Revista commercial do Pará julho - 1918

12 REVISTA COMMERCIAL DO PARÁ VISÕES INNOXIAS T EMOS sido visitados por mais de uma missão franceza. Ja aqui estivornm missões norte-americanas, italianas, hespa nholas, bue– nairenses, uruguayanas, japonezns. A noticia de tant.as visitas de financistas, commerciantes, ministros, industriaes, economistns, IÍ "terra prometida", que 1w1< vee11i ver, naturalmente dispertoa a idéa da Iuglaterra tambem nos " revêr ", mandando uma gr,m– de " rnissi\o " chefiada pelo Snr. Bunsen, ncompanhado de um al– mirante, um membro <lo seu alto Parhunento, um secretario diplo– mata , t1m grande nome do seu 11.lto eommercio ( o Snr. Follet Holt ) membro de diversas associações commerci11es, e um membro do seu commercio exterior ( Mr. A. C. Ker ), o que sobremodo muito nos honra e desvanece. Mas, perguntamos por vezes a nós mesmos, - o que é que essa gente toda aqui vê, que se acha fórn do alcance das nossas vistas ? Ha pouco um correspondente do '' York Shire Post " dizia em Londres que a creaçào de um 11erviço rapido de communicações entre a Inglaterra e o Brasil é um projecto que constitua hoje ,, uma necessidade" que será ·realisada," provavelmente ", após a guerra. E acrescenta que esse projecto já foi discutido na Hespa– nha por occasião da conferencia de Algesiras e submettido nos representantes "das potencias", calculnndo-se que as viagenij para 0 nosso continente poderiam ser feitas em menos de uma semana, com obras que não excedem de 30 milhões de libras. " Acredita-se, diz o correspondente alludido, que brevemente serl!.o construidos tunneis por sobre os estreitos de Pas de C;.ll ais e de Gilbraltar, sendo estação terminal d11ste ultimo, um porto da co~ta de Marrocos ou dn Argelia, de onde se attingirá Bathurst, na Seuegambia, por meio de um11 linha férrea de menos de mil mi– lhas de extensão e dahi se alcança~á Pernambuco, em poucos dias em vapor." Por outro lado, diz esse mesmo correspondente, " se acha em via de construcçi10 uma estrnda de ferro que permittirú o trafego de viajantes entre New-York e Rio de Janeiro ou Buenos Ayres, em poucos dias". Ha pouco lembrava o Snr. Chnteaubriand em um dos seus luminosos artigos, no "Correw da Manhã", que se nos defronta neste momeúto, o mais melindroso da no&sa existencia, a solução dos problema.a suscitados pela guerrn; problemas tão profundos e de uma ti\o larga amplitude como o homem jámais vislumbrou. Lembrou áindn, esse publicista, que a guerra intensificou cri– ses, cujn solução ninguem podia prever para as gerações actuaes 0 cujo estudo será capaz de apaixonar a reflexão, a energia, a ima– g inação, das nat urezas de élite. E pergunta " se a vide regressará, depois de relaxado esforço g uerreiro, ou, do cabos actual, emergi– rá um novo mundo " ? Quem poderé , actualmente, responder e11- sa perguntn, ante a effervescencia que lavra em todo o orbe ? Entretanto, é digno de notA o que disse o notavel economista 8 hadw':lll em sua reputada revista : " o eonflicto actual é um volcAo, 110 qual todos os elementos da nossa vida se acham em eetAdo in– candescente, sob a crosta, preparando nm movimento eruptivo, an- • • 1 · ~ b m d11 bom11nidade - toda te a v1rull•ncu\ do qun rmru, - para e ' a velha orde1n de cousas. " Lloyd George, nm doe campeões d11 refrega, já decl 11rou que '' se a g uerra é fei ta em nome da liberdade, seria impossível con– duzil-a segundo os principios dessa mesma liberdade " ... J {t se fnla, e cada vez com mnis insistencia, om uma " Liga das Naçõefi ". Que papel nos estará reservado nessa LIGA? .. . Notavel publicista norte-americano acaba de asseverar, com toda II sua alta noctoridade, que os grandes homens de negocio, que exploram o campo de futuras operações mercantis, teem os olhos postos na America Latina. E esta anciedade de conquistn commercin.l, diz elle, " tem todns RS apparencias de um verdadeiro descobrimento desse grande pe• daço do mondo, ignorado até bem poucos anuos pela maioria dos productores da Europa e dos Estados Unidos ·•. O enorme incremento que tem tido, durante a guerra, a fabri– cação de elementos belicos, significa que uma vez feita a paz e com ella voltem as condicções normaes do mui;ido, um incremento inau– dito se dnrá na producçl!.o, rapidamente applicando-se esses machi– nismos no fabrico de artigos pnra o consumo. Todos quererão ven– der e ninguem dorme . . . Mesmo no fragor da lucta, ningnem se tem esquecido dos seus inter~sses e as " missões " ahi estão vindo " nos visitar " estudando o seu futuro campo de acção. Por ventura já nos lembramos de fazer outro tanto, em defesa dos nossos interesses ? ~sse mesmo articulista americano fala vagamente ' ' em vias de commnnieaçilo, em facilidn,d es de communicaçl\o, em linha,; rRpidas de communicaçào, trazendo productos do seu pniz e levando carre– gamentos de metaes, de couros, · de toda sorte de materias primas, " que milhões de homens precisam " . . . Prevalecerá a dc.utrina da Allomanhn de que a " necessidade ni\o tem lei " ? Por fim pergun– ta esse publicista "quaos serl\o os que mais tarde lü\o de supportar n parte mais crtrn desta lucta·" ? " Aquelles que exgotaram as suas melhores euergins, em defe– sas e ataquei:!"? Nilo vae alem mas, prevê n competencia com todos 0 8 visoRde uma nova guerra, · gnerrn sórdida, guerra surda, em que 08 homens dns diversas raças tratarão de abater-se, entre– gando 8 " probabilidade " dn Amarica Latina, tudo quanto possa elaborar a mais r ude !neta pelo bem estar material. Quer diir.er que seremos, por isso, o cnmpo da lncta futura, on· de 88 hostes se virão chDcar e de onde poderemos sahir com ~loria ou como presa imbelle . . . se nos nào apparelharmos para essn lucta e a partieipRr rlella como um membro effectivo "da Liga das Naçõos ". Não estarilo essas " missões " vendo em nós um paiz novo desbnbitado, desgovernado, com uma população at.razada que não fomeee no mondo o que ello exige do esforço dos que devem fazer parte dn " Liga " ? Tudo d.ipende do nosso esforço, do nosso tmba- . . d'ffi ·1 d' do lho, dos homens que nos guiam, ponsso que, e I c1 pre 1zer nosso futuro. Não temnmo 8 a <'oncorreucia, nem fujamos da luctn, note R iu· vasão que se projectn ; mas, reunamo-nos, todos, em um esforço or· ganisado, para não sermos batidos nem constituídos em feitoria, nco– lbendo com nobrezn os que nos procurarem, offerecendo-lhes abri– go nesta" colméa oude abunda o mel e falta obreiros", mas, de· fendendo-a como a sabia defend er o auctor dessa phrnse, que foi o Grande Rio Branco. Tememos porém, que, pela maneira por qno nod temos porta– do e nos teem t rntado, nesta. emergeneia, venhamos a esperar tu<lo isso de braços cruzados e fi ados na P rovidencia Divina que jámais uos desampnrou . .. " dei gratia ".

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