Revista commercial do Pará julho - 1918
20 REVISTA COMMERCIAL DO PARÁ ESTADO BEM pouco poderemos dizer sobre o Estado do Pará, porque bem poucos algarismos temos alem dos que publicamos em numeros anteriores desta R.evista. Ainda assim podemos concluir que se não peioramos grande cousa, nada melhoramos financeiramente, requerendo o estado precario do Thesouro serias providencias, decisivas e prestas. Não sahimos do regímen do Deficit e até agravamol-o, pois, até hoje não se poude pagar um real do passado, nem mesmo os ínros da divida interna, que se acham em atrazo de seis ou sete semestres ! nem perto de 27 mil contos de exercícios findos. Orçar a receita do Estado em 13.000 contos, isto é - firmar a despesa em 13.000 contos, é inconcebível, quando ha um quin– quenio não attinge a receita, em media, a 10.000. Seria muito mais racional que nesta somma ultima se fixasse a despesa, quando não ha esperança de tão cedo ultrapassai-a, ou nem mesmo attingil-a. Se não ha meio de augmentar a receita, o unico alvitre seria reduzir as despesas. Deixando fóra do quadro abaixo o anno de 1913 e jogando sómente com os annos dentro do periodo da guerra, a média da receita ainda seria menos de 9.000 contos. Analysando essa receita, veremos que vem baixando de anno para anno a proveniente da exportação, sendo provavel que ainda baixe mais. Baixou tambem, desde 1914, a de Industria e Profissão. A de Divida Activa e Applicação Especial, tem fins deter– minados e não se deve contemplai-as como receita ordinaria a . ser gasta com despesa ordinaria. A da Estrada de ferro de Bragança, comquanto apresente um pequeno augmento, como a Estrada carece de serios reparos e de muito material, se deveria deixar para acudir esse proprio estadoal, evitando assim que ella venha a parar e não mais dê renda - por imprestavel e falta de material rodante. Segue-se que para equilibrar o orçamento do Estado e mu– darmos de vida seria preciso fi xar a despesa num orçamento de 8.000 contos, a ser cumprido rigorosamente dentro dessa verba. Quererão os actuaes Congressistas concorrer para essa obra? Consentirá a politica que isso s e faça ? RECEITA e DESPESA do ESTADO do PARÁ 1913 1914 1915 1916 1917 1918 6 mttes Receita 9.119 8.188 9.303 11.224 11.438 4.357 Despesa 13.452 13.193 12.150 12.364 13.476 5.742 Deficits 4.333 5.005 2.847 1.140 2.038 1.385 Total 16.748 contos de deficits. DISCRIMINAÇÃO da RECEITA 1913 1914 1915 1916 1917 MÉDIAS Exportação 5.595 4.430 4.990 6.142 4.732 5.178 contos E. f. de Brag. 731 585 965 1.223 1:378 974 • Aguas 644 637 627 636 752 659 • Curro 646 655 765 764 707 • Trans. Prop. 606 266 337 327 401 387 e Ind. e Prof. 648 776 529 482 408 568 e Sellos 210 174 149 190 189 182 . Eventuaes 207 210 242 138 61 171 . Divida Activa 38 65 141 219 106 110 • Appl. especial 391 338 594 896 860 616 • Diversos 49 61 74 206 1724 425 • --- --- --- --- --- --- 9.119 8.188 9.303 11.224 11.375 9.977 • Pedir mais impostos guem respira . •• ao contribuinte, é impossível : já nin- do PARA' Appelar para o imposto territorial, de que tanto se está falando, seria uma iniquidade, pois que, entre nós a terra não é cultivada e seria tributar não os detentores de grandes latifundios, mas, os poucos que a trabalham, uma vez que a política intervindo em tudo iria deixar os SOBAS isentos do tributo, os quaes se aproveita– riam desse motivo para mais esfolarem ainda os pobres cabo– clos, embora aquelles nada pagassem ao Estado. Mais racional seria entrar em accordo com os grandes proprietarios para povoarem essas terras com methodo e or– dem, que poderia ser ditado por leis especiaes e prasos deter– minados. Sabemos que nos vão fulminar com o problema de - di- nheiro. Mas, se as terras do Estado servem para garantia de divi– das, é porque ellas teem algum valor e seria preferivel vendei-as a nacionaes que as beneficiem sob contractos especiaes e obri– gação de cultivai-as dentro de um periodo determinado. Gostamos de buscar exemplos. nos E. U. A. sempre que se trata destas cousas. . Ahi vemos de 1860 a 1870 os immigrantes affluirem, na sua maior parte, para a Pensylvania, New-York e New Gersey, trabal!Tando a jornal e procurando adquirir terras no Oeste, em lotes de 40 a 100 hectares, de preferencia, divisão adaptada pelo Estado que assim distribuía as terras araveis e creava a pequena propriedade, concorrendo quanto passivei para amparar esses pequenos posseiros, como meio favoravel ao povoamento. foi assim que se povoaram as vastas planicies das mar– gens do Mississipe; formou-se a Nova Inglaterra, e depois de se ter povoado esses grandes Estados fundaram-se os de Ohio, Indiana, lllionois e Wisconsin. Do Maryland e Virgínia, _se fo~mou_ o Oeste. De Virginia, Kentuchy, e das duas Carolmas, !mm1graram para Tennesse, Missoury, Alabama, Arkansas, e so 30 ou 40 annos mais tarde as populações se espalharam no continente americano. Para exito desse povoamento progressivo, concorreram as E. de ferro e O Governo. E como? Nomeando commissões de trez membros em cada Estado para fazer o levantamento do cadastro nacional, dividindo as terras em lote~ que eram ven– didos em leilão com um contracto de que o arrematante se obri– gava a cultivai-o e fazer nelle pelo menos uma habitação num certo praso, formando com o pr~ducto de~sas, vendas um fundo especial que multiplicava-se de dia para dia, a proporção que se ia povoanào o deserto. Nesse tempo ainda tudo vinha da Europa, até mesmo as ma- deiras e utensilios. Cidades havia como Jamestown _com 1~ casas. Para ahi veio a primeira machina de lavar e limpar fibras como percur- sora de uma novo éra. . Succederam-se os melhoramentos de meios de communi– cação com o desdobramento da colonisação, e as especulações de terras crearam novos Estados. é'.:omo faltasse braços, pedio-se auxilio ás machinas qu . rf . D h" e se exigiam fossem cada vez mais pe eitas._ a I resultou que de 800 milhões de producção em 1860 sub10 a 4 milhares de dol– lars em 1870. Os estabelecimentos industriaes subiram de então a 1 4 0.ooo e em 1900 elles já eram 512.339. Se queremos mudar de vida e passar de productores de materias primas exoticas, teremos que nos fazer industriaes e de extractores de productos indígenas, a lavradores mechanicos. Para isso se requer a acção forte e persistente do governo que não deve iniciar essa acção cortando a arvore dos pomos de ouro mas regand?•a, _c~lt_ivando-a com carinho, fazendo-a multiplic;r-se ~ produzir, d1v1dmdo-a com os que queiram trabalhar, amparan· do-os, sem pesados tri butos. O resto virá com o tempo. 1
RkJQdWJsaXNoZXIy MjU4NjU0