para delle nos occupar, tanto mais qu~ndo vemos ahi, desvanecidos, apoiadas por um verdadei– ro estadista, conhecedor do seu « metier •, idéas que commun– gamos e pelas quaes ha muito nos vimos batendo. Em_Novembro ultimo aqui publicamos um modesto folheto, onde dissemos. • a falta _de continuidade de "vistas no supremo governo do pa1z, tem sido um dos motivos dos nossos insuc– ~essos. Mudando continuadamente de Ministros, cada um tenta mnovar o qut: encontra e, infelizmente, nem sempre para me– lh?r • . No d?cumento que temos em mão se lê, • que a car– teira de camb1os, como permítte lucros, arrasta o Banco a avul– tados prejuízos por se achar sujeita á auctoridade decisiva do Gove~no, uma vez que nem sempre ambos ( Governo e Banco) se_ onen_tam pelo mesmo objectiv.o, obedecendo muita vez - á one?taç~o dos Ministros da fazenda - que tem exercido, com ~erhnacia, • perturbador influxo sobre a direcção dessa carteira • mteressando todo o movimento bancario. ' Basta relancear a vista pelo mappa de cambio vendido pelo Banco em 1917 que attingio a i 18.129.967 e os vales ouro n~ total de i 6.980.722 para logo julgar da importancia dessa car– teira no movimento geral do paiz, que uma simples oscillação de ½ pe~ny representa uma differença de mais de 17.500 contos. ( ~g~ra tivemos de 13 1 /s a 11 5 /s , ou sejam 2.400 contos em cada m1lhao de libras ). Dessas differenças vivem todos os Bancos que negociam em cambiaes, e como essas differenças excedem as vezes a um ponto · ' ' _~ mais, claro que ahi existe uma fonte perenne de lucros que_alimenta um negocio todo especul ativo, ;iurido d a economia fe~cion?l, do producto do trabalho dos que neste paiz se dão á mosia de fazer alguma cousa. d ' Depois de demonstrar o incremento dos negocios do Banco ~z O Relatorio que devido « á consistencia da força • pela expan~ 5 ?º dos negocios do Banco, este cedeu á contingencia occa– s10nal. E ~abem onde foi o Banco buscar essa força ? No recurso • occas1onal • de u · - - d · fT ma em1ssao e na creaçao e nove agencias e 1 iaelsh, « e_m condições de satisfazerem com largueza os serviços que es mcumbe • . • Desdobraram-se .as operações e o seu movimento geral em ·todos ' ' 1 os ramos, foi consideravelmente augmentado. E os seus ucros maíore d 12 ·1 t t . . _ , s e 1111 con os, enarn sido mais copiosos, se nao fossem as d' - . E . . suas con 1çoes espec1aes •· stas condições especiaes, são as d e não .ser • o Banco offlcial nem autonomo P elas rest · - · ' , ncçoes mtransponiveis dos seus estatutos •· de Eb pena realmente, que se não ten ha ahi dito toda a verda– so re o assumpto. _ Em noss_o citado folheto, á pag. 29 dissemos que « as emis- soes success1vas ( 1 ) .. d I' . pe o governo mam se accumular em Caixa d: umt r~tado numero de Bancos ; não circulariam sinão limita- men ~• ando logar á especulação certa e facil em cambiaes proporcb•~na nd0 0 pasto de que ell a vive, altrahi~do a si toda~ as cam iaes provenient d 1 d es a nossa exportação, retrahindo-a ou ançaEn o-a ao mercado, á feição da 1·ogatina • ore d. · . me 10 seria • apparelhar o Banco do Brasil como emissor a levar as s . . . • . • ' . uas age ncias e f1lta es a toda parte, no inte- rior e no ~xtenor, onde se impuzesse a necessidad e de acautelar os nossos mteresses drainando para d entro do · · • pa1z a ma10r som- ma de recursos nossos que se estão escoando d d 1 t· · . , e an o e as 1c1- dade ao credito, acti"ando a circulação•. Dizíamos ainda á pag. 33 que deveríamos ter agencias do Banco na Europa, encarre– gadas de encaminhar dos mercados m011etarios os capitaes que dalli quizessem auferir lucros maiores do que usualmente alli percebem, e pedíamos a extensão dessas medida á America do Norte e até ao Oriente, para corresponder á gentileza e confiança com que nos estão honrando ... O Dr. Homero Baptista é de parecer que o Banco deve pro– seguir no trabal)lo de estender suà influencia e acção não só ás praças principaes do paiz, por meio de agenc:as e escriptorios, mas, tambcm ás praças de Londres, Paris, Berlim, Lisboa, New– York, Buenos Ayres, Montevidéo. Dizendo que já aqui tínhamos Bancos de todas as naciona– lidades, apontamos para a mobilisação tios nossos capitaes pa– ra o mundo inteiro sem equivalencia nem reciprocidade para os interesses geraes do paiz, creando uma situação a ngustiosa para os nossos Bancos que sentiam a resticção do seu campo de acção, encarecendo o seu capital com fretes, seguros, commissões, sempre que precisavam mobilisar fundos, com que interessavam e faziam os outros participar dos seus lucros, e com a vantagem disso fazerem com um simples telegramma, desta par~ aquella · praça. As razões do Snr. Dr. Homero Baptista ainda trazem como argumento valioso a nossa asserção, o momento actual que atra– vessamos e a nossa posição ante as nações com quem mante– mos relações commerciaes, quando é solicitado com empenho o nosso concurso, d e onde pod eremos obter reciprocidades no nosso intercambio e mais seg ura orientação na collocaçao dos nossos productos a serem acompanhados com a bandeira e o Banco, para não ficarem á mercê de incidentes emergentes, que os desvalorizem - sem causas naturaes. Se para o Brasil é indispensavél asseg urar a sua exportação em condições independentes de quaesquer surpreza, não menos necessario será procurar garantia, na medida das nossas neces– sidades, para o commercio de importação do que ainda precisa– mos comprar do estrangeiro. São ver d a d e s essas que se não pode escurecer, e o Dr. Homero bem o diz que a instalação dessas agencias nas praças de nossas maiores relações, não trará, ou não será • a solução immediata das nossas conveniencias de expansão ( importação e exportação) mas, será uma medida util íssima e d e PREVIDEN– ClA, podendo concorrer para o incremento, assistencia e segu-. rança das nossas necessidades •· Dissemos que • a Londres são levados os valores immobi- liarios do mundo inteiro, de todos os paizes, de todos os Esta– dos e Municípios. Esses valores ahi buscam desafogo, todas as vezes que se sente necessidade de desmobilisal-os, desdo– brando-se a p rocura de outras fontes de renda o u empregos • · Pensavamos que, igualmente deviamos levar á Bolsa do Rio de Janeiro todos os tilulos dos n ossos Estados e Municipios, de todos os Bancos e Companhias qu e fun ccionassern no paiz e ahi fazer cotai-os e movimentar na Bolsa, com que daríamos um grande impulso aos nossos negocios, proporcionando uma extra– o rd inaria elasticidade ao credito •· O Dr. Homero dizendo Londres a capital monetaria do mun- do e séde dos pricipaes bancos da frança e demais paizes, lem– bra que para alli convergem todas as operações de todas as pra– ças, ainda mesmo as mais remotas, que dahi podem - ser enca– minhadas, encontrando prompta e efficaz solução ; mostra então, qu e para o Brasil é, alem do centro de negocios do governo, tam• bem de importantes companhias, emprezas e de grande parte do commercio. Lembrando O nosso g rande movimento de cambiaes para alli, a somma de interesses qu e alli temos,_ os se;~iços otciaes externos, propõe a su bstituiçí _o_d a Delegacia qu e a se ac a, por uma agencia do Banco que dmge. . S - edidas que se completam admiravelmente e s6 admira ao m . é que ainda se não tenha feito isso, como aquil\o que lem- bramos. 7

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